128º DRUNH, TRAREGU / SOBRE ALGO INDETERMINADO

Quando liboririntáqueos surgiam à minha frente meu peito se esfriava por alguns foroacs. Os liboririntáqueos que me procuravam apareciam como se viessem do fundo de algo indeterminado. Chegavam à superfície e começavam a agir com naturalidade tamanha que eu não me sentia fora do caminho mesmo se o caminho tendesse a me levar onde os meus pensamentos não desejassem que os sentimentos fossem. Mas eles, os liboririntáqueos, também vinham da superfície de algo indeterminado e completavam o termo do movimento da vinda ao chegar ao fundo desse algo indeterminado. Eu me acostumara a essas indeterminações fantasticamente determinado.
Ao ver Le Liffe e escutá-la citando o poeta terráqueo Fernando Pessoa senti sensações angustiantes. Nada demoraram essas constrições. Não me experimentava tenso. Tampouco ansioso. Percebi que toda aquela angústia se emanava da liboririntáquea Le Liffe, que possuía um semblante triste, abençoado por lágrimas.
Caminhei pelos quatro sentidos. Desconhecia e conhecia o lugar onde me encontrava. Vozes súbitas e intensas me diziam que eu estava na Rexatrex Woset, que Nesemix havia se afastado de mim. Entre as vozes se sobressaiu a voz lânguida, abatida de Le Liffe.
- Corporificado duoef, os perigos podem ser imaginários. Os riscos que me rodeiam são reais. Pode ser também que o duoef, possuidor de pernas compridas, passos voadores, é que tenha se afastado de Nesemix. Confesso que me sinto indiferente se o duoef se encontra aqui onde se vê as três Esferas de Liboririm conectadas ao Planalto dos Metais, onde se enxerga os nove sóis do meu planeta ou se o duoef permanece perambulando nas ruas sudoríferas e devoradoras de Nesemix.
Os dizeres de Le Liffe eram carregados de inquietações, intranquilidades. A waiutda andava de um lado para outro. Não tinha mais dúvidas que eu voltara à Rexatrex Woset. Só não sabia até aquele momento como havia chegado ao ponto oposto ao Estreito Glazevew.
- Desembaralhado duoef, nada trouxestes de Nesemix. Nada levareis de Butrew. E nada, além do desespero, terá em vosso poder quando eu for para os braços de Eudaips.
Imagem de mãos sobre mãos chegaram imediatas à minha mente. Eram mãos transparentes, úmidas, flexíveis, finas. Meus pensamentos fizeram apenas o que tinham de fazer. Por um momento tudo me pareceu confuso, dolorido e solitário. A imagem mental das mãos voou feito pássaro cantante. Buscou as portas da mente de Le Liffe. A waiutda chorou impiedosa. Choro incontido, profundo, silencioso. Pressenti que alguma coisa terrível, letal iria acontecer. Levei as minhas mãos reais ao rosto da liboririntáquea repleta de solidões.
- Existente duoef, sou inserida na superficialidade e na profundidade das conexões mentais liboririntáticas. Sinto-me solitária imersa em meu próprio planeta. Não conheço de verdade o duoef. Nem o duoef me conhece a ponto de me salvar do vazio interior. Meu rosto agora é o semblante das minhas mãos. Veja duoef o estado delas sobre as vossas mãos.
Por um tempo o tempo deixou de ser tempo porque o tempo parou. Foi o tempo suficiente para meus olhares penalizados pousarem nas feridas abertas das mãos de Le Liffe. Vi quanta dor e solidão existiam naquela liboririntáquea waiutda. Sofrimentos excessivos encharcados de lágrimas.
Moveram-se todos os seus passos. Tentei segurá-la. Tentativa em vão. Ela me olhou sem erros de julgamento. Minha habilidade comunicativa de maneira desconhecida se compactuou à inexistência de fatores de proteção. Moveu-se a waiutda igualmente como a Rexatrex Woset afugentando o último pássaro cantante que ainda teimava em buscar as portas da mente de Le Liffe. Com o movimento a Rexatrex Woset forneceu o abismo que a waiutda tanto almejava.
- Prosseguidor duoef, não me olhe desta maneira. Não me julgue. Vossa sabedoria será reconhecida pela minha solidão. Aprendei vós a me perdoar.
Perto feito o fim os sóis iluminaram o salto da waiutda. Seu corpo atravessou o infinito. Ouvi o barulho do mergulho eterno de Le Liffe nas águas do Rio Ojand. Sussurrei um Assim Seja. Sentei-me num bloco de metal. A tristeza contida no que presenciei me causou choro. Passei as mãos no meu rosto. Tive vontade de gravá-lo numa freghtile umedecida pelo rio que nela se entornou.
Por todo o tempo o tempo voltou a ser o tempo porque o tempo não permaneceu mais parado. Levantei-me do metal. Aproximei-me do abismo. Atirei-me no vazio. Eu, atordoado pela ausência de Le Liffe, olhei para trás. Vi-me caindo, voando. De repente o meu corpo penetrou numa porta estreita que se fechou no meio de outras várias portas estreitas logo que me sentei em segurança numa poltrona sideral.
- Pontual duoef, eu não resisto em vos dizer que o sonho continua a desejar o vosso coração. Nutro pelo duoef respeito e aceitação. Lembra-se de mim terráqueo?
Eu não estava a sonhar. A nave TAREORA PL.470/NE me pegara na plenitude do meu pulo.
- Claro que me lembro de você imaterial e material Ny Eait, comandante e piloto desta nave prodigiosa.
GENA AXOTED, A MAFFAKER SINGRAY
O destino se dera a uma nave. Destinava a TAREORA PL.470/NE à cidade de Nesemix. Butrew e a Rexatrex Woset tinham executado com perfeição a missão liboririntática de outro amanhecer.
Ny Eait deixou-me numa rua movimentada de Nesemix. Os sóis espetaculares a todos e a tudo clareavam. Assim envolto, protegido, vestido pelos raios solares dei continuação à minha narrativa liboririntática.
- Apreciável duoef, eu sei que vós fostes transportado de Butrew para Nesemix pela perícia de Ny Eait. Uma longa viagem com certeza. Entreis agora em minha casa. Ponha-se à minha vista! Saboreai sem infortúnios um gelado singray rigenbaim. Sou Gena Axoted, a maffaker singray.