A sombra de quem ocultamente me espiava revelou-me uma idosa liboririntática. Ela se fixava no seu falar.
- Seja bem-vindo duoef. Serás chamado em Origem somente de duoef. Não vos adjetivaremos. Sou Milax Grecont, a vossa primeira awmnam. Reconheça a nova casa se assim desejar.
Impeli as minhas pernas para a frente almejando caminhar pelo interior da nova casa. Instantâneo o meu cérebro foi alimentado com mapas, descrições detalhadas das repartições da casa, imagens em nove dimensões dos exteriores e interiores da construção. Via e ouvia Milax Grecont. Invadiu-me a impressão que viveríamos em comunhão sob o mesmo teto.
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| MILAX GRECONT, A 1ª AWMNAM |
- Duoef, irei para os meus aposentos em busca de recolhimento. Origem, a nova casa, é vossa! Não se intimides com nada que venha a encontrar dentro dela.
Milax Grecont se foi. Durante o tempo no qual permaneci em Origem estive com a primeira awmnam todos os drunhs.
Deitei-me em uma das camas. Eram confortáveis. Olhei para os armários colados ao chão. Não me lembro no que pensei naqueles momentos. Quem sabe os pensamentos me conduziram à cidade terrena onde nasci. E nos pensamentos caminhei por uma rua habitada por uma fábrica de doces e guloseimas geladas. Seja lá o que pensei o fato foi que os armários de metal se abriram. Dentro deles vi uma grande quantidade de roupas, calçados. Admirado me ergui da cama. Chegou-me uma vontade espantosa de urinar. Busquei na nova casa o banheiro.
Logo surgiu uma orocruwa na parede. Outras orocruwas apareceram no corredor. Elas voavam por toda a nova casa. Pousavam nos móveis baixos e altos. Quanto mais eu me desviava das orocruwas mais a Origem se ampliava. Cansado de correr me atirei na outra cama do meu quarto. Foi quando ouvi uma voz - e não era a voz de Milax Grecont - expandir-se grave no território das orocruwas.
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| APOCNAY ERIEMY, A 2ª AWMNAM |
Por nove vezes a voz grave repetiu a solicitação de afastamento às orocruwas. Ao final da nona vez as orocruwas se transformaram em quadros, bibelôs, miniaturas feitas de metal, objetos decorativos que guardaram a forma da ave noturna.
- Ah duoef, nem queira saber... As orocruwas me dão um trabalho danado. Sou a cuidadora de Origem, casa ainda sem cidade. Estou esperançosa que o duoef consiga construir a futura cidade cujo nome o duoef saberá escolher muito bem quando chegar o momento propício. Meu nome é Apocnay Eriemy, sou a vossa segunda awmnam.
Apocnay Eriemy também era idosa. Talvez um ou dois konasts mais nova do que Milax Grecont. Ao vê-la um sentimento de eterna ternura fez com que se por ventura minha alma estivesse atormentada se tornasse calma e branda.
- O duoef se preservará até o fim e nos salvará do lugar nenhum. -disse-me e se retirou.
Depois que a segunda awmnam foi embora do quarto o silêncio reinou em Origem. Pude ouvir a respiração de Milax Grecont que eu acreditava estar dormindo.
Pensei nas últimas palavras de Apocnay Eriemy. Deduzi que a minha anunciada preservação estava relacionada com a perseverança.
Adaptei-me sem complexidades à Origem, a nova casa do lugar nenhum.
Sentia-me rejuvenescido, protegido. Mesmo sem ver os sóis, as estrelas, os drunhs e as noites veio-me a glória de que o traregu se finalizaria em um sono de verdade e graça.

