A verdade era o tom no dom de esperar. Talvez o tempo que estivesse a caminho dos arredores do meu renascimento fosse a mola propulsora do grande salto que eu daria para atingir o planeta Terra.
Assim que a voz de Sianay Islom reverberou nos meus pensamentos comecei liboririntático a ser guiado pela granyumeg aos territórios da realidade, da exatidão tátil.
Os dedos das mãos se inflamaram. Meu silêncio deveria estar se comportando, agindo de forma reveladora. Em qual partícula do instante eu principiaria a perceber as sensações mecânicas, dolorosas, térmicas de contatos?
- Duoef, o vosso tato vos dirá das coisas futuras. Não percais a esperança. Não vos priveis do vosso silêncio. Cautela, audiência, tino. Vós duoef renascereis na alegria de regressar ao vosso planeta na partícula do instante de um manto de luz, de uma nave colossal ou retornareis firme e sólido no esplendor e glória de Eudaips em uma embarcação navegante das estrelas e do oceano que vós tateareis...
A luminosidade do drunh parecia partir o seu próprio ir-se embora. Eu não conseguia identificar a parte do drunh que se dava ao tempo. Os sóis se achavam encobertos por nuvens grandiosas. Não havia o calor. Não havia o frio. Acreditei que os pensamentos me anunciavam a verdade. Sianay Islom veio para perto de mim. No espaço e no tempo ficou profundamente próxima do meu corpo. Enviou-me os seus deslizantes dedos. Fui tocado com delicadezas. Experimentei sensações deliciosas. Admirável foi o que eu senti ao tocar o corpo da granyumeg. Tomou-me uma locomoção. Esse deslocar-se me levou ao drunh e à noite. Como se eu me tornasse o interventor, um ser sobrenatural e um elemento mágico do poema que naquela partícula do instante desembarcou no pensamento. Cheguei a uma rua repleta de insetos.
- Quem vem lá?
A mesma pergunta do passado ecoou pela alegria e pela tristeza em voz femínea. Respondi-a.
- Rúbio Talma Pertinax, o terráqueo abduzido! Procuro o caminho que me conduzirá ao próximo sentido.
Os insetos se moveram com tamanha velocidade. Cobriram o corpo de Sianay Islom. Em vista disso seus braços se espicharam. Suas mãos me procuraram no meu redimir-se. Seus dedos múltiplos tatearam o amor que eu nutria por meus filhos inexistentes. Eram toques, apalpadelas ásperas, severas, irregulares. Por outro lado os apalpamentos, os toques eram cuidadosos, emotivos, impressionáveis. Entreguei-me de olhos levantados à granyumeg tocando-a sob os insetos.
Assim com os olhares erguidos vi ao longe a chegada de um yotolac. Feito uma lenha que se rachou Sianay Islom retirou do seu corpo os insetos. Entramos no veículo. Muito mais rápido do que o sopro nas brasas avivadoras do fogo a granyumeg encheu o yotolac de objetos.
- Duoef, enquanto as vidas se encontram e se tocam nas galáxias as "ofertas" a vós enviadas por Liboririm acabam de chegar. Vamos duoef reinicie o treinamento, o aprendizado do tato. O yotolac seguirá pelo caminho enquanto vós praticareis os exercícios de tateamento. Os drunhs não abandonarão os sóis. Os sóis brotarão das nuvens grandiosas. As noites do Planalto dos Metais cobrirão de estrelas a vossa viagem. Enquanto as vidas se encontram nas galáxias vós tateareis todas as "ofertas". Que Eudaips esteja convosco!
Quando a granyumeg findou os seus dizeres eu comecei a perder a audição.
- Por que os meus ouvidos se encheram de nuvens?
Silêncio. Sianay Islom partira. Misturei-me aos objetos do interior do yotolac. Tateei-os diversas vezes. Versos improvisados ou exatidões matemáticas? Num ímpeto gritei para mim mesmo:
- Duoef, vós estais a 12,44444444444 samenoas em Liboririm. Vós estais a 3,39393939394 tehms em Liboririm. Vós sois ainda um ugnal!
Minha sensibilidade tátil atingira um grau magnífico. Discriminava as "ofertas". Ao passar os dedos nos objetos eu descobria nos seus formatos continentes, ilhas, rios e até mesmo oceanos.
Quando o tempo liboririntático me colocou em contato físico com um objeto prismatoide todas as "ofertas" sumiram. O yotolac cessou os seus movimentos. Fim do caminho e da viagem. As portas do veículo se abriram. Tateei o objeto prismatoide até ele se diluir. Tudo me pareceu como antes. Saí do yotolac. Sem saber aonde eu chegara misteriosamente aspirei forte cheiro de zvaolac. Com o coração ao alto me imaginei filho oferecido em sacrifício a uma divindade porque ao sentir o odor do zvaolac, sem estar absolutamente seguro da presença do zvaolac, a verdade me abalou causando-me ausência temporânea da visão.
A uma só voz silenciosa alguém se uniu ao Anjo das Pressagias que naquela partícula do instante me habitara.
