107º DRUNH, INSEGOGU / A FESTA

- Apurado duoef, os convites para a vossa festa desta noite já foram distribuídos. A vossa casa ficará repleta de liboririntáqueos. -falou-me Handyo Pollewo.
O prasyennu acordou muito cedo. Talvez nem ao sono se entregasse. Em várias partes da casa notavam-se mudanças. A organização imperava nos atos do liboririntáqueo ainda tão jovem.
O insegogu amanhecera maravilhoso. Os sóis fixos no azul celeste se assemelhavam a fogueiras abençoadas dispostas à luz do fogo novo. Acordei a me sentir visto pelos liboririntáqueos como se fosse a primeira vez que me apresentaria a eles.
Segundo Handyo Pollewo viriam liboririntáqueos que eu já conhecia. Também chegariam de cidades próximas e distantes liboririntáqueos que eu não conhecia, mas que não me causariam dificuldades em travar com eles uma boa conversação.
A liboririntática casa da Rua Hesb se apressava em sem modificar. Paredes mudaram de cor. Poltronas novas se somaram às antigas cadeiras. Móveis foram afastados. Espaços aumentados. Utensílios se multiplicaram na cozinha. O prasyennu não parava quieto. Por mais de nove mil vezes passou ao meu lado. Numa dessas vezes me disse:
- Extrovertido duoef, vosso cabelo está curto. Confio que ele crescerá admirável antes que surja a primeira estrela no céu de Nesemix e que o primeiro convidado se adentre a esta casa.
Qual penteado usaria? De qual maneira arranjaria os cabelos? Não me preocupava muito com penteados.
A casa que me abrigava na Rua Hesb exalava aromas que me transmitiam ser ela uma possível rocha eterna. O tempo liboririntáqueo era assim também. Minhas emoções buscavam a noite. A tarde em Nesemix transcorria sem alterações externas. Somente no interior da casa as mudanças aconteciam sem, contudo, criar alterações profundas.
O prasyennu não deixava as atenções escaparem. Retinha-as todas. Nenhuma das modificações feitas por ele se afastaram da essencialidade.
Eu aparentemente largado ao longe ouvia um som semelhante ao som de uma furadeira pulverizando paredes próximas. Ou seria a pulverização do chão de Nesemix? Além disso, haviam emissões de vozes liboririntáticas infantis procedentes de... Alguma escola?
Logo depois do otyem-drunh, Handyo Pollewo com seriedade em seu semblante juvenil me afirmou que eu era bem conhecido pelos habitantes de Nesemix. Ao escutar tal afirmativa achei que o prasyennu só queria me fazer feliz.
Antes um pouco do otyem-drunh falei ao prasyennu que eu me sentia alegre e em paz por estar em Liboririm. Ele riu bastante. O seu riso me contagiou. Cai na gargalhada.
Quase no fim da tarde orei pelos silêncios. Roguei a Eudaips que trouxesse à minha liboririntática casa liboririntáqueos das luzes novas, que concedesse à festa prestes a acontecer uma benção do fogo.
Os raios solares entraram indissolutos e intensos no interior da casa. Do local em que se encontrava Handyo Pollewo correu em minha direção. A luminosidade do por dos sóis detalhou a semelhança dos meus pensamentos com as originalidades produzidas pelo prasyennu. A decoração estava perfeita. Estabelecia relações estéticas e funcionais com o ambiente que se destinava à festa da noite tão próxima do existir.
- Celebrável duoef, a tarde se esvaece. Os sóis aprovaram as ornamentações, as combinações diversas dos elementos que encontrei em vossa casa. Tudo está de acordo com o motivo ao qual o espaço se consagra.
Poderia uma música ter começado a festa. Poderia uma música ter se iniciado apertando-se um botão, uma tecla pressionada pelos dedos do executante. Nada de música. A festa começou com silêncio e o crescimento súbito dos meus cabelos.
A noite chegou bonita como todo o sempre liboririntático. Imediato, troquei de roupa. Handyo Pollewo fez o mesmo.
Num piscar de olhos de todos os rumos vinham os liboririntáqueos convidados. Não saberia determinar o momento exato em que a música e a dança preencheram de vez a minha liboririntática casa. A música se fez presente. A dança quem sabe nasceu sob as estrelas. Eu cumprimentava e era saudado, cortejado. Aos liboririntáqueos conhecidos me dedicava aos abraços afetuosos, conversa mais demorada. Aos liboririntáqueos que travei conhecimento naquela noite festiva fui assaz interlocutor. Recebi dos novos conhecidos carinhos. A eles dei atenção e palavras. Em especial a uma liboririntáquea que ao me ver tão próximo, tão íntimo de Liboririm me declarou:
TIADE NECRISDA, A TOLLYB
- Louvado duoef, sou Tiade Necrisda, a tollyb. Admiro os vossos olhares. Pensei até em me estabelecer no silêncio para observá-los durante todo o tempo de um drunh. A vossa festa está sensacional. Tudo se encaixa perfeitamente. Por dois konasts o duoef vive em Liboririm e só agora, nesta noite, nos encontramos. Tenho certeza que o duoef nunca ouviu falar de mim. Do duoef já ouvi histórias. Acreditais em mim?
Respondi-a com sorrisos certos. Tiade Necrisda era uma liboririntáquea sintonizada com os meus sentimentos. Enquanto os meus sorrisos se difundiam entre os liboririntáqueos presentes naquela festa meus pensamentos se entregaram à tollyb. Ela me transmitia calor.
As bebidas foram servidas. Comidas à vontade. Handyo Pollewo se entregava aos seus contínuos afazeres de prasyennu. Misturei-me às diversões, danças, discursos. Emocionado com o afeto dos liboririntáqueos arrisquei em proferir algumas palavras humanas entremeadas de palavras liboririntáticas. Minha vontade era a de agradecer Liboririm. Assim o fiz.
E assim o tempo da festa foi passando até que o silêncio tomou conta da casa da Rua Hesb. A festa pelos meus dois konasts em Liboririm terminara.
O impagável Handyo Pollewo em breves movimentos fez com que a casa retornasse a ser como era. Quando todos os convidados aparentemente deixaram de rodeá-lo o prasyennu se despediu de mim sem muito falar.
Os sóis logo regressariam. Sem sono deixei-me percorrer pelos limpos cômodos da casa. Num desses cômodos uma sombra se projetou na parede.
- Poetizado duoef, sou Tiade Necrisda, a tollyb. Admiro os vossos olhares. Recordais de mim? Ou me esquecestes por vós me lembrardes de menos quando até agora a pouco demais eram as longas estradas sem distâncias nenhumas?