Perdido de riso o tempo estava. Nos domínios dos meus pensamentos os liboririntáqueos riam sem parar. Meus sentimentos buscavam o tempo. Eu ouvia as risadas sem ter certeza dos contentamentos, das satisfações. O tempo se espichava em seus motivos. Iam longe os risos. Enfim o silêncio pôs a solidão à vontade. Foi nesse momento que o dhierzy levou Byton Oyser embora. Senti que em Liboririm o passado obtinha dos acontecimentos presentes uma energia muito grande.
A cortina de névoa embaçava a vista. Tentava dificultar a minha compreensão em relação ao destino final de Kacbayajhek. Amanheci perambulando nos últimos instantes das ruas largas e estreitas da cidade. O calor não tinha compaixão pela riqueza e miséria de Kacbayajhek. A ausência de Byton Oyser se tornara longa e acentuada. Para a cidade construída meus sentimentos balançavam entre um passado perdurável e um futuro que prometia clarezas e sentidos. Amava Kacbayajhek sem saber nada sobre o amor. Meu coração buscava apaziguar os pensamentos.
Pela cabeça passavam ideias estranhas, mirabolantes, assoladoras. Abrangia o futuro com inteligência. Não era mais somente a percepção de que algo sinistro e funesto estava para acontecer com Kacbayajhek. Ao ato de perceber se juntou a quentura anormal do tempo. As claridades dos sóis se intensificaram. Cobriram a cidade de detalhes e nitidez. A cidade construída se mostrava vazia e aos poucos ia perdendo a visibilidade. O sumiço lento das suas vísceras alojadas nas cavidades urbanas adicionadas à fulgência aumentada dos sóis me ajudava a compreender que Eudaips me mandaria um sinal. E de maneira nenhuma esse sinal seria uma pedra intransponível.
Por mais que eu não admitisse o fim de Kacbayajhek não pude fechar os olhos diante das ausências que instantaneamente ocorriam na periferia e no centro da cidade. A cada overebut a intensidade do tráfego de liboririntáqueos diminuía. As ruas se mostravam vazias, ralas. O trânsito perdia com vagar o poder de produzir ruídos. Os prédios e as casas desapareciam sem deixar vestígios. Não aconteciam explosões, desabamentos. Os pensamentos se apoderavam dos sentimentos tornando firme a realidade dos fatos. A estranheza das ideias se multiplicava nas aflições. Eu imaginava ouvir choros, gritos desesperados. Eu imaginava ter visões de cabeças liboririntáticas decapitadas por milhares de dhierzys que empunhavam lâminas, machados gigantes. Eles tentavam alucinados me dominar. Ainda assim o silêncio era total. Espaçonaves vestidas de fogo variavam os graus de intensidade das cores do céu. Surpreendedor era que os dhierzys em voo não se desviavam das naves em incêndio. O espaço se convertera em altar de castigos e suplícios. No horizonte se propagavam fumaças avermelhadas. Mas quando os sentimentos pelejavam para sair do jugo dos pensamentos toda aquela cena de flagelo terrível me soava irreal.
E num instante assim de não saber nem sentir o que era verdade e ilusão foi que um céu de saudades começou a se formar em minha mente azul. A saudade se fez acompanhar por sons musicais. De imediato reconheci os sons harmoniosos como sendo os sons do jogo Melynt.
Não havia mais ninguém na cidade que nunca existira e foi chamada por mim de Kacbayajhek. Onde os meus pensamentos ergueram prédios uma densa obscuridade tomou conta.
Os pés não mais pisavam no chão que se perdeu nas raízes da tristeza e do silêncio. Ao meu redor o nada se rejuvenescia. Solto no espaço eu voava. Feito estar jogando o Melynt, razão e emoção, eu subia às alturas.
Aconteceu então no fim de um fim o reencontro com Origem. No tempo da memória avistei o caminho para a nova casa. Os sons do Melynt encheram meu coração de alegria. O voo se transformou em passos. Origem mudara de cor. Agora a nova casa era cercada por colinas. Percorri as descidas do caminho. Quase ao me adentrar em Origem uma voz liboririntática entrou nos meus ouvidos.
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| ONEEUL RECLYS, O CLENYSTXEY |
- Duoef, preparei-me tanto para a vossa vinda. O Conselho Esclabrim me escolheu para ser o vosso clenystxey. Sou Oneeul Reclys, um simples funcionário do Comando Apagogia que vos reconduzirá à Rua Hesb, em Nesemix. Por assim dizer, e que Eudaips esteja convosco, não temeis entrar em Origem, onde ficaremos o restante do setergu. Nova casa? Não é assim que o abduzido terráqueo se refere a Origem? Pois bem, não vos envergonhais do retorno. Adianto que o duoef não encontrará mais em Origem as awmnams. Elas foram embora como bem sabe. Mas teremos a companhia das orucruwas. Ah, duoef, em Origem a espera é um tempo diferente. A nova casa é a pele do tempo. O estar em Origem é sempre modificado, desigual. Antecipo que antes de chegarmos a Nesemix o duoef, e por que não haveria de sentir, terá recordações da snadinlay que vos beijou nove vezes. Como era mesmo o nome da imaginária jovem?

