Os passos foram se levantando do chão. Estiquei os braços no sentido das laterais. Meu corpo ereto tomou a forma de cruz. Do alto dos meus pensamentos enxerguei as sinuosidades de um rio que a minha imaginação estabelecia ligações com a realidade do trecho da estrada, Rodovia Rio Bahia, que une as cidades mineiras de Teófilo Otoni e Itambacuri. A altura na qual eu estava povoou os meus olhares de sóis e estrelas. Sentia-me alimentado pelos imbus. Nutrido pelos frutos das memórias da minha meninice entrei na nave PASNOJESTU. Meus braços voltaram à posição normal. Meu corpo se tornou úmido e se pôs a rolar pela face superior das entranhas da nave espacial.
- Aluno duoef, bem-vindo à PASNOJESTU, nave liboririntática propícia aos aprendizados iniciais de pilotagem. Sou Xelack Baelck, o saeskaor nay.
Os raios solares se estenderam sobre a PASNOJESTU. Provei a sensação de estar num secadouro. Não foi preciso nenhum frio na barriga para que Xelack Baelck me colocasse perto dos controles direcionais daquela nave simples e estupenda.
- Instruendo duoef, pego em vossas mãos, o que me é puro e muito caro. Vosso corpo se enxugou. A nave toda perfumada. Vossos olhares já visitaram os escuros e os claros meandros de PASNOJESTU. Vossa mente trabalha veloz. Talvez o perfume estabelecido na nave venha dos Anjos das Pressagias. Quem sabe? Adianto por telepatia ao duoef as teorias do Norte, Sul, Leste, Oeste, Centro. Também telepaticamente passo a transmitir ao duoef conhecimentos basilares sobre o escuro, o claro e o brilhante e sobre os metais e as esfericidades.
A minha mente viajava para longe. Palavras vieram aos meus pensamentos. Chegaram vestidas de plurais e de significados liboririntáticos: ângulos, coordenadas, curvas, espaços, galáxias, simetrias, superfícies, meridianos, vértices, elipses...
E foi assim - a vida em Liboririm era muito movimentada - que aprendi a pilotar a PASNOJESTU. O longe se movia. Parecia-me exatamente que a minha mente se estendia a cada tocar firme das mãos do saeskaor nay em minhas mãos. Por um brevíssimo momento achei impossível que eu estivesse aprendendo a governar uma espaçonave liboririntática. Em outro momento de pleno voo demorado avistei o Rio Ojand. A beleza incalculável dessa visão produziu em mim um prolongado bem-querer, o que me cobriu de fé. Eudaips e Deus naqueles instantes infinitos eram uma única energia.
Desde o tempo em que vi pela primeira vez o Rio Ojand me senti atraído pelas águas profundas, claras, triunfantes. Por sua vez o rio deve ter iniciado diante de mim os impulsos da sua atividade de fascínio e poder de encantamento.
- Pretendido duoef, o voo transcorre normal. Vossa compreensão não hesita. Nela está a extensão a cobrir com este nosso voo. Movimentamos-nos rápidos pelo espaço. A PASNOJESTU reconhece o vosso talento. Eu também legitimo a vossa memória. Nosso destino é a vossa única aula. Voamos em direção à cidade de Nesemix!
O Rio Ojand não ficou para trás quando atualizei o curso da nave depois que saeskaor nay pronunciara em minha mente o nome Nesemix. O rio estava por todos os quadrantes da minha cabeça.
Conservei-me atento à rota solar e aos planos estrelares. A mente se aplicava cuidadosa em conduzir PASNOJESTU. A concentração mexia com o meu espírito, satisfazia a alma de maneira sobrenatural. Nada havia naquele voo de imaginário. Quanto mais eu colocava em prática os ensinamentos ministrados por Xelack Baelck mais verificava estar vivendo em voo um verdadeiro lisukeo. Estaria eu me transformando num liboririntáqueo?
- Praticante duoef, veja a beleza do Planalto dos Metais a se encontrar com a Esfera Escura. O duoef continua Rúbio Talma Pertinax. Porém o duoef transita entre o deixar de ser abduzido e regressar ao vosso planeta de origem. Tal deslocamento ainda não mudou o duoef de lugar, sentimento e pensamento. Rúbio Talma Pertinax não é um liboririntáqueo! Ele vive e voa na condição liboririntática!
Sobrevoávamos o Planalto dos Metais. Sempre achei que o Ojand se assemelhava a uma sinfonia infinita chamada O Rio. Também achava que além de viver para aprender a vida liboririntática me ensinava a morrer.
- Hetroaa. -corrigiu-me com fé o saeskaor nay.
Xelack Baelck sorriu. Apontou-me o destino da PASNOJESTU: Nesemix! Gostaria de viver sem a referência do pouso final. Mas descemos à Nesemix. Um novo drunh acontecia na cidade. O mesmo novo drunh de todo o planeta Liboririm.
| VATA NUSOKKAR, A SMUN UGT TSUKOW |
- Nebulizado duoef, sou Vata Nusokkar, a smun ugt tsukow.