Ao se mostrar de repente, Madasan Lerd me chamou de duoef como se o arrumo das minhas bagagens físicas não fosse necessário para a anunciada viagem que eu faria à distante cidade de Silonur. Entrei no veículo do douqt tyeleg. Acomodei-me.
Seguimos por uma rua retilínea até encontrarmos a curva à esquerda. Ao passarmos rente a uma passarela de considerável altura que ligava um edifício a outro edifício, Madasan Lerd me falou visivelmente comovido:
- Transportável duoef, num drunh azul como este minha filha caiu daquelas passarelas. Praticava seslep. Ela tinha nove konasts de vida. A queda aconteceu de repente. Imediatamente ela foi conduzida ao Hospital Tsahto Solex. Ao ficar sabendo do desagradável acontecimento fui tomado pelo desespero. Foi necessário que se fizesse uma cirurgia. Próteses de tornozelo e pé foram colocadas. Enquanto minha filha fazia a cirurgia procurei por um bys-har. Bebi bastante tryprezc. Quanto mais bebia menos eu ficava bêbado. Bem, a cirurgia foi um sucesso. A minha filha ficou ótima graças a Eudaips e à medicina liboririntática. Move-se khaej com naturalidade. É a vida que segue...
Ouvia-o imerso em pensamentos. Silencioso, mas não distraído vi a passarela e o caminho se tornar uma imensa avenida movimentada. Nesemix, cidade descomunal. Passamos sobre um viaduto. Logo depois chegamos à parte frontal do que me pareceu ser uma antiga e ainda ativa rodoviária.
- Transportado duoef, rendei graças à importância protetora de Eudaips! Chegamos!
Madasan Lerd estacionou o veículo. Olhei para o seu rosto envelhecido. Em seu semblante pressenti a imagem de Ailolgta Lerd, a filha. A vida liboririntática insistia em rejubilar-se com amores expressos e sem fim. Compreendi que o douqt tyeleg não sairia de dentro do veículo. Entendi que a incumbência de Madasan Lerd para comigo terminara diante dos carregadores de bagagens. Achei que a viagem à distante Silonur não viera por acaso, que a minha ida à Esfera Clara ocorreria em alguns overebuts. Sem produzir muitas sensações me movimentei com o intuito de sair de dentro do veículo. Madasan Lerd tocou sua mão em minha mão. Falou-me com convicção.
- Jornadeado duoef, lá vós a vereis. Aproveites a viagem e a luz dos sóis. A vossa viagem está concedida. É o que tenho a vos dizer!
O douqt tyeleg, depressa, religou o veículo. Partiu da rodoviária.
Sem medo e também sem muita alegria caminhei por uma rampa que ziguezagueava no centro daquela rodoviária que existia em Nesemix há muitos e muitos konasts. Desci a rampa sem impaciência. No fim da inclinação me deparei com liboririntáqueos que em espaço reservado e ao ar livre fumavam camoioxiaps.
A rodoviária estava lotada. Viajantes partiam. Viajantes chegavam. Múltiplos destinos prontos para a partida. Vários modelos de veículos rodoviários esperavam o tempo, senhor de tudo, dos abundantes embarques. Guichês de passagens se espalhavam pelo ambiente movimentado e intenso. Embaralhavam-se às lojas diversas. Balcões de atendimento recebiam e prestavam serviços de informações aos passageiros que não cessavam de surgir. Nesse local ruidoso, desordenado, de certa forma confuso, popular e ostentativo comecei a me sentir só.
- Afinal vou viajar para a cidade de Silonur ou não vou viajar mais ao extremo norte da Esfera Clara? -perguntei a um atendente dos guichês.
O prestador de serviços me respondeu com afoiteza estampada na tacicriz.
- Duoef, é claro que viajarás a Silonur. Alegrai-vos! Não pegueis vós carona da solidão.
Entregou-me folheto metalizado dobrado em duas partes. Ao desdobrá-lo com o plano de fazer a leitura do conteúdo avistei uma passagem, um acesso desobstruído, um calmo caminho à plataforma de embarque. Segui na direção da plataforma. Acendeu-se no folheto desfeito das dobras a palavra Silonur.
Não levou tempo. Encontrei o bonito, brilhante owhaaysnt que me transportaria a Silonur. Passageiros do mesmo destino se aglomeravam à frente da entrada do owhaaysnt. Quando consegui entrar no moderno veículo automóvel notei que as poltronas não eram numeradas. Fiz a escolha. Preferi me assentar na dianteira. Ao olhar pela janela avistei um marcador de tempo dependurado no teto redondo do terminal. O owhaaysnt se encheu de passageiros. O momento da partida se aproximava verdadeiro.
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| AILOLGTA LERD, A SESLEPHATSYL |
- Camarada duoef, sou Ailolgta Lerd, a seslephatsyl. Sou a filha de Madasan Lerd, o douqt tyeleg.
Maravilhei-me com a inopinada presença daquela jovem liboririntáquea que eu ouvira o douqt tyeleg dela tanto falar.
O momento era aquele. O owhaaysnt partiu.

