106º DRUNH, TURAYDO / AS DECISÕES

Desliguei os aparelhos elétricos caseiros. A energia elétrica em Liboririm vem,  em segundo lugar, das usinas hidrelétricas existentes nos percursos do Rio Ojand e do Rio Graepia. Em primeiro lugar vem da fonte solar. Usinas solares espalhadas pelas Esferas liboririntáticas armazenam energia e fornecem eletricidade.
A minha liboririntática casa se manteve em silêncio enquanto eu decidia se a porta de saída continuaria fechada. Por muito tempo eu estava dentro da casa. Era esse permanecer só o meu descanso. Nessa pachorra esperei a reorganização do meu destino. A ele, o destino, não enviava julgamentos precipitados. As minhas nuvens interiores não se mostravam obscuras. Elas eram brancas, descarregadas de malevolências.
Eu tentava iluminar a decisão que deveria tomar. Se eu continuasse isolado do convívio social ou mesmo distante das ruas aventureiras de Nesemix interromperia o processo de regressar ao planeta Terra? E se eu quebrasse o isolamento? Se eu fosse explorar e percorrer locais em Nesemix para aprofundar os meus conhecimentos das dinâmicas liboririntáticas estaria acelerando a volta ao planeta Terra?
Mantive-me dentro do silêncio da casa da Rua Hesb. Sustentei-me na desaceleração do ritmo. Crítico e prudente o meu juízo já me informara da decisão que o abduzido, o desviado, o afastado, o sabe-se lá por quanto tempo separado da Terra tomaria quando chegasse o  momento oportuno. Assim com os aparelhos elétricos caseiros desligados continuei a existir. E por toda a manhã daquele turaydo não falei uma só palavra, não me movimentei nem pelo hábito do pecado, não chamei por ninguém tampouco fui chamado por alguém.
Revelo: desde que há dois konasts cheguei ao planeta Liboririm o vício de comer e beber em excesso foi submetido ao controle. Mas no ápice final daquela manhã de decisões fui à cozinha como se alguém estivesse a me dar conselho, pareceres, sugestões, propostas. Fiquei surpreso ao avistar inesperadamente na cozinha vários alimentos semiprontos, refeições pré-cozidas, bebidas numerosas. Ainda atônito e espantado não pude no sentido figurado do verbo vasculhar remexer, revistar, pesquisar aqueles mantimentos, bebidas e comidas porque a champnax da casa soou a toda altura.
O silêncio se quebrou. Corri até a porta e a abri. Um drapli entrou na sala batendo as asas com entusiasmo. Os pios alegres do pássaro ultrapassaram os meus murmúrios. Depois do desempenho preambular do drapli adentrou-se à sala um liboririntáqueo de pouca idade. O jovem não perdeu a grande disposição que o trouxe à casa da Rua Hesb. Crente na sua incumbência finalizou a manhã dizendo-me:
HANDYO POLLEWO, O PRASYENNU
- Nada hesitante duoef, vós sois um abduzido de muita sorte. Sou Handyo Pollewo, o prasyennu. Liboririm oferece ao duoef uma festa a ser realizada em vossa liboririntática casa. Vim das lonjuras viajando no espaço e no tempo com o objetivo de planejar, montar e organizar a pompa e a magnificência da festa. Tudo de acordo com a etiqueta, conjunto de regras que o duoef desejar decidir como será. Percebo que a casa do duoef é grande e possui um belo, maravilhoso xyddrar. Aposto que o xyddrajar Egung Iorr é quem cuida do vosso xyddrar, não é mesmo duoef?
- Sim! -confirmei ao prasyennu adquirindo a certeza de que teria de ter um motivo para acontecer uma festa. Ainda mais uma festa em minha liboririntática casa.
- Nada antiquado duoef, vós sois um abduzido de muita sorte. A festa acontecerá na noite do insegogu, o próximo drunh. Vários serão os convidados. Que vós não vos preocupeis com nada. Nem mesmo em religar os aparelhos elétricos caseiros. Deixe tudo por minha conta. O duoef continuará sim a existir. Informo ao duoef que o motivo dessa festa é a celebração do tempo. Músicas e danças para comemorar os dois konasts que Rúbio Talma Pertinax, o duoef, chegou ao planeta Liboririm.