Será que eu saberia o que falar e o que fazer?
Gostava de Origem, a nova casa, mas Kacbayajhek não gozava mais de existência real. As orucruwas voavam dentro da casa como se planejassem tomar posse das paredes e do restante dos objetos que permaneceram em cada cômodo.
Durante esses momentos fiquei dependente de Oneeul Reclys. Por necessidade e por fim coloquei-me por inteiro dentro de Origem. Em uma das minhas tentativas de me movimentar com ligeireza nos corredores da nova casa fiz a seguinte revelação ao clenystxey:
- Fora a imediata simpatia não havia motivo de prosseguir a conversa com Lesdla Mytwza, a jovem liboririntática imaginária que me beijou nove vezes. Entretanto não resisti aos seus encantos. Repeti palavras. Inventei letras. Prossegui conversando com a snadinlay até o momento do fim. Um fim também imaginário visto que o próprio clenystxey retirou do desterro Lesdla Mytwza e os nove beijos.
Oneeul Reclys riu. Origem estava diferente. Nem parecia a nova casa que conheci antes de me aventurar na construção de Kacbayajhek. Os interiores de Origem estavam reformados, transformados.
De maneira súbita Oneeul Reclys esticou os braços e me impediu de continuar caminhando. Parei. Num jogo de espelhos o clenystxey aproximou os seus olhos dos meus. Jurei a mim mesmo que eu ouvia uma música distante. Uma melodia que me remetia aos terrestres templos e templários medievais. Realidade ou ilusão o concreto foi que aquela música tirou o foco da lucidez. Os olhos de Oneeul Reclys viraram gemas de ovos. Distanciei-me da razão. Abria a minha boca com o intuito de morder os olhos gemados do clenystxey. Ao movimentar a minha língua meus dentes se soltaram da gengiva. Caíram no chão de Origem. E implacável a nova casa se perdera desse mesmo chão ou chão se afastara da sola dos meus pés. Os dentes nesse momento ficaram a flutuar. As paredes deixaram de ser paredes. As orucruwas intensificaram o silêncio. Veementes e rebeldes as aves noturnas não piavam. Passavam voando sobre os meus dentes flutuantes.
Eu sem todos os dentes e incapaz de conter a fuga da razão me agarrei ao corpo de Oneeul Reclys. Ele não parava de rir. A cada contrair de músculos da face do clenystxey eu enxergava o lado alvo da sua tacicriz.
- Desdentado duoef, não se solte do meu corpo. Deleite-se com os meus olhos ovalados. São os meus olhos o princípio, o estado incipiente da volta do duoef a Nesemix. Espantai duoef com a vossa falta de dentes. A vossa razão busca a vossa lucidez. Beba-me duoef. Beba o meu sentido próprio e figurado. Tenha os meus olhos em vossa boca como um copo transbordado de líquidas lembranças. O período da recordação está dentro do duoef. Vamos Rúbio Talma Pertinax veja ao vosso redor a chegada do ghersapse. O brinquedo voará em velocidade máxima em direção ao tshilafosnymit. Repita para mim o vosso endereço em Nesemix. Dê voz à vossa voz porque queria muito que o duoef estivesse aqui. Torne a dizer o vosso endereço!
- Rua Hesb, Tnaikcsts Xyddrars, Liboririm, Planalto dos Metais, Nesemix. -dizia, repetia e tornava a falar o meu endereço liboririntático.
Quanto mais reproduzia a direção, a indicação da minha morada em Nesemix mais a tacicriz do clenystxey se fazia alva. Da tacicriz irrompiam tentáculos de metal que recolhiam os meus dentes no extenso campo no qual fora cultivada Origem, a nova casa. Os tentáculos vinham à minha boca e recolocavam dente por dente na gengiva. Não sentia dor nem escorria sangue. A cada dente recolocado na cavidade bucal maior era o grau de intensidade do sabor do líquido que Oneeul Reclys despejava ininterrupto em minha língua.
- Rua Hesb, Tnaikcsts Xyddrars, Liboririm, Planalto dos Metais, Nesemix.
O ghersapse chegou ao tshilafosnymit. O tempo não se distanciou. Olhei à minha volta. O clenystxey estava próximo de mim. Sorria. Sua tacicriz se expandira em brancuras. Passei os dedos na minha boca. Tateei os dentes. Meus olhos se mexiam diante da paisagem em movimento do tshilafosnymit. Confiei que os meus pensamentos eram um velho diamante cheio de brilhos. Desejei beijar Lesdla Mytwza mais de nove vezes. Onamus, onde ela mora é um lugar muito longe de Nesemix. E era em Nesemix que eu morava e estava porque os movimentos do tshilafosnymit o levaram para a parte externa da minha chegada. Consignei estar realmente em Nesemix. O retorno se completou com sucesso. O fim de Origem e de Kacbayajhek não foram imaginários visto que o próprio clenystxey logo após o tshilafosnymit se posicionar em seu devido local me falou esgotado, seco, despojado:
- Balixt!
Novamente eu me encontrava em Nesemix. A Rua Hesb sentiu o meu cheiro e eu senti o seu aroma. Meus pensamentos se mostraram radiantes. Perguntei a mim mesmo quantas vezes avistei a minha liboririntática casa desde que cheguei a Liboririm.
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| GIENOB RESKEZ, O HOIPAK'HESB |
- Muitas vezes avistou a vossa liboririntática casa, duoef. Tais ocasiões ainda não se perderam de conta. Bem-vindo a Nesemix e à Rua Hesb mais uma vez. Denteado duoef, estávamos sentindo vossa falta. Sou Gienob Reskez, o hoipak'Hesb.
Respirei fundo. Era uma das coisas que eu mais sabia fazer. Principalmente à noite.

