Uma cor de fogo passou no horizonte de Nesemix. Senti que a passagem daquela cor significava algo. Lentamente compreendi que o seu significado era uma súplica. Também compreendi que eu pedia com instância ao planeta Liboririm o meu regresso à casa dos meus pais. Eu mencionava às luzes do silêncio que com humildade o planeta Liboririm me pedia que eu me favorecesse de paciência porque o futuro não passava de um drunh que ainda despertaria para a vida.
Quando a cor de fogo sumiu do céu fui subitamente acometido pelo sono. Sonhei que passara a noite no interior da nave de Liogdi Gaav. Acordei dentro do meu quarto com a nítida sensação de que o nokaedaguib me diria palavras plausíveis, mas que eu teria dificuldades de entender todo o conteúdo dos seus relatos, das suas narrações.
- Lembrado duoef, Layt Thayl, um jovem liboririntáqueo que morava na Rua Hesb, a mesma rua onde morava Usdraly Uduzin, súplice queria muito conhecer a casa do seu recente amigo. Então Usdraly Uduzin convidou Layt Thayl para uma refeição diurna no interior da casa feita de escadas. Na hora marcada o convidado chegou à porta de entrada da residência do convidador. Era um drunh assinalado pela esperança, pelo sonho da imortalidade que habita os sentimentos dos jovens liboririntáqueos. Layt Thayl podia entrar. A porta se abriu. Imediatamente espalhou-se no ambiente um cheiro semelhante ao cheiro de naftalina. À frente do visitador surgiu uma escadaria. Degrau por degrau foi pisado e explorado pelo amigo de Usdraly Uduzin. Era uma casa esplêndida. Diferente de todas as casas que Layt Thayl conhecera até então na sua vida. O belo jovem se agarrou àquela e às outras escadas que encontrou pelo caminho. Por muitas vezes retornou à casa do seu monumental amigo.
Do xyddrar íamos para a casa. Movíamos os corpos. Retornávamos ao xyddrar. Ouvia os relatos de Liogdi Gaav como se as suas palavras formassem histórias proféticas. O liboririntáqueo girava o corpo sem parar. Sorria a todo o momento. Disse-me que gostava de chamar a sua pequena nave de pouso simples de ocamhun. E falou-me também que em seus contos não existiam profecias.
Em vão eu buscava definir cada lance dos giros corporais do nokaedaguib. Minha vida dançava com a vida liboririntática. Em silêncio eu perguntei ao meu par se quando o futuro virasse drunhs despertados para a vida eu veria o rosto de Eudaips.
A champnax tocou. Abri a porta. O vento melodioso de Nesemix entrou casa adentro, ocamhun adentro.
- Revelável duoef, um jovem liboririntáqueo que sabia dançar, mas que não dançava há muito tempo descobriu que na Rua Hesb havia um local, um salão onde toda samenoa acontecia um baile direcionado a liboririntáqueos tristes de qualquer idade. Ytter Sexirt, assim era o nome desse jovem, não perdeu tempo e mesmo sem nenhuma tristeza a lhe roubar as satisfações e o bem-estar foi se divertir ou se entristecer nesse baile, que se iniciava à tarde e só terminava quando o outro drunh surgia no horizonte. Dentro do salão, Ytter Sexirt, como era de se esperar, foi notado por todos porque não parava de sorrir enquanto os outros liboririntáqueos dançavam com os semblantes carregados de sombras, melancolias, angústias. Nenhuma liboririntáquea desejou dançar com o sorridente liboririntáqueo jovem em demasia e estranho ao ambiente. Mesmo depois que se tornou um adulto sem tantas alegrias e contentamentos a se manifestarem no seu íntimo o nosso falado personagem jamais regressou a qualquer edição desse baile. Sem a sua presença divertida o baile aos poucos deixou de acontecer toda samenoa. Muitas súplicas a Ytter Sexirt foram feitas pelos frequentadores tristes do baile para que o divertido liboririntáqueo voltasse ao local dançante. Não voltou. O baile passou a ser realizado uma vez a cada tehm. Depois se tornou ainda mais esporádico vivendo apenas uma vez a cada konast até desaparecer para sempre.
O vento parecia feliz na casa da Rua Hesb. Aparentava estar também relacionado, absorto no ato de escutar as narrações do nokaedaguib. Procurava interpretar os relatos sem me preocupar mais com o tempo que eu gastaria até chegar num finalmente. O vento me comunicara que era evidente a não existência de conclusões nas histórias de Liogdi Gaav. Seriam mesmo assim?
- Abstrativo duoef, Rixea Redkir era uma musicista desconhecida em Liboririm. Vivia sem eira nem beira. Uma artista incógnita. Possuía um talento fantástico para tocar instrumentos musicais. Sua pobreza era de uma riqueza enorme. Num belo drunh, Rixea Redkir se desesperou. Sentindo-se inútil, vazia sem estar vazia, perdeu ou achou que perdeu o interesse por música. Viajou com aquele infinito sentimento de dor até o local no Planalto dos Metais onde o Rio Ojand é mais profundo. Atirou-se nas funduras do rio. Desejou a Hetrotadem. No entanto ao chegar às profunduras do rio encontrou liboririntáqueos e liboririntáqueas que nadavam feito peixes e eram excepcionais tocadores de instrumentos musicais assim como ela. O humor, a autoestima e as ebulições voltaram a Rixea Redkir. O desespero que a devastava começou a hetroaa. Depois de ouvirem as súplicas da musicista desconhecida em Liboririm os músicos afogados com a maestria de Rixea Redkir formaram uma orquestra. O grupo foi oficialmente chamado de Orquestra Sinfônica do Rio Ojand.
Não me sentia mais triste com a Hetrotadem do meu liboririntáqueo amigo Zarihs Claywanan. Ainda recebia pulsações doídas por estar a par do lúgubre acontecimento em Silonur.
Eu caminhava em minha liboririntática casa entre os giros e as súplicas do visitante Liogdi Gaav e os regozijos do vento. As luzes do silêncio eram a minha verdade, o meu guia. Assim no silêncio perante a voz do nokaedaguib que viera ao xyddrar sem disfarces, sem voracidades vi o turaydo se entregar às luzes das estrelas do fascinante Planalto dos Metais. A noite levaria embora Liogdi Gaav. Sua missão se encerraria na revelação e no silêncio ocasionado pelo fim da última súplica narrada.
- Aliviado duoef, era uma vez o nascimento de um ussungui nas partes mais baixas de Nesemix. Um nascimento que passaria despercebido caso o nascido não tivesse nascido com uma tacicriz tão grande. Um tamanho de tacicriz nunca visto nos ugnals liboririntáticos. Os médicos ficaram surpresos e espantados. Com muita pesquisa a avançada cirurgia plástica liboririntática detectou que o ugnal sofria de uma complexa desgraça, um intricado infortúnio. Se uma cirurgia fosse realizada para diminuir a tacicriz daquele corpo outra parte do corpo do ussungui aumentaria de tamanho e assim sucessivamente. Não se achou nenhuma forma de tratamento que remediasse o que para todo o Liboririm era um mal. E o tempo foi passando. O ussungui cresceu e a sua tacicriz sempre aumentando de tamanho. Fora a estranheza da dimensão da tacicriz ela funcionava perfeitamente. De tempos em tempos ele consultava médicos especialistas. Porém seu caso não tinha outro da sua natureza. E mais invulgar se tornou quando da gigante tacicriz do agora mancebo liboririntáqueo cujo nome é Liogdi Gaav começaram a sair sons de súplicas cravados em partículas de cor de fogo que até khaej voam no horizonte como se fossem esferas perfeitas, uma nave ocamhun.