Plena de sóis a cidade de Silonur no seu modo absoluto de ser me dava a sensação, como se ela mesma me fornecesse o alimento, de que um novo drunh se iniciava por todo o Liboririm.
Zarihs Claywanan continuava à minha frente. Não medíamos forças. Eu sentia que éramos lúdicos. Por alguma força mágica e liboririntática a mocidade me tomou por completo. No auge daqueles sóis inacabáveis o finzedn ErbziwNkurg levou-me ao tromert de Silonur. Caminhávamos em disparada. Meus sorrisos se lançavam para todos os lados. Parecíamos iguais. Do ludismo das nossas ações construímos juntos uma amizade cristalina que jamais sofreria de amnésias.
- Nativo duoef, venha se sentar um pouco nas cadeiras Esaris. O tromert não tardará a vir.
Não me assustei quando os suores escorreram na minha nuca. As cadeiras Esaris podiam mesmo estar em vários lugares ao mesmo tempo. Zarihs Claywanan sorriu. A vida se fazia presente. Na verdade nós a cantávamos. E a vida valia a eternidade da nossa lúdica amizade e da fantástica realidade. Assim o tromert chegou. Das cadeiras nos levantamos viçosos. Percorremos os caminhos dos trilhos do tromert. Vi por inteira a cidade de Silonur. Ouvi atentamente as explicações de Zarihs Claywanan sobre os locais e monumentos que avistávamos pelas janelas do tromert. Algumas regiões de Silonur se enfiavam sob o chão. A cidade alcançava nuvens e também extrapolava superfícies.
Quanto mais a minha simpatia e amizade por Zarihs Claywanan se solidificava mais certeza eu tinha de que o tromert não me conduziria outra vez ao bys-har da Rua Amphiny ou ao nocrith de Aitsok.
E quando senti sede encontrei água dentro do tromert. Se a fome me invadia eu encontrava alimentos. Meus pensamentos não eram idênticos aos pensamentos do meu mais novo amigo, embora por todos os lados daquele tempo precioso e liboririntático deparávamos com nossos sorrisos. Por conta dessa amizade o drunh que era abatxegu se estendeu à infinidade. Tantas coisas fizemos juntos em Silonur. Experimentamos alegrias, confianças, tristezas, poderes poéticos, transformações. Várias palavras aprendi com o finzedn ErbziwNkurg. Aprendi a viver, a hetroaa, a viver de novo. Tornei-me capaz de conversar com fantasmas de liboririntáqueos.
- Quem estar a me dizer tais palavras?
- Encarnado duoef, sou eu quem vos fala. Estou ao vosso lado. Tende vós fé em Eudaips. Sem assombros vós me vereis! Khaej eu sou o fantasma de quem fui konhme... Bem sabes que a minha mãe de chama Erbziw Claywanan e que o meu pai é Nbac Nkurg, o gnulyuq.
Fora do tromert lá estava Zarihs Claywanan na alta janela amarelenta do meu quarto a me entregar poemas que escrevera durante o trajeto do tromert até a montanha do condado de Slarruc.
- Li os seus poemas meu querido amigo liboririntáqueo. Desde que me mudei para Slarruc não faço outra coisa a não ser ler os poemas que você me entrega.
- Montanhês duoef, chegastes a um veredito?
- Sua alma tem sede de Eudaips. A despeito de você viajar tanto pelas Esferas liboririntáticas, pelo Planalto dos Metais e encontre conforto na suposta calmaria do caos urbano liboririntático vi em seus poemas que a sua alma tem fome campestre.
Nossas risadas acordaram os habitantes de Slarruc. A montanha inventada por nossas almas e espíritos se desvaneceu. Até o condado de Slarruc se esvaiu com os ruídos provocados pelo nosso prazer de viver. Meu coração estava dentro do corpo de Zarihs Claywanan. Sua alma iluminava a poesia que pulsava no meu coração de ser humano. Assim fomos observados por Liboririm como se estivéssemos próximos separados por uma imensa distância.
Fora do tromert, nas ruas de Silonur, eu e o finzedn ErbziwNkurg nos divertimos, conversamos possibilidades e desfrutamos impossibilidades. Praticamos os pensamentos contínuos, os sonhos das imaginações, as criatividades dos momentos psicológicos. Fomos testemunhas dos buscadores de vidas. Fomos teoremas das nossas próprias demonstrações. Apaixonamo-nos por liboririntáqueas da Terra e por terráqueas de Liboririm.
Então alcancei a vitória de ter me aproximado tanto assim de Zarihs Claywanan. Nesse momento eu já compreendia que o meu encontro com o jovem poeta liboririntáqueo fora o motivo principal, a bem da verdade o único motivo da minha longa viagem de owhaaysnt à cidade de Silonur.
- Vitorioso duoef, li os vossos poemas meu querido amigo terráqueo. Desde que retornei dos recantos da Esfera Clara a Silonur não faço outra coisa a não ler os poemas que me dedicas.
- Finzedn ErbziwNkurg, chegou a um veredito?
No auge daqueles sóis inacabáveis o owhaaysnt se movimentou. De dentro do veículo acenei um adeus para o meu amigo liboririntáqueo. Quem sabe em algum drunh do futuro voltaríamos a nos encontrar no condado de Slarruc.
Silonur permaneceu na minha memória. Nunca me esqueci do bys-har da Rua Amphiny, do gnulyuq Nbac Nkurg, do nocrith de Aitsok, de Erbziw Claywanan, a hengnyamphinygraybys-har.
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| AROCMA RUNAD, O UNYYANE |
- Desembarcado duoef, bem-vindo a Nesemix. Fez boa viagem. Assim me parece. Sou Arocma Runad, o unyyane.

