132º DRUNH, MINODGU / O SILÊNCIO

Desde que a Rua Hesb se distanciara dos meus passos houve em Nesemix sempre uma casa a me receber. Os hajulans feitos por Ada Govda realmente eram deliciosos. Bebi duas garrafas de jivec. A hajulanleim era uma liboririntáquea agradável, vivida e vívida. Andava pelos espaços da casa como se soubesse com todos os pormenores o que acontecera e acontecia comigo em Liboririm. Não tive dúvidas de que ela sabia ler a minha alma. Despertava-me interesse os movimentos animados dos seus olhos. Por sinal olhares dotados de viveza espetacular. Curiosamente Ada Govda não era uma liboririntáquea que falava muito. Aos poucos fui me aproximando do seu modo de ser. Quando o silêncio parecia avançar causando-me a impressão que alguma coisa no tempo poderia ser interrompida Ada Govda me dizia frases carinhosas e tudo se voltava para fora dos segredos.
Meus olhares passavam pelas extensões das paredes da casa simples onde eu estava. Encontravam rostos dos antepassados da minha hospedeira. No início ao vê-los, ao constatar a profusão de semblantes espalhados pela casa fui tomado por um vale de curiosidades. Perguntava à hajulanleim quem eram aqueles liboririntáqueos. O silêncio retornava. Tempos depois ouvia Ada Govda me responder.
- Rebento duoef, são as fisionomias dos meus antecessores. Foi com eles que eu aprendi a estar aqui onde estou e a fazer hajulans. Vós viestes estar onde estou! Desejo mostrar ao duoef algo inesperado, admirável.
Eu fascinado pelo auge daquela experiente liboririntáquea levantei-me e caminhei até o lugar onde ela permanecia.
- O Liboririm foi gerado em primeiro lugar. O primogênito de Eudaips é o Senhor do minodgu.
De repente janelas da casa se escancaram. O novo drunh despontou. Nasceram os sóis. Nesemix procurou os meus olhares, que sem cismas encontraram Nesemix. Haveria maior amor ainda?
- Preconizador duoef, o silêncio se reúne conosco. Conversamos com ele sentindo-o em cada palavra que dizemos depois do ressurgir dos sóis liboririntáticos. A mãe do vosso pai e a mãe da vossa mãe também moram nesta casa simples que cheira a hajulans. Continue duoef a vir em minha direção porque ainda quero vos mostrar a água que se entranha na terra liboririntática.
Quantos significados eu já havia comido e bebido? Eu da mesma forma convivia com o silêncio e o praticava por conhecimento que sem ele a claridade das ideias não me interpretaria nem eu a consideraria. Minha opinião naqueles momentos nos quais me aproximava tanto de Ava Govda era a de que eu estava prestes a passar, a me intrometer, a me inserir no que foi do agrado do passado.
Ava Govda pegou em minhas mãos. Conduziu-me ao fundo da casa. Uma porta se abriu. O que os meus olhos viram meu coração sentiu. Vi a não criação da fantasia. Nada era imaginário. As leis da natureza liboririntática não eram suposições. Eu não estava inventando nada! O que eu enxerguei era incrível e real.
- Alimentado duoef, o que vós estais a ver é mesmo as águas do Rio Ojand. Minha casa foi construída às margens do rio. Muitas vezes o silêncio tentou me convencer que as águas do Ojand são lágrimas de grande sofrimento. O silêncio é incansável. Por outro lado muitas vezes o silêncio se fadiga. O silêncio erra.
Deleitei-me a presenciar a exuberância do rio. Outra vez pude tocar no poderio do Ojand. Pensei ao mesmo tempo em Nesemix. Onde poderia estar Nesemix se eu só avistava águas e árvores? Ouvi de longe os meus pensamentos me dizerem que Ava Govda sabia com certeza o que eu pensava. A hajulanleim voltou a segurar em minhas mãos agora umedecidas.
- Duoef, filho da minha filha e do meu  filho, vinde vós se deitar comigo em um pouco de tempo.
Misteriosa a porta dos fundos da casa se fechou. Entramos no quarto de Ava Govda e nos deitamos na mesma cama a olhar para o teto. Minha mão não abandonou a mão da velha liboririntáquea. O gosto dos hajulans ainda residia em minha memória. O silêncio provocou os meus pensamentos. Deitado, tive a sensação de estar voando sobre nuvens obscuras, apocalípticas e constantemente reveladoras. Sem mais nem menos Ava Govda começou a cantar um canto consagrado a Eudaips. Um cântico cuja letra me soava como uma crônica que eu haveria de memorizar e no futuro escrevê-la com o intuito de amar o que me comovia profundamente. A mão de Ava Govda se soltou da minha mão e a liboririntáquea levitou. Ao vê-la no êxtase da elevação sai da cama a procurar a porta de saída.
- Erguido duoef, escreverás no futuro as vossas histórias, pois entrastes em minha casa sem ornatos acrescentados. Continueis a não se desdobrar até porque vós não sois duplo. Que o minodgu prossiga na graça de Eudaips e dos sóis.
XELACK BAELCK, O SAESKAOR NAY
Ao sair da casa da hajulanleim curvei-me às ruas de Nesemix. Passei por janelas e portas à procura do Rio Ojand. Encontrei somente prédios, veículos de solo e naves espaciais. Quando tudo parecia prática constante do silêncio fui sugado por um aborígine objeto voador identificado.
- Aluno duoef, bem-vindo à PASNOJESTU, nave de fabricação liboririntática propícia aos aprendizados iniciais de pilotagem. Sou Xelack Baelck, o saeskaor nay.