Um quarto escuro existiu no silêncio que se apoderou do espaço da casa da Rua Hesb depois que Liogdi Gaav foi embora na nave ocamhun. Apossei-me do quarto. Nele a escuridão perfeita se contrastava com os meus olhos claros. Era um contraste formador de caminho. As belezas intransferíveis do caminho mostravam-me firmes a misericórdia de Eudaips. Não posso afirmar que o quarto escuro era alto ou baixo. Certo foi que a tristeza moradora em mim se diluiu por completa restando-me apenas a doce saudade do meu amigo liboririntáqueo Zarihs Claywanan.
As luzes dos meus olhos clarearam aquele quarto pertencente ao silêncio. Corri e abri a janela. As luzes se intensificaram. O drunh era outro drunh. Nascia forte como uma desmedida profundidade que me mantinha ileso naquele planeta cujo temperamento pacífico se baseava no tempo, seu atributo peculiar, real e irreal.
As luzes mexeram com os meus sentimentos. Pensamentos se moveram. Tudo aconteceu num lampejo. O quarto não mais escuro se soltou do silêncio. Liberto dos domínios do ventre e da ausência de ruídos o quarto desapareceu nele próprio. A liboririntática casa por inteira se iluminou. A vida prosseguiria no seu assim.
Abracei a casa. Sentei-me. A cadeira não se desviou da posição. Sentimentos... Pensamentos... A levar o silêncio voei às glórias futuras. Sentia drunh após drunh que amava Liboririm. Não escreveria uma longa carta ao planeta dos nove sóis quando eu fosse partir. Queria escrever um poema curto ou uma só palavra feita de carne e alma. O silêncio conversava comigo. Cruzei as pernas em busca da posição confortável que se desviava de mim. Fiz o movimento. Lá estavam os meus pés naqueles sapatos fenomenais, liboririntáticos. Sem pensar em sonhos eu pensava encontrar o futuro. Pensamentos... Sentimentos... Meus dedos dos pés pareciam nascer em minhas mãos. Os dedos das mãos pareciam rasgar sentimentos.
Ninguém transitava na Rua Hesb. Levantei-me da cadeira que não se movia. Fui à janela da sala. Somente ao longe passava uma liboririntáquea com vestes sensuais. A saia acima do joelho. Além da saia muito curta ela usava capacete, elmo, uma armadura para proteger a cabeça. Tão distante e senti que a transeunte olhava para mim. Meus olhos se abaixaram um pouco. Enxerguei os solados dos meus sapatos. Estavam cansados e se soltavam. Abri a porta da casa. Saí.
Nesemix sempre movimentada. Até a Rua Hesb sempre sossegada recebia maciço número de veículos e transeuntes. Meu destino se cumpria. Eu precisava ir à Sapataria Dlemolebal. Tempos atrás eu entrara nessa sapataria e conheci Sios Ujerte, o quavanju. O tempo voara à maneira liboririntática. Esquecera-me do trajeto para reencontrá-la. Arriscando-me a perdê-la caminhei por outras ruas e repeti as mesmas esquinas. Ao pensar que me perdera senti a Sapataria Dlemolebal à minha frente.
Dentro da sapataria procurei por Sios Ujerte. Não o encontrei. A atendente dava ouvidos a uma liboririntáquea desembaraçada, falante, de rosto bonito.
- Tudo aconteceu num lampejo. Ele surgiu feito um clarão lá em casa. Pegou-me de surpresa o toque da champnax. Fui atender o chamado. Eu usava minissaia. Abri a porta. Ele entrou. Veio com o propósito de me oferecer facilidades para realizar uma viagem de turismo por Liboririm. Sentamos-nos. Ele não tirava seus olhares do meu corpo. Eu não tirava o meu corpo das facilidades que ele me oferecia. Já percebeu onde fomos parar, não é querida?
A atendente sorriu. Notou a minha presença na sapataria. Pediu tempo à liboririntáquea de rosto bonito e veio saber do que eu necessitava.
- Percebível duoef, Sios Ujerte deu uma saída. Não tem tempo para voltar. De que o duoef precisa?
- As solas dos meus sapatos estão se soltando. Preciso...
- Percebível duoef mostre-me os vossos sapatos.
Meus pés se movimentaram. Nesse instante a liboririntáquea livre de inibições também se movimentou. Movimentaram-se igualmente a atendente e a Sapataria Dlemolebal. Até o drunh insegogu se agitou em várias direções num só rumo.
- Percebível duoef, melhor é nem retirar os sapatos dos vossos pés. Se deixá-los para o reparo não será possível devolvê-los em perfeito estado antes de pelo menos dois tehms. Aconselho o duoef continuar em vosso caminho. Pode deixar que a vossa visita comunico para Sios Ujerte, o quavanju.
Olhei rápido para a porta que se abriu. Vi a diligente liboririntáquea da minissaia se retirar da sapataria. Retirei-me da mesma forma. Ao colocar os meus pés na rua aconteceu o admirável. Meus sapatos não estavam mais avariados e até brilhavam. No horizonte de Nesemix a noite já se misturava com os últimos raios solares do insegogu. Procurei pela Sapataria Dlemolebal. Ela não se achava mais onde estava.
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| ICUL LIGGY, A BUNULEKON |
- Percebível duoef, tudo aconteceu num lampejo. Conservarás a lembrança de tudo isto no vosso coração.
Não era mais verdade que o Clube Vhiszer se encontrava praticamente abandonado. A liboririntáquea tirou da cabeça o elmo. Seu rosto era bonito. Reconheci-o de imediato.
- Percebível duoef, sou eu mesma. Sou Icul Liggy, a bunulekon.
