Meus olhares passavam pelas extensões das paredes da casa simples onde eu estava. Encontravam rostos dos antepassados da minha hospedeira. No início ao vê-los, ao constatar a profusão de semblantes espalhados pela casa fui tomado por um vale de curiosidades. Perguntava à hajulanleim quem eram aqueles liboririntáqueos. O silêncio retornava. Tempos depois ouvia Ada Govda me responder.
- Rebento duoef, são as fisionomias dos meus antecessores. Foi com eles que eu aprendi a estar aqui onde estou e a fazer hajulans. Vós viestes estar onde estou! Desejo mostrar ao duoef algo inesperado, admirável.
Eu fascinado pelo auge daquela experiente liboririntáquea levantei-me e caminhei até o lugar onde ela permanecia.
- O Liboririm foi gerado em primeiro lugar. O primogênito de Eudaips é o Senhor do minodgu.
De repente janelas da casa se escancaram. O novo drunh despontou. Nasceram os sóis. Nesemix procurou os meus olhares, que sem cismas encontraram Nesemix. Haveria maior amor ainda?
- Preconizador duoef, o silêncio se reúne conosco. Conversamos com ele sentindo-o em cada palavra que dizemos depois do ressurgir dos sóis liboririntáticos. A mãe do vosso pai e a mãe da vossa mãe também moram nesta casa simples que cheira a hajulans. Continue duoef a vir em minha direção porque ainda quero vos mostrar a água que se entranha na terra liboririntática.
Quantos significados eu já havia comido e bebido? Eu da mesma forma convivia com o silêncio e o praticava por conhecimento que sem ele a claridade das ideias não me interpretaria nem eu a consideraria. Minha opinião naqueles momentos nos quais me aproximava tanto de Ava Govda era a de que eu estava prestes a passar, a me intrometer, a me inserir no que foi do agrado do passado.
Ava Govda pegou em minhas mãos. Conduziu-me ao fundo da casa. Uma porta se abriu. O que os meus olhos viram meu coração sentiu. Vi a não criação da fantasia. Nada era imaginário. As leis da natureza liboririntática não eram suposições. Eu não estava inventando nada! O que eu enxerguei era incrível e real.
- Alimentado duoef, o que vós estais a ver é mesmo as águas do Rio Ojand. Minha casa foi construída às margens do rio. Muitas vezes o silêncio tentou me convencer que as águas do Ojand são lágrimas de grande sofrimento. O silêncio é incansável. Por outro lado muitas vezes o silêncio se fadiga. O silêncio erra.
Deleitei-me a presenciar a exuberância do rio. Outra vez pude tocar no poderio do Ojand. Pensei ao mesmo tempo em Nesemix. Onde poderia estar Nesemix se eu só avistava águas e árvores? Ouvi de longe os meus pensamentos me dizerem que Ava Govda sabia com certeza o que eu pensava. A hajulanleim voltou a segurar em minhas mãos agora umedecidas.
- Duoef, filho da minha filha e do meu filho, vinde vós se deitar comigo em um pouco de tempo.
Misteriosa a porta dos fundos da casa se fechou. Entramos no quarto de Ava Govda e nos deitamos na mesma cama a olhar para o teto. Minha mão não abandonou a mão da velha liboririntáquea. O gosto dos hajulans ainda residia em minha memória. O silêncio provocou os meus pensamentos. Deitado, tive a sensação de estar voando sobre nuvens obscuras, apocalípticas e constantemente reveladoras. Sem mais nem menos Ava Govda começou a cantar um canto consagrado a Eudaips. Um cântico cuja letra me soava como uma crônica que eu haveria de memorizar e no futuro escrevê-la com o intuito de amar o que me comovia profundamente. A mão de Ava Govda se soltou da minha mão e a liboririntáquea levitou. Ao vê-la no êxtase da elevação sai da cama a procurar a porta de saída.
- Erguido duoef, escreverás no futuro as vossas histórias, pois entrastes em minha casa sem ornatos acrescentados. Continueis a não se desdobrar até porque vós não sois duplo. Que o minodgu prossiga na graça de Eudaips e dos sóis.
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| XELACK BAELCK, O SAESKAOR NAY |
- Aluno duoef, bem-vindo à PASNOJESTU, nave de fabricação liboririntática propícia aos aprendizados iniciais de pilotagem. Sou Xelack Baelck, o saeskaor nay.
