117º DRUNH, DOSUGNO / A FLECHA E O ARCO

Uma jivec gelada que nada! Consumi várias jivecs geladas durante aquela noite de insegogu que feito uma flecha traria o novo drunh de dosugno. Quanto mais eu permanecia no bys-har de Piwosly Fellpil mais eu enxergava nas paredes quadros dos rostos dos liboririntáqueos que eu conhecera desde que fora abduzido. Até mesmo Rumbo Lone, o abdutor, fazia-se presente naquela pinacoteca etílica.
Piwosly Fellpil me lembrava uma pessoa que eu conhecera no planeta Terra. Por coincidência essa pessoa também possuía um bar. Seus cabelos eram brancos. Seu nome era Mário Valadares. E ele tinha o vício da nicotina. Fumante inveterado. Disse-me várias vezes que o cigarro o levaria embora, desta para uma melhor. Estava certo. Foi exatamente o cigarro o causador da sua morte. De repente suspeitei que Mário Valadares estivesse ali no bys-har a me fazer companhia naquelas jivecs geladas. Eu as bebia com prazer. Alguns overebuts se passaram e as suspeitas, os pressentimentos, as suposições ficaram para trás assim como o tempo de Mário Valadares.
Em Liboririm existiam os camoioxiaps. Os cabelos de Piwosly Fellpil eram pretos, avermelhados. O rexdnaf me dizia sempre:
- Duoef, temia que vós não viésseis ao meu bys-har. Vai mais uma jivec gelada aí?
Esse bys-har se localizava em uma rua tranquila. À sua frente um altíssimo prédio estava em construção. Eu ignorava onde em Nesemix esse bys-har se situava, em qual nocrith eu poderia estar. Mas esse desconhecimento não me afetava de modo negativo. Bebia as jivecs com satisfação. Meus pensamentos se abriam. Em certos instantes eu me imaginava caminhando ao lado do finado Mário Valadares. Em outros instantes eu me imaginava a dar passos ao lado de um Piwosly Fellpil ainda tomado pela juventude liboririntática.
- Duoef, temia que vós não viésseis ao meu bys-har. Antigamente o bys-har ficava mais para cima nesta mesma Rua Ritram, Zona Oeste de Nesemix.
Distraia-me com os meus pensamentos. Eles me levavam ao meu coração. Por vezes eu ficava abstrato. Entretinha-me com o tempo da noite. E o tempo liboririntático corria ao futuro. As jivecs provocavam festa em meu coração. A alma se enchia de júbilo, alegria, satisfação.
- Duoef, temia que vós não viésseis ao meu bys-har. É uma delícia estar ao vosso lado. Vamos, coma mais labethaus.
Ao saborear as qualidades das labethaus deixei a modéstia se afastar de mim por um espaço indeterminado de tempo e levei os meus pensamentos à imperfeição.
- Piwosly Fellpil, meu amigo, gostaria muito de pintar um quadro e lhe oferecer de presente. O quadro ficaria muito bem naquela parede ali! E se a minha pintura contiver máscaras não significa perversidade. Não quer dizer que uso disfarces faciais, imateriais. Não estou cansado meu caro amigo liboririntáqueo. A fadiga não fala comigo. Seu bys-har é sensacional! Trás mais uma jivec gelada.
Sem duvidar da embriagues olhei para o prédio que se erguia à frente de Piwosly Fellpil. Desejei me colocar em marcha. Senti que o bys-har se movia, que a Rua Ritram sem obscuridades se distanciava do bys-har ou algo parecido com ausências estava a acontecer.
- Duoef, temia que vós não viésseis ao meu bys-har. Estamos agora sobre as alturas do edifício em construção. Que o duoef se alegre com a paisagem noturna!  Que as alturas não causem vertigens! Que a flecha seja o arco! Que o duoef complete o quadro que generosamente me oferece! E que o Rio Ojand seja avistado e tocado pelos pensamentos do abduzido.
Veículos cruzavam as ruas de Nesemix. Luzes brilhavam no espaço. Astros e espaçonaves cumpriam a vitória dos cânticos das magias liboririntáticas. O Rio Ojand, um verdadeiro altar, mostrou-se aos meus pensamentos. Em suas correntezas avistei uma rede repleta de peixes. Embriagado e fascinado, mesmo estando há tanto tempo comigo, experimentei nas alturas a sensação de não me conhecer.
Assim que os meus pensamentos tocaram as suas águas o Rio Ojand me reconheceu. Graças e fortalezas me conduziram a uma parte secreta do bys-har do rexdnaf. Nesse aposento encontrei telas em branco, tintas, pincéis e a inspiração que o Ojand não guardava somente para ele.
- Duoef, temia que vós não viésseis ao meu bys-har. Os brilhos das estrelas ainda são as nossas antigas maravilhas. Manifeste o vosso poder! Vai mais uma jivec gelada aí?
Gosto de escrever. Não sou um pintor de quadros. Também nunca fui a minha oposição. O bys-har se movimentou outra vez. Restava-me ainda um largo pedaço do tempo da noite. E se houvesse tempo na eternidade restavam-me o impossível princípio e o que não há de ter fim. Estrofes e cálidos versos me beberam. Os bêbados despertaram o meu interesse em movimentar os pincéis encharcados de tintas coloridas sobre a brancura da tela.
O tempo liboririntático me desenvolvia espiritualmente. Senti que o bys-har flutuava, retornava à sua localização real na Rua Ritram. Piwosly Fellpil me apresentou aos movimentos coloridos das mãos. Abri uma janela no quadro que eu pintava e os sóis de Nesemix clarearam a rua sossegada e movimentada. Feito um arco o dosugno amanheceu. Entreguei o quadro ao rexdnaf. No instante do presente o quadro foi colocado na parede do bys-har.
- Duoef, temia que vós não viésseis ao meu bys-har. Vosso quadro por muitos e muitos tempos ficará aqui na Rua Ritram. Vai mais uma jivec gelada aí?
MADASAN LERD, O DOUQT TYELEG
Aconteceu o silêncio. Despedi-me de Piwosly Fellpil sem sede e sem fome. Pela última vez olhei para o quadro. Assim que o construí o denominei de AQUELE QUE VEIO. Nesse momento nada foi mais bonito do que o silêncio acontecido.
Sai do bys-har. Caminhei pela Rua Ritram até me encontrar com o vento. Quem sabe ele me transportaria à Rua Hesb...
- Duoef, sou Madasan Lerd, o douqt tyeleg.