Olhei sem nada temer para Nbac Nkurg. O que eu haveria de temer se à frente do caminho não existiam vendavais? A Rua Amphiny estava sob o domínio dos meus passos.
- Passante duoef, vinde estar comigo!
Apenas olhei para o dono da voz que me chamava. E por esse meu olhar reparei que a tacicriz do chamador era larga e fina. Eu não iria parar de caminhar. Meus interesses naquele momento se voltavam exclusivos ao ir além. Eu desejava transitar por Silonur. Quem sabe quando retornasse de onde não imaginava chegar eu atendesse ao chamado do liboririntáqueo do bys-har.
Os cinco sóis da Esfera Clara brilhavam no infinito do tempo de Liboririm. A noite se tornara impossível de existir. Se eu continuasse a andar chegaria a algum lugar dos múltiplos lugares do mesmo tempo do tempo que me transmitia a sensação de ser o tempo em Silonur uma tarde.
À primeira vista Silonur me pareceu análoga a Nesemix. Ambas as cidades eram imensas. O grau de intensidade de Silonur dava-me trela. A cidade me aceitava, conversava com os meus sentimentos e pensamentos.
Não desisti da andança. Sentimentos e pensamentos se infiltravam nos edifícios. Prédios com características diferentes um do outro. Com tantas construções se combinando na total diversidade urbana procurei encontrar um bosque, uma mata. Deparei-me com algumas árvores inversas. Nada mais. Silonur era uma cidade que possuía a natureza da pedra. À segunda vista Silonur não me pareceu análoga a Nesemix.
Os silonurianos se movimentavam com eficiência. Eu não queria parar de andar. Sentia que não eram todos os liboririntáqueos que me viam, embora eu os visse de maneira ampla. Quem me conseguia ver sorria ao constatar que eu era o abduzido terráqueo vivendo o 120º drunh em Liboririm.
Foi aí nessa exaltação sorridente que me dei conta de que os meus pés não se impactavam mais com o chão, que o meu coração se revelava mais forte, que a respiração fluía com facilidade mesmo o meu corpo parado no ápice de uma ladeira. Eu havia chegado ao mirante. Na paisagem predominava o concreto. Forneceu-me a paisagem o exato perfil de Silonur. Atraído pela vista cai em profunda contemplação. As nuvens amarelas se declaravam à altura onde me encontrava. No íntimo senti vontade liboririntática de não desaparecer no meio daquelas poeiras flutuantes no ar caso elas avançassem nos meus olhares e direções. Gosto das alturas que não me importunam. Guardei na memória as descobertas que fiz no ápice do mirante. Naves espaciais falavam com as nuvens. Projetavam sombras em diversos pontos de Silonur.
Se Silonur fosse a minha casa - e foi assim que eu a considerei durante o meu tempo na Esfera Clara - entraria na cidade transformado em floresta. Descansaria dando aos silonurianos o vagar.
Afastei-me das naves e das nuvens porque a Rua Amphiny se moveu sob os meus pés. Meu corpo se virou a buscar os movimentos do retorno sussurrados pela minha mente.
Ao percorrer o caminho de volta ao início da Rua Amphiny abracei o interior da cidade onde eu estava. Sem ter me sentido em sonhos durante a viagem de owhaaysnt à Esfera Clara não me traduzia via interpretação de sonhos.
Novamente a cidade de Silonur se ampliou diante dos meus olhares. Comprovei o significado distinto de ter ido às alturas sem ter tirado os meus pés da Rua Amphiny.
- Coeso duoef, olhai vós para mim. Vinde estar comigo neste bys-har da Rua Amphiny.
Olhei para o gnulyuq. Entrei no bys-har. Eu e Nbac Nkurg não mantivemos diálogo nos primeiros overebuts do encontro. Ele, ao contrário de mim, era um liboririntáqueo civilizado. Seu corpo nada convencional explorava as emoções. Mantinha-me primitivo, esperador das pontes poéticas das inspirações, quase um animal no interior da floresta do vagar. Após consumir uma jivec perguntei espontâneo ao gnulyuq.
- Você vem sempre a este bys-har?
- Impulsivo duoef, venho sim. O bys-har pertence à Erbziw Claywanan. Ela raramente vem ao seu próprio bys-har. Reside em Aitsok, um nocrith de Silonur. Se o duoef seguir caminhando pela Rua Amphiny alcançará as alturas, onde há nuvens amarelas e há também Aitsok. O duoef acabou praticamente de chegar a Silonur. Está pensando em ir às alturas da Rua Amphiny?
Muito pouco respondi ao contíguo Nbac Nkurg. Saber que não haveria noite em Silonur me provocava espaços internos. Desejei retornar às proximidades das nuvens. Além de civilizado o gnulyuq era um civilizador. Deu-me o entendimento de que o bys-har estaria assim para sempre na Rua Amphiny, e que eu poderia encontrar em Aitsok as essências do bys-har e da viagem de owhaaysnt a Silonur, uma cidade muito distante de Nesemix.
- Depois de olhar e estar convosco penso sim em retornar às alturas da Rua Amphiny.
Bebemos mais jivecs. Haveria de chegar o momento em que todas as coisas visíveis e invisíveis terminariam de existir nos planetas Liboririm e Terra. Isto aconteceria em Liboririm quando os meus olhares ficassem ao arbítrio das lembranças. Ou seja: no futuro eu viveria um fim liboririntático quando eu enxergasse o planeta Terra.
- Original duoef, retirais vossos olhares de mim. Estareis em Silonur nas alturas da Rua Amphiny. Como bem sabeis nem Nesemix nem Silonur são cidades desérticas.
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| ERBZIW CLAYWANAN, A HENGNYAMPHINYGRAYBYS_HAR |
- Reformulador duoef, sou Erbziw Claywanan, a hengnyamphinygraybys-har.
