Continuava tendo amor pela vida. Pelo amor à vida liboririntática fiz coisas incríveis. Acreditava que Eudaips me dera tal direito.
Kacbayajhek não possuía as características de Marbficm, a cidade dos amores, embora o amor estivesse presente nos contornos inteiros da cidade construída.
A festa do meu oevisain terminara. Byton Oyser resistira à viagem até Kacbayajhek, onde chegamos nos sentindo geradores de amizade e provedores de vida. O tempo, e eu esperava que isto acontecesse, presenteou Byton Oyser com mais tempo de vida.
Em Kacbayajhek, por mais gigante que fosse a cidade, não tínhamos vontade de ir a local nenhum e nem tínhamos para onde ir. Origem, a nova casa, não existia mais. Decidimos após muitos silêncios caminhar pela cidade sem nos preocuparmos com o rumo a ser tomado. Destinos sem destinos. Assim fizemos.
Pouco e nada nos falávamos. Compreendi que o kil sli tehms vrain se alimentava de silêncios. Ele conseguia não em todos os momentos se comunicar mentalmente comigo. Enchia-me de adjetivos elogiosos.
- Duoef, sua retidão de caráter é espetacular!
Achava os elogios exagerados. Sentia que Byton Oyser me conhecia mais do que eu a mim mesmo. Seus silêncios me transmitiam reconhecimentos.
Em um determinado momento da nossa andança sem futuro por Kacbayajhek pensei em dizer a Byton Oyser que eu estava tendo sentimentos instintivos do que iria acontecer. Eram pressentimentos sobre Kacbayajhek. Meu palpite era o de que Kacbayajhek deixaria de existir, sairia da vida.
Byton Oyser virou o rosto ao céu dos sóis e sorriu. Seu sorriso me dizia que eu estava certo nas minhas suposições e que a eternidade morava nos sóis.
Os movimentos urbanos, barulhos e os habitantes de Kacbayajhek em nada nos atrapalhavam no nosso andar ao acaso. Movíamos resolutos entre os sentidos e as esperanças.
O drunh sem perturbações atmosféricas até aquele momento nos favorecia. Olhei para Byton Oyser por um espichado overebut. Não posso afirmar que o conhecera em outro drunh que não fosse justamente o dosugno embora confiasse que eu não afastara de Byton Oyser um drunh sequer desde que eu o vira na festa do meu oevisain. Comemoração esta que a cada passo daquela nossa caminhada sem destino ia se apagando da minha memória.
Foi nesta circunstância dos nossos pensamentos que climaticamente o dosugno se alterou. Expostos aos sóis não apresentávamos desidratação. Inesperada uma chuva desabou sobre Kacbayajhek. Continuamos a caminhar. Nada nos abalava. Nem as correntes de águas sujas que brotavam dos esgotos nos fizeram mudar de propósito. Marchávamos inabaláveis e pelo menos eu não tinha noção para onde estávamos indo ou se era um fato real aquela marcha inquebrável.
Chegamos a uma rua mais estreita. Na esquina ao nosso encontro veio um animal de grande porte, um quadrúpede forte, carniceiro e liboririntático. O kil sli tehms vrain ergueu as mãos. Apontou-as para o animal e se exprimiu:
- Duoef, este animal me pertence. É um dhierzy!
Byton Oyser sorriu sincero, franco, honesto. O dhierzy amarelado o olhou imponente. Dotado de força e agilidade o animal rugiu. O estridor provocado pelo dhierzy me causou uma sensação desagradável, imprecisa, um sentimento de repulsão. O silêncio se fez áspero. Mas outra vez Byton Oyser sorriu. Desta vez sorriu agarrado ao dhierzy.
O silêncio necessitava de água. Por isto a providencial chegada da chuva. Byton Oyser, tive suspeitas, necessitava partir de Kacbayajhek. Por isto a presença oportuna do dhierzy. Li nos olhos do dhierzy que ele pertencia à vida de Byton Oyser. O animal e o liboririntáqueo se entendiam muito bem. As qualidades do compreensível se encharcavam de desejos de viver.
- Duoef, o dhierzy é valente, corajoso. Habita nas últimas savanas da Esfera Escura. É para lá que ele me levará. Um drunh a mais ou nove drunhs a mais não me farão viver para sempre. Ao lado do dhierzy eu esperarei a Hetrotadem confiando no universo prometido de Eudaips. Sigais o vosso caminho! Gostei de ter ido ao vosso oevisain. Lembra-se do vosso oevisain, duoef? Também gostei de ter vindo a Kacbayajhek em vossa companhia. Drunhs virão nos quais a cidade que vós construístes desabará. Os pensamentos sobreviverão aos esquecimentos. Sobre a vossa alma, duoef, triunfarão o risco e a vitória da esperança.
Os sóis de Kacbayajhek retornaram. A chuva se entregou ao vento. O vento se deu às distâncias. E as distâncias gostavam em Liboririm de viajar para o mais perto de todos os tempos: o coração.
Meu coração, e se aproximava o momento, provocaria o desabamento de Kacbayajhek. Os pensamentos pensavam assim. Talvez, depois do fim da cidade construída, Origem, a nova casa, reaparecesse e eu continuasse a ser, a viver, a existir.
Se o prolongamento da vida liboririntática em mim acontecesse eu sentiria as infinitas saudades de Nesemix e da minha casa na rua Hesb.
