O oznilognyk e eu, quando o novo drunh apareceu, não nos mantínhamos mais às margens do rio Ojand. Se voássemos em direção aos sóis na velocidade da luz ultrapassaríamos os raios solares. Chegaríamos às estrelas. Foi o que liboririntaticamente fizemos. Durante a noite que se findara ouvi de Theechs Mahper que foi o próprio Eudaips quem planejou o cumprimento do meu oevisain. Exageros à parte do oznilognyk era evidente que tal planejamento nascera no Cerimonial do Setor de Imigração.
- Duoef, recomendo-vos que se tranquilize porque o mundo liboririntático externo não virá à comemoração do vosso oevisain. O festejo acontecerá no mundo liboririntático interno.
A princípio não entendi absolutamente nada sobre aquela conversa de mundos liboririntáticos externo e interno. Seja lá o que planejaram para o meu oevisain gostaria que jivecs e um favocaraf não se ausentassem da mesa.
A tranquilidade proposta pelo oznilognyk chegou ao meu íntimo. Das estrelas vieram os sóis. Dos sóis despontou o rio Ojand. E de um instante retirado do instante o Ojand deixou de se envolver com a visibilidade. Senti as mãos de Theechs Mahper me erguer e me colocar sobre a sua mesa. Voamos aos largos riscos azuis desenhados no infinito. Nas alturas percebi que a comemoração do meu oevisain se iniciara. Caminhei nos riscos azuis. Fui parar em uma cidade com aspectos terrestres. Ou aquela cidade era Kacbayajhek? Não gritei nem me silenciei. Usando a força da mente não deixei na ilusão do final dos riscos azuis que aquela cidade fosse exterminada, apagada diante dos meus olhares. Penetrei em calma reconfortante. A alma desejou se conhecer melhor. Sem sóis e sem estrelas a cidade não era fria. Passei à frente de várias casas. Assim que os meus pés se apoiaram no chão escolhi a casa onde iria entrar. O portão lateral se abriu. O vento me puxou para dentro da casa. Mesas e cadeiras estrategicamente posicionadas deram-me a impressão de que se encontravam prontas para a chegada dos convidados. No ar, aromas de sabores extraordinários preenchiam a espera. Aprofundei-me na casa escolhida. Quanto mais me adentrava mais os objetos e os cômodos me faziam lembrar da casa da minha irmã tão distante de Liboririm, tão próxima dos cósmicos riscos azuis que não sei como me levaram, e eu não estava demente, à cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, América do Sul, Terra.
Rápido o vento virou o meu corpo. Vi a minha irmã na cozinha. Ela preparava peixes fritos. Retirava-os do rio Ojand que voltara a se envolver com a visibilidade. Aproximei-me da minha irmã e a agradeci pela acolhida, pela festa, pelas comidas e bebidas. Disse-lhe comovido:
- Será a melhor festa de todos os meus oevisains!
Uma mão segurou em minha mão. Não havia mais silêncios. Os convidados me sorriam, abraçavam-me. Liboririntáqueos à vontade. Terráqueos à vontade. Jyvecs à vontade. O oznilognyk ressurgiu.
- Duoef, veja ao alto da mesa.
Theechs Mahper soltou a sua mão da minha mão. Apontou para o alto da mesa. Vi um móvel, uma espécie de armário transparente. O oznilognyk sorriu. Eu também não deixei de sorrir. Sobre o transparente "armário" a presença de um favocaraf.
- Duoef, feliz por ter enxergado o favocaraf? A festa é vossa!
Misturei-me aos convidados. A vida se passa no tempo. Em Liboririm não era diferente. Experimentava-me jovem. Meu corpo ficaria velho. O tempo liboririntático interno pulsava na minha mente. Estimulava o meu pensamento.
- Venham todos! Vamos cantar o parabéns! -falou aos convidados a minha irmã.
Notei que do corpo da minha irmã saíam partículas líquidas de gases cruzados com vapores.
Depois do canto do parabéns o favocaraf foi fatiado. Aos poucos os convidados foram se retirando. Deixei-me impressionar por um convidado liboririntáqueo de olhos francos. Pressenti que ele queria me dizer algo. Talvez a minha irmã mesmo sem o conhecer de modo íntimo poderia saber quem ele era. Fui atrás dela. Encontrei-a deitada no chão da cozinha. O rio Ojand voltara a se envolver com a invisibilidade. Apenas a metade do corpo da minha irmã, da cintura à cabeça, ainda não havia se transformado em vapores líquidos. Ainda capaz de falar ela me informou:
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| BYTON OYSEBI, O KIL SLI TEHMS VRAIN |
Foi a última vez que ela falou. Minha irmã se derramou por toda a cozinha.
O tempo passava rápido. Eu precisava do tempo para me encontrar com Byton Oysebi. Olhei para o "armário" transparente. O favocaraf tinha virado apenas uma única fatia.
Se eu voasse em direção a Kacbayajhek na velocidade da luz talvez conseguisse sair do tempo liboririntático interno. Apresentaria-me ao tempo liboririntático externo. E se por ventura o kil sli tehms vrain resistisse a esse voo ele poderia talvez ganhar mais tempo de vida.
Theechs Mahper bem antes da projeção liboririntática da minha irmã debilitar-se se entregou ao ir-se embora. Não o veria mais. Comi a última fatia do favocaraf e agarrei as mãos de Byton Oysebi. O caminho ventoso até Kacbayajhek se preparou diante dos nossos olhos. Os largos riscos azuis desenhados no infinito se esticaram e vieram nos tocar e nos buscar. Nesse tempo fomos impulsionados pelo vento, nosso ponto comum de contato.
