113º DRUNH, ABATXEGU / DO SENTIDO DO OLFATO

Na partícula do instante do novo drunh o som padecente da pmorly que parecia estar muito longe de mim foi desaparecendo de foroac a foroac até que o silêncio por três se multiplicou. Todo aquele lugar enigmático me enviou uma mensagem inodora.
Intuicionei que algo acontecera. Algo que seguia os moldes da vitória. Por isto Doch Adue tocara a pmorly. O fim ganhou do princípio no jogo dos sentidos ou teria o princípio vencido o fim? Eu estava sem olfato e sem visão. E a audição também não demorou a acabar. Ainda consegui ouvir um grito inexplicável. Do berro de motivos desconhecidos formou-se na minha imaginação o pensamento numa flor. Aproximei o meu nariz dos silêncios flóreos. Eles me prenderam à parte insípida das vidas terrenas e liboririntáticas. Insipidez e ausência de aromas.
Na escuridão daquele abatxegu tateei o porvir. Nada relevei. Nada avancei. Encostei-me disperso nas minhas passagens nasais. Imaginei sozinho nas centelhas da existência os cheiros dos corpos, manequins humanos, banhados de essências aromáticas, agradáveis e fedorentas. O nada era tudo o que eu aspirava. Intrometia-me no drunh. Metia o nariz no drunh. Festejava a falta que o olfato me fazia sem compreender os aditivos das fragrâncias.
Esmoreci. Joguei-me ao chão e o chão me repeliu. Senti-me sufocado quando uma rajada de vento com muita dificuldade se introduziu nas minhas narinas. Mastiguei a flor formada nos meus pensamentos sem possuir fome. Nem nas partes dos sentidos figurados da flor senti cheiro ou gosto. Cuspi-a como se o impenetrável eu o tivesse ingerido. Expulsei pela boca substâncias contidas no estômago. Jorrou da cavidade que forma a primeira parte do meu aparelho digestivo a bílis, o fel, a irascibilidade. Afogueei-me no vazio.
Quando a minha memória tentou destruir a minha imaginação com a descrença impiedosa do passado o porvir trouxe o aparecimento sensitivo de A-capzec. O zvaolac trazia em suas crinas as flores de Colykya Ledert retiradas por Lincib Onbsaor dos seus próprios olhos que distantes e próximos ficaram plainando dentro de um vaso gelatinoso na minha mente.
Fui levantado por A-capzec no altiplano dos metais. A voz silenciosa de Doch Adue se unira ao Anjo das Pressagias que me habitara e ele voltou a se manifestar.
- Duoef, sou Doch Adue, o ovindux e o pmorlynty.
Alonguei os meus braços. Para me orientar toquei o rosto de Doch Adue. Enquanto o apalpava o anjo que me povoava lançou à minha mente as seguintes palavras:
- Estou convosco duoef em todos os drunhs.
O rosto de Doch Adue se moveu inesperado. Minhas mãos vieram também ao meu rosto. O rosto se umedeceu. Fui invadido por uma frialdade incomum. Não demorei a ser tocado pelo corpo do ovindux e pmorlynty. Esse contato físico aqueceu-me. Impulsos nervosos gerados por Doch Adue passaram para dentro de mim. Difundiram no silêncio das escuridões a docilidade e o azedume de alguma vida em purificação.
- Duoef, não duvideis das vossas percepções dos cheiros. A olfação é vossa novamente. O vosso olfato renasceu estimulado pelas vossas neuropercepções terrenas e liboririntáticas.
Das narinas escorreram líquidos encorpados. Emocionei-me ao sentir que a respiração retornava à normalidade. Quanto mais os líquidos fluíam mais a minha percepção dos aromas se processava de maneira feliz. O perfume e o fedor se autodividiram em inumeráveis graus de agradabilidades, excitabilidades e repugnâncias.
O silêncio desistiu de pertencer somente à escuridão. Deu-me o tempo da viagem às minhas memórias, lembranças dos odores dos momentos da vida no planeta Terra. Por mais concretas que fossem as lembranças se volatilizavam.
- Duoef, vossas memórias em ação fazem parte dos processos de purificação. Encontrareis nas memórias, ao contrário das transitoriedades, as experiências aromáticas e afetivas eternizadas. A possibilidade do mau sucesso do sentido do olfato não está mais no duoef.
Assim me falou Doch Adue. Assim o anjo que me habitava do interior deslocou-se para o exterior. Senti o cheiro suave do anjo Iemelel. Lembrei-me do aroma da minha mãe, do perfume do seu colo e dos abraços longos. Por fim quando as lembranças se entrelaçaram na realidade liboririntática do agora despoluído lugar onde eu estava minha boca se encheu de água.
- Duoef, será que vós respirareis outra vez? Vosso cheiro crê em vós. E vós credes em vosso cheiro. Não duvidais vós dos demais cheiros! Até mesmo dos cheiros inexistentes...
ZATES CAROUS, A CKYXOFUT
Iemelel, o Anjo das Pressagias, comunicou-se por meio de sinais, gestos, com A-capzec. O zvaolac conduziu o anjo e Doch Adue. O som da pmorly que dessa vez parecia ser o drunh abatxegu em desenlace me tranquilizou a tal ponto que mesmo sem escutá-lo senti o gosto da fome de escutá-lo.
- Duoef, bem à vossa frente estou. Sou Zates Carous, a ckyxofut.