116º DRUNH, INSEGOGU / DO SENTIDO DA VISÃO

Azuis estavam os meus olhos. Os sons que eu escutava vinham da champnax. Conhecia muito bem aqueles sons. As dúvidas se dissiparam. O chão da casa resplandecia. Refletia-me nas coisas, objetos que também brilhavam. Caminhei rumo à porta. Iria abri-la convicto que eu já estava na minha liboririntática casa da Rua Hesb. O ambiente caseiro, despretensioso sem chegar a ser rasteiro.
Azuis os meus olhos não se mantinham indeterminados, duvidosos. Eu enxergava a curva do corredor que dava acesso aos quartos, às poeiras reticentes sobre os móveis, vidros que decoravam a sala. Sem custos eu via a dança também dourada do vento que me conduzia à porta. Sem me inquietar diante da noção de perigo real ou imaginário respirei profundamente e abri a porta.
- Duoef, daqui até aqui e aqui estou! Sou Av Yelr, o apthatsihox.
Quando Av Yelr se adentrou na casa tive ímpetos de lhe confessar minhas inquietações, medos. A nitidez da minha visão aumentava, melhorava a cada movimento corporal do apthatsihox. Um silêncio brando domesticou minhas precipitações, minhas pressas irrefletidas.
- Duoef, nunca deixastes de enxergar. Tampastes vossos olhos com um chão incolor. O chão do medo. Por pouco não vos tornastes um incapacitante da vossa própria mente. Prometestes permanecer em Liboririm por um tempo predeterminado. No entanto, o duoef em alguns instantes dos drunhs almejou mudar esta promessa. Medo do comprometimento?
Uma dor se espalhou no meu corpo. Quanto mais entendia as palavras do apthatsihox mais as minhas visões funcionavam. Por outro lado eu sentia que aos poucos perdia a capacidade de falar. A dor se relacionava com os meus nervos. Procurei o chão. Deitei-me no físico em busca do conforto subjetivo. Av Yelr veio em minha direção. Subitamente janelas da casa se abriram. Os raios solares se misturaram aos dourados do chão. O corpo do apthatsihox se fez sombra que passeou sobre o meu corpo estendido no piso do meu relato íntimo e subjetivo da dor que de repente cessou de se espalhar, evoluir, de me fazer afetos de desagrados.
- Duoef, estar em Liboririm não é estar em planeta do faz de conta. Nem todos os liboririntáqueos que sabem da existência do abduzido terráqueo Rúbio Talma Pertinax o aceitam. Vossos sentimentos são sabedores desta incompatibilidade. O duoef não será feliz se viver de acordo com os pensamentos desses liboririntáqueos. O duoef deve seguir os douramentos do vosso coração. Os acontecimentos que continuarão a acontecer trarão ao duoef seguranças. E Rúbio Talma Pertinax, o abduzido terráqueo, manterá contato somente com os liboririntáqueos que o recebem com agrado. Assim foi e assim será! Medo da rejeição?
As sombras benignas do corpo de Av Yelr continuaram a caminhar sobre o meu corpo por muito tempo. Minha visão se aperfeiçoava. Mesmo deitado no chão da casa eu olhava para Liboririm com prazer sem alterações. O prazer tomara o lugar da dor.
O apthatsihox me estendeu a mão. Queria o meu bem. Puxou-me para fora do chão. Erguido não temi o silêncio nem tive vontade de enfrentá-lo. Simplesmente preferi os prazeres aos holocaustos.
- Duoef, vós não sois o caminho. Há tristeza e alegria na verdade. Agarre-se à vida. Não a declare terrena nem liboririntática. Não ficais vós ansioso diante do início, perante o fim. A emoção chamada tristeza prepondera. Leva-nos acima das copas das árvores. A emoção chamada alegria desafia. Coloca-nos acima das copas das árvores. Ambas as emoções nos dão o gozo das sensações vividas. Medo do grito?
O insegogu parecia ler o meu retorno à casa da Rua Hesb. O insegogu do mesmo modo escrevia no meu íntimo que Av Yelr em nada demoraria a sair da liboririntática casa visionária.
Meus olhos não se mostravam mais unicamente azuis. Percorriam os meus olhares os recônditos aposentos do cósmico. Morávamos em Nesemix, herança do destino que não fizera a Hetrotadem. Espaçonaves e veículos de solo transitavam loucos no céu e nas ruas da cidade que não me causava medo.
- Duoef, aqui estou indo daqui para lá.
Barulhos urbanos levaram o apthatsihox embora. Quando fechei a porta da casa tive a certeza de ter controlado o medo. Confiante no meu coração eu corri a uma das janelas. Movido pela vida, equilíbrio, pelo meu eu, pensar, pelo tato, olfato, paladar, audição e pela minha visão respirei no movimento dourado do calor daquele insegogu e gritei como nunca havia gritado em toda a vida. Um grito de tal magnitude que numa velocidade máxima me colocou no interior de um bys-har localizado em algum lugar de Nesemix. 
PIWOSLY FELLPIL, O XEDDNAF
Da minha boca saíram inesperadas palavras. 
Dos meus olhos irromperam pincéis e tintas coloridas.
- Duoef, temia que vós não viésseis ao meu bys-har. Experimente esta labethau. Ireis beber uma  jivec bem gelada? Sou Piwosly Fellpil, o xeddnaf.