Talvez necessitasse adormecer. Se dormisse teria dúvidas se a magia de Liboririm permaneceria estabelecida na magia de ser humano. Não me dedicaria ao sono de maneira nenhuma!? A vida em Liboririm me encantava. O equilíbrio me fixava overebut a overebut no espaço liboririntático. Meu eu se projetava com afinco ao meu assim. E vice-versa. Os pensamentos não me causavam perturbações. Relacionava-me com as imaterialidades do caminho. Encontrava com o tato os significados da direção. Sentia os perfumes do local onde eu me achava. Reconhecia-me denso, revelado e revelador. Minha audição inoperante almejava se estabelecer numa normalidade. Meus olhos impossibilitados queriam outra vez enxergar.
Sem ter dormido despertei extraordinário, buscador. A viagem ao planeta Liboririm dava-me uma continuidade mágica. Não eram os liboririntáqueos a civilização perdida nos cafundós do espaço. Adaptara-me ao realismo fantástico do planeta Liboririm. A audição e a visão esperariam um pouco mais. Mago eu me experimentava. Tive mesmo foi vontade de abrir a minha boca, deixar que a língua enviasse ao cérebro impulsos nervosos, que o cérebro transformasse os impulsos nervosos em sensações gustatórias. Tal vontade me aconteceu depois que dum overebut para outro comecei a ser sensível aos deliciosos cheiros dos alimentos liboririntáticos. Mesmo sem estar ouvindo senti o gosto da fome quando a prestar atenção aos meus pensamentos ouvi:
- Duoef, bem à vossa frente estou. Sou Zates Carous, a ckyxofut. Qual a vossa comida preferida? Qual o vosso sustento predileto?
Não pude responder à ckyxofut. Eu era mágico mudo, surdo e sem paladar. Mantinha-me, apesar disso, em comunicação com os meus pensamentos que conseguiam conviver com Zates Carous.
- Duoef, vossos pensamentos leio-os de modo cristalino. Propague-se sem acanhamentos. Estou bem à vossa frente. Com certeza, além de mim, há também à vossa frente uma refeição copiosa. As mais saborosas comidas da gastronomia liboririntática. Suculências, pecados, excelências! O vosso paladar não está extinto. Adormeceu e deseja acordar. Para tanto, o duoef deve despertá-lo se colocando à disposição dos vossos pensamentos.
Tenho os meus segredos! Quem não os tem? Meus pensamentos estavam nos hokils da Seita Dew'Wed, na Janela Paralela. Zates Carous me puxou para perto dos alimentos apresentados na mesa. Senti os aromas daquele altar. Repentinoso comecei a degustar aquela comida liboririntática, dona de sabores triunfantes. O paladar se aguçara. Servia-me de fidelidade e dedicação.
A ckyxofut se desprendeu de mim. Enquanto eu comia devagar e com prazer percebia a textura dos alimentos ingeridos. Meus pensamentos encontraram na Seita Dew'Wed uma noite de tempestade. Nessa tempestade achei uma fortuna. Com a fortuna preparei uma mesa farta de alimentos. Terráqueos e liboririntáqueos se sentaram em volta do tempo. Zates Carous me disse:
- Duoef, em Liboririm os sentimentos são chamados também de tempos. O poder a vós concedido por Eudaips é a vossa soberania. Vossos pensamentos progridem nos tempos das velocidades diferenciadas. Prove de todos os sabores. O amor tem como nascente os tempos e as velocidades de Eudaips.
Meus pensamentos captavam os dizeres da ckyxofut. Ela se comunicava usando em suas mensagens o libotticorim. Quando me assegurei da sua maneira libocism de se expressar tive a impressão, depois a certeza de que a recuperação do meu paladar e a fortuna daquela mesa faziam parte dum ritual místico. De qualquer forma me senti digno ao aceitar os alimentos oferecidos.
Meu corpo estava forte. Meu sangue me oxigenava. A barba crescera visivelmente de um drunh para o outro. Não fui afetado por tonturas, vertigens. Pensava com clareza. Digestão e metabolismo funcionavam perfeitos. Não havia frio. A maravilhosa natureza liboririntática me alimentava.
Antes do retiro da mesa farta, Zates Carous me propôs flores. Aceitei-as. Ao mastigá-las me lembrei da vida no planeta Terra. A ckyxofut me sorriu e num relance acreditei que a mesa farta se dera ao sumiço.
- Duoef, partirei marcada com o sinal do vosso paladar. Ao duoef desejo felicidades, luzes, paz.
A ckyxofut se desprendera de mim? Possível fora que sim! Por alguns overebuts acreditei que Zates Carous apenas se ocultara sem jamais ter ido embora.
![]() |
| NIDELARD OAMACQ, O TUARLIT |
- Duoef, acordado como estais agora me escutarás. Sou Nidelard Oamacq, o tuarlit.
