115º DRUNH, TURAYDO / DO SENTIDO DA AUDIÇÃO

Ouvi depois de me deleitar com os sabores do liboririntático banquete Nidelard Oamacq, o tuarlit, sem me aproximar do sono e da desesperança. Suas palavras eram justas. Passaram nos princípios dos meus pensamentos. Como se Liboririm me conhecesse de jeito real pouco a pouco a minha audição se normalizaria. 
Conheci então a continuidade dos meus pensamentos numa escada feita de maleável metal que fora enviada talvez pelo tuarlit à minha mente. Degrau em degrau a percorri. Ao chegar às alturas me surpreendi ao conceber na mente outra vez a Janela Paralela da Seita Dew'Web. A escada tinha em si um prateado à beira da transparência.
- Duoef, enquanto subistes a escada medi a ausência da vossa audição. Vossa perda auditiva não é eterna. Pronunciarei as palavras no tom propício à vossa recuperação auditiva gradual.
A excitação tomou conta de mim. Minha liboririntática natureza se entregou aos sentimentos artísticos. Parecia-me que Nidelard Oamacq era um ser enviado por Eudaips. Meu coração o ouvia. Fiquei concedido à alegria. Uma pergunta que até então eu não havia pensado me visitou:
- Seria a Janela Paralela uma fonte da vida liboririntática?
- Duoef, ao chegares a Liboririm vosso corpo foi afastado, separado dos vossos amigos e da vossa família terrena. Porém sinto que o duoef verdadeiramente não se separou dos amigos e da vossa família. Ao longo do tempo liboririntático o duoef de forma congênita, progressiva e súbita escutou o vosso coração. Agora o duoef consegue, além dos sentimentos, ouvir as minhas palavras. Não vos afirmarei sim ou não, mas quem sabe a escada na qual o duoef está neste momento seja uma fonte da vida auditiva liboririntática?
Nidelard Oamacq estava certo. Viver em Liboririm não me distanciara dos amigos, da família. E se caso existissem distanciamentos eles eram produzidos pelos silêncios da família e dos amigos. Era certo também que o planeta Terra não se desviara de mim: Rúbio Talma Pertinax. Ainda sem saber com exatidão onde me encontrava fui acalentado pela Janela Paralela. Sem enxergá-la, cego que eu estava, sentia-a fosforescente.
- Daqui até aqui. -balbuciei.
No escuro os brilhos emitidos pela Janela Paralela combatiam a surdez. Pressenti que o tempo liboririntático se mudara para outro drunh.
- É turaydo! -proferi na hesitação do balbucio.
- Duoef, não hesiteis. Vossos pressentimentos estão isentos de erros. Vossos pensamentos estão a escutar os sons. É auditiva a certeza do turaydo. Antecipo ao duoef que a esperança é significativa e visível à frente da vossa funcional recuperação.
Guardei a voz do tuarlit dentro do coração. Parecia ousadia da minha parte, mas ao guardar a voz de Nidelard Oamacq, até porque a ouvia com clareza, desejei ser assim como ele.
- Duoef, também escuto a vossa voz. Os sons começam a girar. Sei que a emoção tenta se transbordar. Saístes dos silêncios. Destravou-se sem artifícios, sem circos tecnológicos. Preparai-vos para alcançar os sons que desejas...
Qual tipo de preparação eu teria que fazer? De repente eu não estava sozinho. O tuarlit estava comigo. Eu e Nidelard Oamacq éramos livres. Acima do último degrau daquela escada milagrosa, cibernética, benevolente e liboririntática não existiam pontos mais altos. Mesmo assim ouvi de longe a voz do presságio que me informou:
- Antes de o turaydo sair das fosforescências da Janela Paralela um ceybyfro passará veloz nos campos verdes da vossa mente.
Estendi as mãos. Queria tocar em Nidelard Oamacq. Alonguei-me. Estiquei os braços. Quando os dedos chegaram ao corpo do tuarlit a escada desapareceu. Com ela seguiram pela estrada do retorno a Janela Paralela e Nidelard Oamacq.
Rapidamente os meus pés tocaram o chão. Arrepiei-me. O vento roçou o meu corpo. Escutei uma música. A paz de Eudaips dava-me ouvidos. Não me sentia velho. Não me sentia jovem. Unia-me aos sons e eles, os sons, não me dividiam. A música entrou na paz.
Ao meu íntimo essa música trouxe a voz de Sda Nakabyn, a dlannyrya. Foi tão intensa essa lembrança que fiquei concedido à vida, ao equilíbrio, ao eu, ao pensar, ao tato, ao olfato, ao paladar, à audição unicamente ligada à fala. Dúvidas que até então não haviam me visitado me interrogaram:
- Duoef, será que estou no interior da Seita Dew'Web? Será que achei a Janela Paralela porque não temi os obstáculos?
Na verdade ao pretender tocar os meus dedos em Nidelard Oamacq, o tuarlit, e antes da escada desaparecer, toquei em um buquê de flores encontrado pelo caminho. As flores brotavam sem parar nos campos verdes conhecidos em Liboririm como a estrada do retorno.
- Será que sou um mensageiro nem menor nem maior daquele que me enviou?
Acreditei na possibilidade de jamais possuir respostas às perguntas que me tilintavam feito sons de champnaxs.
AV YELR, O APTHATSIHOX 
No fundo da minha crença a esperança pulsava nas sonoridades que me abraçavam. Considerava verdadeiras as luminosidades do turaydo. Elas ainda decerto habitavam nos vãos da Janela Paralela. Desejei não perturbar o meu coração.
Foi assim sem comoção que meus olhares se abriram. Vi um ceybyfro passar veloz nos campos multicoloridos da mente.
- Duoef, daqui até aqui e aqui estou! Sou Av Yelr, o apthatsihox.