- Desperto duoef, eu estava a me sentir no esplendor de uma noite quando a necessidade de me afastar de Nesemix se movimentou com desassombro dentro de mim. Dei início a uma peregrinação, a uma excursão por lugares distantes. Devotada a Eudaips atravessei a cidade de Nesemix. Um longo trajeto até o nocrith de Tolam, último rincão nesemixiano. Lá chegando não demorei a ouvir sons graves e agudos. Esses ruídos se originavam das nuvens. Ouvir esses sons não se consistia para mim uma surpresa. Mas fiquei admirada porque eu constatava que os sons dos martelos nuveados existiam de verdade e não eram lenda. Duoef, eu fui uma jovem liboririntática amante, e ainda sou, dos isolamentos. Assim que os sons dos martelos se silenciaram imaginei serem as nuvens feitas de metal. Elas não são de metais duoef! Nem os martelos são imaginários ou feitos de nuvens. Tolam se cobriu então com uma escuridão fervorosa. Os sóis desapareceram. O calor se ampliou a contento do mesmo assim. Devido à escuridão fiquei presa em Tolam sem poder prosseguir a minha viagem.
A cada seguir avante das palavras proferidas pela tollyb eu tinha a sensação de que Liboririm era um planeta descontínuo, que as coisas que me aconteciam eram e faziam parte de coisas já acontecidas comigo. Era como se um drunh ao se findar não se findasse, e sim ficasse à espera de um futuro que lhe desse a continuidade. Passei a acreditar que era essa continuidade, essa ligação na verdade não interrompida que me faria regressar ao planeta Terra. Ouvir Tíade Necrisda também pouco a pouco e de modo sutil fazia o meu corpo se afastar da liboririntática casa da Rua Hesb.
- Sunshine duoef, esperei o tempo passar. Pensei que talvez não fosse escuridão a metáfora da Hetrotadem. Agarrei-me às paredes de Tolam e às justiças divinas. Desejei que os sóis ressurgissem, o calor se abrandasse. Por mais concentrada que eu estivesse naqueles momentos almejei me refrescar com terves. A escuridão não me causava medo nem culpa. Por mais inabitável que ela fosse pensei que talvez a escuridão fosse uma metáfora do perdão. Se ela possuísse esta significação metafórica eu mereceria tanto amor para receber tal perdão? Minhas mãos, duoef, libertaram-se das paredes de Tolam, das indeterminabilidades do driolssnevhax. Os sóis despontaram quando as algemas escurecidas se quebraram. A temperatura climática se normalizou. Os sóis se irmanaram outra vez ao Planalto dos Metais. A escuridão se clareou como o drunh se clareia. Avistei uma terveler. Fui a ela para saborear os terves.
Não me habitavam dúvidas. Eu estava mesmo fora e distante da Rua Hesb, de Nesemix e de Tolam. Alcançado pelas palavras da tollyb deixei-me ser apanhado por elas. Tíade Necrisda não se perdia da afabilidade. Fiquei um longo tempo ao seu lado presenciando suas histórias fantásticas. No céu liboririntático os sóis transmitiam alegria à minha sensibilidade. Eu estava convencido de que a tollyb cumpria com perfeição a missão a que se destinara. Tanto preenchia com louvor as suas incumbências espirituais quanto executava com elogios suas funções para comigo.
- Persuadido duoef, os tervers estavam deliciosos. Tolam se movimentava sob as claridades solares. O drunh corria solto às maravilhas dos nove sentidos. Eu deveria, portanto, jovem como disse ao duoef que eu era prosseguir na minha jornada por distantes lugares, cidades. E não aconteceu de modo diferente. Que se estabeleça nitidez ao duoef! Ao me afastar de Nesemix eu não pretendia nunca mais voltar a Nesemix. De tal maneira e com tal força desejei a volta a Nesemix que nós, eu e o duoef, nos conhecemos konhme em Nesemix, Rua Hesb, na vossa liboririntática casa. Tornei real e realizada a missão a mim destinada por Eudaips. Por vários drunhs e konasts viajei. Peregrinei pelas três esferas de Liboririm. Esquadrinhei o Planalto dos Metais. Encontrei-me com as novidades e com as esperanças. Apaixonei-me e fui amada. Prendi-me e me libertei. Fui e regressei!
A história de Tíade Necrisda se infiltrou em minha mente. O drunh mergulhou no profundo azul do céu liboririntático. Nesse instante a tollyb não se encontrava mais em minha companhia.
Meu corpo se abaixou porque as mãos pegaram, recolheram a flor de um xyddrar localizado acima das solas dos pés. Ainda ao ver a flor sem pétalas me senti dentro da viva história de Tíade Necrisda.
Cheguei a um local desconhecido. Não era cidade. A vida liboririntática me comunicava que eu vivia em drunhs além da metade do tempo da permanência do meu ser em Liboririm. O dosugno se cravou na evolução. Um suave encontro que forneceu forças à minha respiração, coragem, fé. A energia da vida de Liboririm se expandia pelo ar. Peguei a flor despetalada.
Apenas os sentimentos nesse momento eram o que eu possuía, o que eu era. Por causa da existência dos sentimentos fui almejado pelo sentido da vida.
O xyddrar de onde colhi a flor não ficava em cidade nem ficava em deserto. Pertencia a um lugar sem lugar provido de luz natural. Tentei me movimentar, caminhar. Sem equilíbrio meus joelhos se dobraram. Desenhou-se uma posição corporal insólita, estranha. Quem poderia ser eu?
Fui envolvido por uma onda de calor. A partir daí não consegui me equilibrar, pensar, tatear, cheirar, degustar, ouvir, ver.
A flor sem pétalas era agora uma flor de uma pétala. Os sentimentos me mantinham vivo. Eles não me perturbavam. Não me causavam medo.
Estático naquele local sem local a vida se expressou aos meus sentimentos. Moveu-se então a minha individualidade metafísica.
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| LEFVY, O LEFVYET |
- Duoef, sou Lefvy, o lefvyet.

