Ovaon Gemrayd, o sterni oaante, pegou-me no colo como se o meu corpo fosse o corpo e tivesse o peso de quem acabou de nascer.
- Leve duoef, vós chegastes ao 110º drunh de vida liboririntática.
O olhar de Ovaon Gemrayd buscava as águas que ele pressentia estarem acima das nuvens. Os olhos do liboririntáqueo se remexiam com tamanho desembaraço que eu desconfiei que as águas desceriam e se juntariam em um só lugar e formariam, desenvolveriam a nascente do rio Ojand.
No colo do sterni oaante eu me sentia conectado aos seus pensamentos. Vinham-me lembranças da minha mãe, da cidade onde nasci. O semblante de Ovaon Gemrayd era amarronzado, tranquilo. Minha mãe sorria. Dizia-me contínua que eu estava no seu colo, que eu vivia o 110º dia de vida terrena. Nesse ponto a voz da minha mãe se refletiu sintonizada na voz de Ovaon Gemrayd.
- Duoef, o vosso equilíbrio está perfeito. Viva o vosso 110º drunh! Chegou o momento de brotarem em vosso equilíbrio as sementes do fazer. Que vós permitais que eu fique ao vosso lado! Diga-me duoef quem vós sois!
O silêncio se manifestou nos luzeiros longínquos da minha solidão, mostrou-se naquele que eu ainda haveria de ser. Os olhares atraentes e vivificantes de Ovaon Gemrayd se instalaram nos olhos interioranos da minha mãe em condição de estado de recordação. Num repentino instante liboririntático tornado maior também me ocorreu a lembrança nítida de uma klyweb e de um hooohogdoh.
Aos poucos o sterni oaante retirou-me do seu colo e me colocou de pé. A cada movimento que eu fazia Ovaon Gemrayd penetrava nas minhas lembranças.
- Duoef, o hooohogdoh se chama Ptaqedo. Pertence o animal ao klyweb, que por sua vez se chama Nal Draxepen. Vamos duoef me diga quem vós sois!
Inteiramente de pé me adentrei no drunh e na tarde do Planalto dos Metais. Respondi ao meu interlocutor:
- Não consigo dizer-te quem sou!
- Duoef, Eudaips disse: "Que o drunh se faça por todo o Liboririm! Que a noite não seja a treva! Que a noite presida somente o Planalto dos Metais! Que as estrelas habitem na noite!". Ande duoef me diga quem vós sois!
- Tento me introduzir nos luzeiros. Descobrir quem sou.
- Duoef, estou aqui justamente para ajudá-lo a descobrir quem sois. O duoef já possui a vida, o equilíbrio. Necessário agora que o abduzido descubra o vosso eu.
Uma muralha surgiu enevoada. A voz da minha mãe na voz de Ovaon Gemrayd solicitou à muralha que ela se transformasse num talude íngreme. Quando o barranco se tornou mais real do que a muralha senti que as lembranças maternas que visitavam a minha mente foram embora. Somente se estabeleceu a presença real e única do sterni oaante.
Apoiei-me a procurar proteção no despenhadeiro. Ele pulsava. Transmitia uma energia duradoura, transformadora, descobridora. Fui tragado pelo precipício. No seu interior me calculei, percebi-me efêmero mas capaz de produzir e percorrer caminhos. Mostrei-me nu a mim mesmo. Por todo o barranco se formaram tacicrizs de todos os tamanhos, cores, de todas as névoas. Lançaram em minha direção palavras liboririntáticas imperativas: Tnetay! Mexzadm! Flucts! Xactnaz! Lowtayt! Palavras que motivaram a minha consciência. Proferidas se transformaram em récita. E a récita se converteu em música, que por sua vez alcançou o silêncio. Palavra, récita, música e silêncio perduraram no lugar onde tudo o que eu sentia e tinha causava-me expectativas, perspectivas.
O que realmente sou era o que eu queria ser porque ao renascer a mortalidade liboririntática chegou em mim. No largo espacial onde talvez eu imaginasse que estivesse a claridade da tarde se intensificou. O meu corpo se clarificou. Ao ser tocado pelo máximo clarear recebi do sterni oaante satisfações, insatisfações, inspirações. Eu intuitivo percebi que Ovaon Gemrayd havia finalizado a sua missão comigo. Antes da nossa despedida esperei o tempo liboririntático me ensinar a ação do despedir-se. Fui chamado pela poesia dos versos alegres e tristes. Os raios solares rodopiaram sobre os nossos adeuses. Os sóis dançando se encontraram com o silêncio, música, récita, palavra.
- Adeus. Sou Rúbio Talma Pertinax, o abduzido renascido. Sinto-me mais próximo do que nunca de mim. Tenho saudades do planeta Terra. Não gostaria de ir embora de Liboririm. Sei que breve regressarei à Terra. Sei que ainda preciso permanecer em Liboririm... Ovaon Gemrayd, onde você está?
Em parte nenhuma vozes. Nenhum rumor de metal ou de porta se fechando. Eu unicamente. Apenas eu a estar naquele lugar inexplicável, misterioso, intrigante, hermético.
Sentimentos cresciam em mim. A condição humana guardava-os no meu cérebro. Os sentimentos armazenados procuravam os pensamentos. Movia-se o não encontrar. Não que a minha mente estivesse vazia. Preciso dizer que a minha mente estava nua.
A tarde se fez noite, estrelas. Veloz a noite ultrapassou o tempo na duração dessa travessia.
Então de longe chegou uma voz. Perto ficaram os barulhos dos metais. Da porta que se abriu insinuou-se à minha mente um liboririntáqueo cujo nome era Seitnidewx.
- Duoef...
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| SEITNIDEWX, O EPSANCT |
A tarde se fez noite, estrelas. Veloz a noite ultrapassou o tempo na duração dessa travessia.
Então de longe chegou uma voz. Perto ficaram os barulhos dos metais. Da porta que se abriu insinuou-se à minha mente um liboririntáqueo cujo nome era Seitnidewx.
- Duoef...
