105º DRUNH, MINODGU / POR QUE PROCURAR AS SEQUÊNCIAS?

A tempestade calara. Os tempos transcorriam. Meu corpo pedira descanso. Estava enfastiado e enfastioso. Por que procurar as sequências? Deixei-me ficar partido. Eu não me encontrava em desequilíbrio. Permiti-me despencar sobre a cama. A noite não me guarnecia de movimentos corporais. Peguei no sono. Quem sabe dormi a pensar no planeta Terra, uma esfera azul chamada de mundo. Poderia, no entanto, ter dormido a pensar no planeta Liboririm, um mundo externo que em muitas vezes se revelava um mundo interno e de fora para dentro, de dentro para fora adoçava a minha velhice. Adormeci me sentindo um velho solitário viajante do espaço. Um aventureiro existencial cercado por discos voadores e flores que gostavam de falar, por cidades arrancadas da imaginação dum futuro solto no vento da realidade. E foi dormindo profundo para acordar intensamente que a cada drunh atingia com mais claridade o juízo daquilo que existia de efetivo em Liboririm.
Tempos depois acordei. Vi pela janela que minodgu, o novo drunh, ainda se entregava às estrelas. Os sóis e os caminhos ainda demorariam um pouco para se encontrar uns com os outros. Levantei-me. Fui ao habateni. Retornei à cama. Novamente experimentei o dormir.
Tempos depois mexi os pés. Acordei outra vez. Dessa vez foram os sóis que me fizeram levantar, apropriar-me dos movimentos do meu corpo descansado.
Imprevisto, pensei em música. Uma composição musical chegou à minha audição. Rodearam-me com a música os alimentos e as flores do xyddrar. Por que procurar as sequências? Desatei a rir. Decidi não procurar sequências nem ir atrás de coisa alguma.
- Amenos e suaves deveriam ser os próximos tempos ampliados pelas buscas estagnadas. -pensei.
Deleitando-me com aquela melodia por algum motivo inexplicável, explicável, liboririntático e ao mesmo tempo veementemente humano me lembrei do poeta brasileiro Manoel Bandeira nos remanescentes foroacs daquele drunh de rara beleza.
Nada de sequências. A cama. Nada de procuras. O chão. Nas cinzas dos tempos escolheria a cama ou o chão? Em decúbito ventral me posicionei. Escolheria na libertinagem o chão ou a cama? Em decúbito dorsal me posicionei. Quais seriam as meditações convenientes para agradar minodgu, o drunh de rara beleza matinal? Será que o poder das bênçãos de Eudaips, as proteções dos Anjos das Pressagias e o guardar cuidadoso do Conselho Esclabrim me dariam coragem e fidelidade às minhas poéticas e de uma vez por todas me poriam no caminho visível do meu regresso a Terra?
Todas as indagações se deitaram comigo. E deitado desejei só me levantar depois que eu completasse 63 konasts de vida. Estendido horizontalmente quis conhecer uma liimbolix kauqly de tacicriz perfeita.
A porta do quarto se abriu a respingar ainda o silêncio úmido da tempestade que se calara.
LIARIL MAIRVE, A LIIMBOLIX KAUQLY
- Descuidoso duoef, continuai vós deitado! Quisestes a minha presença. Sou Liaril Mairve, a liimbolix kauqly. Reparai que a minha tacicriz não é tão perfeita assim...
Olhei a liimbolix kauqly. Ela não era bonita ao extremo. Na verdade era não era nada bonita. Os konasts tiram do corpo a beleza. Talvez o mesmo aconteça com os sentimentos dos terráqueos. Para os meus pensamentos naqueles momentos de ócios seria fácil usar a imaginação e embelezar a tacicriz de Liaril Mairve.
- Vagaroso duoef, continuai vós deitado! Caso consigais embelezar a minha tacicriz encontrarei logo outro duoef que esteja longe ainda dos 63 konasts de vida. Vós, duoef Rúbio Talma Pertinax, sentiríeis raiva e ciúmes. Cometeríeis escândalos. Surraríeis inutilmente os tempos. Atirareis flores no fundo do nada. Quebraríeis todos os espelhos. Mudaríeis de Nesemix. Viveríeis de cidade em cidade. Coisa nenhuma adiantará se o duoef me aformosear porque o tempo liboririntático achará e trará o duoef Rúbio Talma Pertinax novamente à Rua Hesb. Vós seríeis reencontrado por Eudaips, pelos Anjos das Pressagias e pelo Conselho Esclabrim que privariam o duoef dos sentidos e da inteligência. Assim como o duoef se encontra neste momento: ora em decúbito ventral, ora em decúbito dorsal. Às vezes na cama. Muitas vezes no chão.
Meus dedos da mão direita, lentos, agarraram-se aos sais do chão como se uma tacicriz umedecesse o meu corpo dando-me forças e tesuras. Abracei Liaril Mairve. Quanto mais o abraço se intensificava mais a liimbolix kauqly sumia. Ao perdê-la de vez me ergui do chão diante dos sóis. Abri todas as janelas da liboririntática casa.
Por que procurar as sequências? Eu, Rúbio Talma Pertinax, o abduzido, o duoef, não sou o juízo, porém eu existia efetivamente em Liboririm.
A música daquela manhã persistiu na audição. Cingiram-me os alimentos e as flores do xyddrar.