Meu corpo me revelava disposto a acompanhar os pensamentos. A solidão de Origem me fazia bem. Desde que as awmnans saíram da nova casa era o silêncio a minha companhia. Origem me pertencia porque eu aprendera a me locomover nas suas sinuosidades. Ao mesmo tempo nunca a possuiria se a cidade não fosse por mim construída.
Levantei-me do assento invisível. Calado e surdo o tempo liboririntático ainda sorria. Uma orucruwa solitária e desgarrada bateu as asas. Senti-a perdida. A piar a ave voou para fora da nova casa. Compassivo acreditei que o voo da orucruwa era o sinal que Eudaips me enviara.
No momento derradeiro do silêncio pensei nos sóis de Liboririm. O tempo continuava a sorrir. Origem inesperada se clareou. Pensei na porta que me mostraria os reluzentes rastros da orucruwa no espaço. Rápida a porta que até então desconhecia se tornou visível. A claridade era tanta que compreendi que os meus pensamentos eram a arquitetura e a genpinemtaw que fariam o construir da cidade.
Corri feito louco para fora de Origem. Quando a porta que se abrira chegou ao fim pulei no abismo enorme imaginando ruas, pontes, túneis, viadutos, quadriláteros, parques, praças. Precipitei-me sobre o chão de uma rua pensada. Nem uma gota de sangue se derramou do meu corpo. A rua era pavimentada. Cheirava a metais em cozimento. Casas e liboririntáqueos surgiram multiplicados por cada passo que os pensamentos me ofertavam. Tudo se encaixava na ordem perfeita da nova ordem de Eudaips.
Eu ouvia os sons da cidade em construção com tamanha amplidão de nitidez que os passos foram desacelerando. Extraordinário era que eu não corria mais como louco nem como maratonista ou fugitivo. Passava calmo pelos liboririntáqueos que brotavam das esquinas. A sensação que me visitava era a sensação de que os liboririntáqueos me estimulavam. Diziam-me pensativos:
- Vá duoef! Siga em frente! Não desanime! Não perguntaremos mais ao duoef onde estará a nossa cidade.
O céu da nova cidade se preenchia de espaçonaves. Girei o corpo. Olhei a distante Origem. Enxerguei-a entre casas e edifícios altíssimos. O esplendor dos sóis me levava e me trazia. Vigiava-me e me guiava.
- Bendito seja Eudaips! -exclamei.
Pensei na sede, nos bys-hars. Eles se mostraram aos olhos crédulos. Meu coração era o meu diário. Nele escrevia sentimentos e pensamentos. Alcancei o cume de uma rua semelhante aos caminhos traçados pelo vento numa montanha. Deparei-me com serpentes coloridas que sabiam cantar.
Duoef, duoef sobre a cidade...
A alegria é imensa, eterna...
A alegria virá ao vosso encontro...
A tristeza não terá o vosso coração...
Sem atrasos nas obras, dentro do prazo entre o finito e o infinito, a cidade se concluiu. A metrópole estava construída! E de todos os sentidos e pontos cardeais se vislumbrava Origem. Ao render homenagens aos outros pontos do horizonte admirei os raios solares refletidos na nova casa.
Os pensamentos queriam que eu fosse à moradia de uma liboririntáquea que eu não via a muito tempo, mesmo sem nunca tê-la visto antes.
- Ah... Doces lembranças inexistentes que me tomam a mente na cidade construída. -pensei.
Senti o gosto da coragem de viver sem ser substituído. Não duvidei dos pensamentos quando eles me informaram que não era longe a casa da liboririntáquea que eu de repente desejara visitar. Caminhei no rumo do sul. O tempo se misturava às espaçonaves bonitas, aos ruidosos veículos liboririntáticos de solo.
| NATZEL MEYBUXY, A KAVYTRAR |
- Duoef, qual nome darás à cidade construída pelos vossos pensamentos?