O início do trajeto não foi diferente das viagens em geral. Os passageiros entusiasmados com o belo drunh desandaram a conversar uns com os outros. Ailolgta Lerd, satisfeita por eu ter conhecido o seu pai me disse:
- Assentado duoef, somos como o sal do solo de Liboririm. Temos o gosto salgado. Se o sal ficar privado do seu gosto o que o salgará outra vez? Olhe duoef os sóis! Os sóis me dizem que salgarão o sal se o sal perder o gosto que tem. Meu pai, Madasan Lerd, com toda a certeza contou ao duoef sobre a minha queda das passarelas quando eu praticava seslep.
Acenei positivamente para a seslephatsyl. Eu sabia mesmo do seu acidente. Ela sabia que eu sabia da existência das próteses em seus tornozelos e pés. Ailolgta Lerd não se importava com isto. Assim que o owhaaysnt encontrou a primeira curva da estrada a seslephatsyl mudou de assunto:
- Encurvado duoef, não posso afirmar que eu vos seguia nem que fostes o meu seguidor. Esta vossa viagem não é de maneira nenhuma sonho. Estarei com o duoef até desembarcarmos em Silonur.
- Sabe você Ailolgta Lerd o motivo de eu estar indo a Silonur?
- Destrancado duoef, como vos disse agora mesmo nada posso afirmar, mas gostaria muito de que uma nova criação esteja a acontecer.
- Nova criação?
Olhei inesperado para a viajante ao meu lado. Ela, tão de repente parecia dormir. Percebi que as conversas dos outros passageiros se silenciavam aos pouquinhos quanto mais nos afastávamos de Nesemix.
A primeira curva da estrada era longa. O tempo causava sono aos viajantes. A curva terminou. Reta, a estrada osekgnigin surgiu mais verdadeira. No momento do aparecimento da reta o silêncio predominava no interior do owhaaysnt. Todos os passageiros, exceto eu, estavam entregues ao sono em pleno drunh que pela posição dos sóis se aproximava do otyem-drunh.
Meus sonhos estavam acordados. Crescente me senti. Além dos sonhos eu também não dormia. Do silêncio retirei desenhos coloridos, abstrações originais e figuras que eu jamais tinha visto de salgados saborosos e doces deliciosos. Minha sensibilidade me impressionava, interpretava-me e excitava-me. Meus órgãos sensoriais buscavam as qualidades dos pensamentos que brotavam no tempo feito o próprio tempo.
Certo foi que vi passar no caminho abismos, mansões ermas cercadas por montes de calhaus, pontes sobre o Rio Ojand, desvios que conduziram o owhaaysnt ao Rio Graepia, cercas metálicas a demarcar solos açucarados. As paisagens se assemelhavam aos ventos vindos dos desenhos coloridos saídos do silêncio que me alimentava e me dava água para beber. O owhaaysnt não parava. A viagem a Silonur foi uma viagem sem paradas. Quanto mais o tempo passava mais owhaaysnt ganhava velocidade. Muito tempo depois do otyem-drunh apareceu no horizonte a Esfera Clara. A estrada osekgnigin chegara ao fim. Assim que o owhaaysnt passou para a outra estrada a noite ficou inerte na fronteira do Planalto dos Metais com a Esfera Clara. Mais um deslumbrante espetáculo entre os vários e fantásticos fenômenos astronômicos de Liboririm. Configurações surpreendentes, fora do vulgar, sem nenhuma sazonalidade. Tudo o que os olhos viam a alma registrava, apreendia. A vida liboririntática prosseguia naquele universo criado por Eudaips. Universo jamais abandonado pelos liboririntáqueos.
Sonhador, terráqueo, abduzido e chamado de duoef intui que as belezas liboririntáticas me conduziriam ao planeta da minha origem. Só ainda não sabia como. De forma alguma desejava tempestuoso abandonar Liboririm.
Breves e longos instantes me acolheram. Uma acolhida sem sofrimentos ou quedas. Todo o silêncio terminou. Ouvi estalos. Vozes em crepitação. Súbitos rumores. De uma só vez os passageiros acordaram.
- Compadecido duoef, chegamos a Silonur. Fizemos um viajão, não foi? Uma viagem excelente sem vendavais inconsoláveis. Meu pai, Madasan Lerd, com toda a certeza contou ao duoef sobre a quantidade de tryprezc que ele bebeu enquanto eu recebia próteses nos tornozelos e nos pés.
![]() |
| NBAC NKURG, O GNULYUQ |
Eu amava o planeta Liboririm. Meus ouvidos eram capazes de escutar as estrelas inexistentes. Debaixo dos cinco sóis da Esfera Clara entrei e caminhei no reino de Silonur.
- Turístico duoef, olhais vós para mim. Vinde estar comigo neste bys-har da Rua Amphiny. Sou Nbac Nkurg, o gnulyuq.

