Ouvi depois de me deleitar com os sabores do liboririntático banquete Nidelard Oamacq, o tuarlit, sem me aproximar do sono e da desesperança. Suas palavras eram justas. Passaram nos princípios dos meus pensamentos. Como se Liboririm me conhecesse de jeito real pouco a pouco a minha audição se normalizaria.
Conheci então a continuidade dos meus pensamentos numa escada feita de maleável metal que fora enviada talvez pelo tuarlit à minha mente. Degrau em degrau a percorri. Ao chegar às alturas me surpreendi ao conceber na mente outra vez a Janela Paralela da Seita Dew'Web. A escada tinha em si um prateado à beira da transparência.
- Duoef, enquanto subistes a escada medi a ausência da vossa audição. Vossa perda auditiva não é eterna. Pronunciarei as palavras no tom propício à vossa recuperação auditiva gradual.
A excitação tomou conta de mim. Minha liboririntática natureza se entregou aos sentimentos artísticos. Parecia-me que Nidelard Oamacq era um ser enviado por Eudaips. Meu coração o ouvia. Fiquei concedido à alegria. Uma pergunta que até então eu não havia pensado me visitou:
- Seria a Janela Paralela uma fonte da vida liboririntática?
- Duoef, ao chegares a Liboririm vosso corpo foi afastado, separado dos vossos amigos e da vossa família terrena. Porém sinto que o duoef verdadeiramente não se separou dos amigos e da vossa família. Ao longo do tempo liboririntático o duoef de forma congênita, progressiva e súbita escutou o vosso coração. Agora o duoef consegue, além dos sentimentos, ouvir as minhas palavras. Não vos afirmarei sim ou não, mas quem sabe a escada na qual o duoef está neste momento seja uma fonte da vida auditiva liboririntática?
Nidelard Oamacq estava certo. Viver em Liboririm não me distanciara dos amigos, da família. E se caso existissem distanciamentos eles eram produzidos pelos silêncios da família e dos amigos. Era certo também que o planeta Terra não se desviara de mim: Rúbio Talma Pertinax. Ainda sem saber com exatidão onde me encontrava fui acalentado pela Janela Paralela. Sem enxergá-la, cego que eu estava, sentia-a fosforescente.
- Daqui até aqui. -balbuciei.
No escuro os brilhos emitidos pela Janela Paralela combatiam a surdez. Pressenti que o tempo liboririntático se mudara para outro drunh.
- É turaydo! -proferi na hesitação do balbucio.
- Duoef, não hesiteis. Vossos pressentimentos estão isentos de erros. Vossos pensamentos estão a escutar os sons. É auditiva a certeza do turaydo. Antecipo ao duoef que a esperança é significativa e visível à frente da vossa funcional recuperação.
Guardei a voz do tuarlit dentro do coração. Parecia ousadia da minha parte, mas ao guardar a voz de Nidelard Oamacq, até porque a ouvia com clareza, desejei ser assim como ele.
- Duoef, também escuto a vossa voz. Os sons começam a girar. Sei que a emoção tenta se transbordar. Saístes dos silêncios. Destravou-se sem artifícios, sem circos tecnológicos. Preparai-vos para alcançar os sons que desejas...
Qual tipo de preparação eu teria que fazer? De repente eu não estava sozinho. O tuarlit estava comigo. Eu e Nidelard Oamacq éramos livres. Acima do último degrau daquela escada milagrosa, cibernética, benevolente e liboririntática não existiam pontos mais altos. Mesmo assim ouvi de longe a voz do presságio que me informou:
- Antes de o turaydo sair das fosforescências da Janela Paralela um ceybyfro passará veloz nos campos verdes da vossa mente.
Estendi as mãos. Queria tocar em Nidelard Oamacq. Alonguei-me. Estiquei os braços. Quando os dedos chegaram ao corpo do tuarlit a escada desapareceu. Com ela seguiram pela estrada do retorno a Janela Paralela e Nidelard Oamacq.
Rapidamente os meus pés tocaram o chão. Arrepiei-me. O vento roçou o meu corpo. Escutei uma música. A paz de Eudaips dava-me ouvidos. Não me sentia velho. Não me sentia jovem. Unia-me aos sons e eles, os sons, não me dividiam. A música entrou na paz.
Ao meu íntimo essa música trouxe a voz de Sda Nakabyn, a dlannyrya. Foi tão intensa essa lembrança que fiquei concedido à vida, ao equilíbrio, ao eu, ao pensar, ao tato, ao olfato, ao paladar, à audição unicamente ligada à fala. Dúvidas que até então não haviam me visitado me interrogaram:
- Duoef, será que estou no interior da Seita Dew'Web? Será que achei a Janela Paralela porque não temi os obstáculos?
Na verdade ao pretender tocar os meus dedos em Nidelard Oamacq, o tuarlit, e antes da escada desaparecer, toquei em um buquê de flores encontrado pelo caminho. As flores brotavam sem parar nos campos verdes conhecidos em Liboririm como a estrada do retorno.
- Será que sou um mensageiro nem menor nem maior daquele que me enviou?
Acreditei na possibilidade de jamais possuir respostas às perguntas que me tilintavam feito sons de champnaxs.
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| AV YELR, O APTHATSIHOX |
No fundo da minha crença a esperança pulsava nas sonoridades que me abraçavam. Considerava verdadeiras as luminosidades do turaydo. Elas ainda decerto habitavam nos vãos da Janela Paralela. Desejei não perturbar o meu coração.
Foi assim sem comoção que meus olhares se abriram. Vi um ceybyfro passar veloz nos campos multicoloridos da mente.
- Duoef, daqui até aqui e aqui estou! Sou Av Yelr, o apthatsihox.
