Outra vez amanhecido. Assim me senti quando de volta de Silonur entrei na minha liboririntática casa da Rua Hesb. Demorado olhei as flores do xyddrar. Elas estavam crescidas, exuberantes. Permaneci parado sem tirar os meus olhares das flores. Não me deixara cansado a longa viagem mesmo os meus dentes rangendo. Chiaram por algum tempo. Depois do range-range se aquietaram. Retirei-me do xyddrar. Os sóis se agigantaram. O tempo passava-me a sensação de que muito tempo eu estivera em Silonur. Sem explicações vieram-me à mente imagens da estrada, principalmente das curvas da magnífica rodovia chamada de osekgnigin. Entreguei-me por alguns overebuts a essas imagens.
A casa da Rua Hesb parecia estar em ordem, ainda que eu notasse nela certo existir empoeirado. Resolvi executar uma faxina na moradia. Iniciei a limpeza pelo meu quarto e aposentos ao redor do habateni. Depois prossegui na cozinha, no próprio habateni e na sala. O minodgu estava ensolarado, sublime. Num determinado momento do tempo eu o louvei. Há muito tempo a liboririntática casa se fizera o meu ponto de referência em Liboririm. Dela arranquei as poeiras. Ao chegar à conclusão de que poderia encerrar a faxina meu coração de repente ficou triste como se uma tempestade se anunciasse aos mistérios que o minodgu, vivaz como as flores do xyddrar, ainda me apresentaria. A repentina tristeza não me proibiu de constatar a inexistência de traças, ferrugens, corrosões nos entremeios da casa.
Num piscar de olhos os ventos até então ausentes agitaram as flores do xyddrar. Alguém havia tocado a champnax. Quem poderia ser naquela tarde? Somou-se um sinal precursor de abatimento. Sentindo-me aflito abri a porta.
- Desembarcado duoef, bem-vindo a Nesemix. Fez boa viagem. Assim me parece. Sou Arocma Runad, o unyyane.
Por Eudaips, por que um unyyane estaria a me visitar naquela noite? Por Nosso Senhor Jesus Cristo, o que acontecia com o tempo?
Meus pensamentos resultaram desajustados. Durante a manhã eu me mantivera acordado ou caíra num sono profundo que durara até o momento do som da champnax? Perguntas chegavam ao cotidiano dos drunhs. Eu inquiria os silêncios e os barulhos. Buscava respostas para entender melhor as concretas e as abstratas imagens que estavam nos arredores do coração.
Eudaips me respondia no horizonte trocando a tarde pela noite em Nesemix. Nosso Senhor Jesus Cristo me respondia com outras perguntas. Levavam-me ambos às significativas aprendizagens. E o tempo se repetia sem que eu pudesse subtrair do prenúncio o adjetivo mau.
- Desembarcado duoef, bem-vindo a Nesemix. Fez boa viagem. Assim me parece. Sou Arocma Runad, o unyyane.
- Em minha liboririntática casa entre, por favor. Pressinto a melancolia do que veio me informar. Ao mesmo tempo a tarde virou noite que outra vez voltou a ser tarde. Pelo terceiro momento vejo o unyyane à minha frente.
- Continuador duoef, envelheceis num planeta localizado nos aléns dos confins do Universo. Vós quereis respostas, paz para sempre, brilhos nos olhos. Há pólen em vossa boca. Falastes com as flores do xyddrar da vossa casa ou as devorastes?
- Olhei-as. Beijei-as!
- Fluxível duoef, é verdade sim que pela terceira vez estou à vossa frente. Na primeira vez tentei vos dizer que Nesemix sentiu a vossa falta quando fostes a Silonur; na segunda vez que vós me vistes tentei vos dizer que o nocrith Aitsok em Silonur sente a vossa ausência...
A tristeza invasora do meu coração ainda não havia ido embora. Os olhares de Arocma Runad eram desmascarados. Neles mergulhava porque eu possuía a intuição que somente nos olhos do unyyane encontraria o conforto fortificante. Sentia tristeza naqueles momentos do minodgu, mas ainda não sabia de fato o motivo dessa tristeza. Vivia a sensação de que sombras viajavam silenciosas ao passado. Arocma Runad entrou na minha liboririntática casa como se abrisse as portas do meu coração.
- Incompleto duoef, vossa sensação neste instante age como bússola. A vossa sensibilidade vos indicará a tristeza. Também vos norteará ao fortalecimento. Não tendes medo! Enfrentai vós as dificuldades do caminho restante do vosso retorno à Terra.
Quantas afirmações eu poderia exclamar para enfraquecer o sentido da tristeza invencível? Na terceira vez que me vi diante de Arocma Runad tentei lacrar meus olhos e ouvidos. Não desejava ver o unyyane por não querer escutar a mensageira voz da perda. Foram as flores do xyddrar que despertaram as minhas lágrimas no espaço da casa da Rua Hesb. Atingiu-me a dor do reencontro irrealizável. Mentalmente busquei o tromert de Silonur, as Cadeiras Esaris e o tzugt. Deparei-me com as impossibilidades, as incompletudes. Os cômodos da casa se expunham limpos, alvos. As poeiras dos móveis da casa davam sinais de desaparecimento misturados aos indícios do retorno paralelo ao liboririntático tempo da interrupção definitiva de uma vida.
- Vital duoef, nesta terceira vez que me vedes não há mais tentativas de prenunciar o prenúncio nem de dilatar o prenúncio. O fato é que em Silonur, no bys-har da Rua Amphiny, no nocrith Aitsok e no condado de Slarruc todos os liboririntáqueos choram por Zarihs Claywanan. O finzedn ErbziwNkurg realizou a passagem para o Universo Divino de Eudaips. Vosso amigo, duoef, hetroaa.
Ao se fecharem mais uma vez os sóis trouxeram ao Planalto dos Metais a extraordinária chegada das claridades estrelares. Contaram-me algo surpreendente e triste. Ao saber da sua Hetrotadem me senti e me sinto mais próximo de Zarihs Claywanan, meu liboririntáqueo amigo muito amado.
O unyyane passou a noite na casa da Rua Hesb. Ele se pôs a caminho para algum lugar desconhecido antes de os sóis se abrirem mais uma vez trazendo ao Planalto dos Metais a extraordinária chegada das claridades solares.
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| LIOGDI GAAV, O NOKAEDAGUIB |
- Enxuto duoef, dois liboririntáqueos num bys-har conversavam sobre a cidade de Silonur. Um deles diz: "Quando você ficará triste e alegre ao mesmo tempo"? O outro liboririntáqueo responde: "Se durante um voo minha nave cair ficarei triste. Se a nave cair num xyddrar ficarei alegre". Sou Liogdi Gaav, o nokaedaguib.

