119º DRUNH, TRAREGU / VIAJÃO AO REINO DE SILONUR

Os movimentos das rodas do owhaaysnt se iniciaram nas sombras gigantescas da rodoviária. Estreitos e largos caminhos foram percorridos até a saída definitiva do owhaaysnt do terminal. O owhaaysnt atravessou a Zona Norte de Nesemix e atingiu a rodovia chamada de osekgnigin. Viajaríamos por essa estrada à Esfera Clara, onde entraríamos em outra rodovia e chegaríamos à cidade de Silonur. Seria uma viagem longa.
O início do trajeto não foi diferente das viagens em geral. Os passageiros entusiasmados com o belo drunh desandaram a conversar uns com os outros. Ailolgta Lerd, satisfeita por eu ter conhecido o seu pai me disse:
- Assentado duoef, somos como o sal do solo de Liboririm. Temos o gosto salgado. Se o sal ficar privado do seu gosto o que o salgará outra vez? Olhe duoef os sóis! Os sóis me dizem que salgarão o sal se o sal perder o gosto que tem. Meu pai, Madasan Lerd, com toda a certeza contou ao duoef sobre a minha queda das passarelas quando eu praticava seslep.
Acenei positivamente para a seslephatsyl. Eu sabia mesmo do seu acidente. Ela sabia que eu sabia da existência das próteses em seus tornozelos e pés. Ailolgta Lerd não se importava com isto. Assim que o owhaaysnt encontrou a primeira curva da estrada a seslephatsyl mudou de assunto:
- Encurvado duoef, não posso afirmar que eu vos seguia nem que fostes o meu seguidor. Esta vossa viagem não é de maneira nenhuma sonho. Estarei com o duoef até desembarcarmos em Silonur.
- Sabe você Ailolgta Lerd o motivo de eu estar indo a Silonur?
- Destrancado duoef, como vos disse agora mesmo nada posso afirmar, mas gostaria muito de que uma nova criação esteja a acontecer.
- Nova criação?
Olhei inesperado para a viajante ao meu lado. Ela, tão de repente parecia dormir. Percebi que as conversas dos outros passageiros se silenciavam aos pouquinhos quanto mais nos afastávamos de Nesemix.
A primeira curva da estrada era longa. O tempo causava sono aos viajantes. A curva terminou. Reta, a estrada osekgnigin surgiu mais verdadeira. No momento do aparecimento da reta o silêncio predominava no interior do owhaaysnt. Todos os passageiros, exceto eu, estavam entregues ao sono em pleno drunh que pela posição dos sóis se aproximava do otyem-drunh.
Meus sonhos estavam acordados. Crescente me senti. Além dos sonhos eu também não dormia. Do silêncio retirei desenhos coloridos, abstrações originais e figuras que eu jamais tinha visto de salgados saborosos e doces deliciosos. Minha sensibilidade me impressionava, interpretava-me e excitava-me. Meus órgãos sensoriais buscavam as qualidades dos pensamentos que brotavam no tempo feito o próprio tempo.
Certo foi que vi passar no caminho abismos, mansões ermas cercadas por montes de calhaus, pontes sobre o Rio Ojand, desvios que conduziram o owhaaysnt ao Rio Graepia, cercas metálicas a demarcar solos açucarados. As paisagens se assemelhavam aos ventos vindos dos desenhos coloridos saídos do silêncio que me alimentava e me dava água para beber. O owhaaysnt não parava. A viagem a Silonur foi uma viagem sem paradas. Quanto mais o tempo passava mais owhaaysnt ganhava velocidade. Muito tempo depois do otyem-drunh apareceu no horizonte a Esfera Clara. A estrada osekgnigin chegara ao fim. Assim que o owhaaysnt passou para a outra estrada a noite ficou inerte na fronteira do Planalto dos Metais com a Esfera Clara. Mais um deslumbrante espetáculo entre os vários e fantásticos fenômenos astronômicos de Liboririm. Configurações surpreendentes, fora do vulgar, sem nenhuma sazonalidade. Tudo o que os olhos viam a alma registrava, apreendia. A vida liboririntática prosseguia naquele universo criado por Eudaips. Universo jamais abandonado pelos liboririntáqueos.
Sonhador, terráqueo, abduzido e chamado de duoef intui que as belezas liboririntáticas me conduziriam ao planeta da minha origem. Só ainda não sabia como. De forma alguma desejava tempestuoso abandonar Liboririm.
Breves e longos instantes me acolheram. Uma acolhida sem sofrimentos ou quedas. Todo o silêncio terminou. Ouvi estalos. Vozes em crepitação. Súbitos rumores. De uma só vez os passageiros acordaram.
- Compadecido duoef, chegamos a Silonur. Fizemos um viajão, não foi? Uma viagem excelente sem vendavais inconsoláveis. Meu pai, Madasan Lerd, com toda a certeza contou ao duoef sobre a quantidade de tryprezc que ele bebeu enquanto eu recebia próteses nos tornozelos e nos pés.
NBAC NKURG, O GNULYUQ
Fiz o sinal de positivo para a seslephatsyl. Sabia que ela iria embora. Só não sabia para onde. Não me importava com isto. Assim que saímos do owhaaysnt vi os sóis para sempre no céu da Esfera Clara. Ailolgta Lerd se despediu dando-me de presente um ombyybmo recheado com sraali. 
Eu amava o planeta Liboririm. Meus ouvidos eram capazes de escutar as estrelas inexistentes. Debaixo dos cinco sóis da Esfera Clara entrei e caminhei no reino de Silonur.
- Turístico duoef, olhais vós para mim. Vinde estar comigo neste bys-har da Rua Amphiny. Sou Nbac Nkurg, o gnulyuq.