Senti a sensação de estar descendo, saindo de um veículo de solo. Caminhei por uma rampa. Adentrei-me numa construção envelhecida. Um elevador prateado levou-me a um piso inferior. Havia no pavimento baixo várias pilastras. Andei por entre elas. À frente do meu corpo surgiu a pedra vermelha. Seitnidewx reapareceu. Sua marcante, sobressaída voz se fez ouvir.
- ...sentai-vos sobre a pedra. Assim que a pedra calcular o vosso peso se sentirás atado a ela durante a viagem que se iniciará onde estamos e terminará onde nos encontramos. O duoef se ligará forte à pedra e a si mesmo. Nada vos impedirá de executar a viagem. Nem as vossas promessas nem as vossas obrigações morais, comprometimentos e tolhimentos. Sou Seitnidewx, o epcsant. Duoef...
Impulsionado fui à pedra. Assentei-me na sua vasta superfície. Quase de imediato fiquei preso à pedra. Ela se movimentou, tremuras, e uma placa de vidro saiu de dentro dela e se elevou até a minha cabeça. Amparei-me nesta placa de vidro que me forneceu a intuição da sua finalidade motriz. Interpretei-a como se ela não passasse de uma liboririntática janela.
- ... irei vos conduzir ao aqui mesmo. A viagem durará o tempo de uma batalha campal ou persistirá no tempo de uma guerra no espaço entre dois planetas ou, ainda,a viagem manter-se-á no adequado tempo de Liboririm. Não faremos paradas. A vida, o equilíbrio, o eu. Agora é a vez de percorrer as amplidões do pensamento, da ideia, as condições e o desencadeamento da lógica, do raciocínio. Duoef...
Meus olhos se fecharam. A mente se abriu. Recebi no meu cérebro a visita do epsanct. Não o imaginava, não o enxergava. Ele, Seitnidewx, tornara-se o estado da minha mente. De repente concebi a ideia real de que eu estava a pensar liboririntaticamente.
O movimento da pedra vermelha não aconteceu. Ocorreu sim uma circulação de ares, uma evolução de ideias. Estática a pedra fluía energias. Encostei a cabeça na placa de vidro. Sucedeu-se a minha posição no espaço em função do liboririntático tempo que me causava sensações, excitações, intuições, reflexões.
Pelo vidro pressenti uma estrada. O céu encoberto. Meditei. A imagem de um viaduto nasceu em minha mente. Os últimos pensamentos de Seitnidewx criavam relações íntimas com os meus primeiros pensamentos. Experimentei o fato de estar essa estrada em um subida e toquei as nuvens. Do alto avistei as águas dos rios Ojand e Graepia. Pássaros voavam sob os meus pés. Considerei em seguida que a descida se iniciara. Foi assim mesmo. Percorrer mentalmente toda a extensão da descida me conduziu a um túnel. Sem permeios achei que o túnel era a via de comunicação entre o epsanct e eu.
- O túnel ficará para trás uma vez que as casas de brinquedo estão na distância que pode ser vencida com a vista ou com os toques. Estou no interior de uma destas casas de brinquedo e as cortinas da casa balançam, esvoejam oferecendo-me janelas. As janelas tocam violinos. A música é o vento me transportando aos trilhos ferroviários. As nuvens se distanciam dos meus pés. Os pés estão sobre os caminhos-de-ferro. Uma liboririntáquea de cabelos de fogo vem ao meu encontro. Excita-me. Sua pele é macia. Seu semblante glorifica o esplendor da sexualidade. Neste instante sou eu a ir ao encontro da fúria. Apodero-me dos gritos do prazer. Bem-aventurado Eudaips! Colho frutos da noite que chega das correntezas dos rios Ojand e Graepia. Estrelas molhadas se grudam no meu corpo. E eu me nomeio Duoef.
Não sonhei nem disse estas palavras a ninguém. Muito menos dormi. Eu estava pensando. Depreendia porque a minha mente desejava chegar ao conhecimento de algo que pudesse me sondar, me investigar, me tatear.
- A viagem proposta e oferecida pelo epcsant vai de vento em popa. Inesperado um navio... Sim, aquela embarcação de grande tonelagem só pode ser um navio. O mar devora a estrada e a ferrovia. A pedra sai do sertão liboririntático, muda de forma sem deixar de lado o vermelho. Transfigura-se em navio, a embarcação que navega no mar de Liboririm. Não! Não pode a vida ser desta maneira porque em Liboririm não existe oceano, mar. Caralho! É só um pensamento! Qual mal fará a Nesemix um navio navegar no mar que só existe no pensamento de um terráqueo abduzido? -pensei.
- ...Vossos olhos estão abertos. Vossa mente já vos supõe provável, verossímil. A viagem acabou. Como vos havia dito viajamos daqui para aqui mesmo. Duoef...
A pedra de tonalidade vermelha, extremamente rústica, continuava no mesmo lugar. A placa de vidro desaparecera. Seitnidewx, o epcsant, submergira como o navio naquele mar de pensamentos. A estrada, o viaduto e o túnel se converteram em lembranças, memórias escritas no caderno de viagens.
- ...Só existe um momento no pensamento. Depois nada se modifica em passado. Penso que muitos pensamentos estão a chegar a Nesemix. Duoef... -repercutiu o pensamento do epcsant na minha mente.
Afastei-me da pedra. Passei pelas pilastras. Pensei que eu não mais perseguiria o ir-se embora. Desejei retornar a Nesemix no exato overebut em que eu pensasse intenso em Nesemix.

