Explorei uma extensão considerável do rio. Ao mergulhar observei que me adentrara no nível mais elevado do Ojand. Passado todo o tempo dos meus esquadrinhamentos percebi que havia chegado em um nível mais baixo. As maravilhas contidas no rio Ojand acariciavam e inspiravam a solidão das profundidades. E em Liboririm meus pensamentos viviam em locais profundos não porque eu desejasse que fosse assim. Os meus sentimentos se desenvolviam sob fatos naturais. Mergulhado na fé à vida eu nadava nas maneiras imaginadas por Eudaips de me colocar em contato silencioso com Ele.
Por um overebut a cidade de Lymberhem veio-me à lembrança. Fez-se acompanhar da Toblealyc Reap. Pensei, no fundo do Ojand, em Marlepixna Reap. Será que o meu destino seria retornar ao Porto 9 do rio Ojand? Nada perguntei às águas. Delas não ouviria respostas. O que somente escutei foi o convite ininterrupto à travessia da espera.
Atravessei assim o infinito do rio. Senti-me sob o regime da graça. Não retirei os olhos dos meus objetivos. A visão que tive de uma grande claridade me conduziu à superfície. Meu coração ardia. Fogo! Diante da paisagem deslumbrante meus sentimentos se fortaleceram. Uma onda de amor lançou fagulhas por encanto no meu corpo encharcado de Ojand que refletiu toda a muita luz. O amor preenchia de cintilações aquele lugar e conquistara a minha mente.
Vivia o momento da percepção. Flores cresciam ao redor dos meus passos. Metais petalados se multiplicavam por onde meus olhares navegavam. Sorrisos nos lábios dos silêncios. Os ruídos das línguas de fogo me informaram que eu chegara ao destino que me fora concedido por Eudaips.
Ao me retirar por completo das águas do rio coloquei-me em posição frontal aos sóis. As árvores de brilhos metálicos se mexeram provocadas pelo vento. Espalhou-se o fogo e o clarão por todo o leito visível do rio Ojand. A sombra de grandes dimensões em seguida apareceu no úmido solo.
Era esta sombra a sombra de um gigante que despontou ao meu lado e cuja altura se assemelhava à altura das velhas torres do Porto 9 do rio Ojand.
No gigante cravei os meus olhos sem ter a convicta certeza da sua existência. Passei a mão no meu rosto e a minha barba crescera feito hastes pontudas. Ele abaixou-se medindo com os seus olhos os meus olhares. Mesmo diminuído na altura não me convencia ainda da sua existência. Olhávamos um nos olhos do outro como se o nada estivesse em um lugar de confrontos. Ao soltar a sua voz que se esbarrava em seus próprios clamores e em seus próprios prantos comecei a me convencer da sua existência.
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| DRESK UILLER, O VACUPTY |
- Longínquo duoef, meu gigantismo é eterno e dentro dele não há nada. Quando o traregu terminar eu e ele terminaremos, desapareceremos juntos. Enquanto o duoef viver em Liboririm viverão as possibilidades de nos encontrarmos porque mesmo acontecendo o meu fim continuarei em vosso coração, em vossos pensamentos.
Não desejava e nunca desejei que algo de ruim acontecesse comigo em Liboririm. Temi aquele liboririntáqueo gigante. Na presença dele a imaginação se descontrolava e os meus sentimentos doíam. Antes que o tempo fizesse o gigante se levantar e se identificar lágrimas vieram me encontrar. Como se os foroacs desejassem me esquecer fui envolvido por uma tristeza inesperada, um desalento de dar saudade na dó.
- Triste duoef, sou Dresk Uiller, o vacupty. O duoef pensa que eu estou aqui. Quem sabe até me espera estar aqui. Mas eu não estou aqui abatido duoef. E se eu estivesse é certo que eu não estaria. Apenas meus ocos e enormes tamanho e altura estão aqui.
Na minha mente não havia mais dúvidas. Dresk Uiller não existia! A sua inexistência me fazia inventá-lo. Inventava-o porque eu não desejava, nem de dia nem à noite, ficar sozinho ao lado daquele trecho despovoado e desabitado do rio Ojand.
Dresk Uiller não existia no exterior do meu corpo. Subsistia-se, mantinha-se na minha mente e alma. Espalhou-se pelo vento frio que transportou o fogo para as distâncias do sóis.
O sentido da audição procurou pelas canções que as águas do rio sabiam cantar. Encontrei somente o silêncio sepulcral. Ele me penetrou com glaciais pensamentos.
O gigantismo da minha invenção, o vacupty, sugava das minhas lembranças os meus amores levando-os à dimensão do nada. Contemplei a paisagem onde me encontrava. Não vi mais o rio Ojand. Em seu lugar se alojou a secura da minha barba liboririntaticamente multiplicada, espichada, pesada e difícil de carregar.
Se era verdade a extração dos meus amores como caminharia do presente à alegria futura? O que me restara de esperança me manifestava a existir!
- Extraível duoef, os vossos amores se afastaram. Porém ainda não inexistem. Afastaram-se porque mesmo os oceanos terrenos são menores do que o Ojand. Quando eu, o vacupty, vos abandonar vossos amores se aproximarão outra vez do vosso corpo, alma e poesia visto que quem me pede é o hospedado. E quem bate na porta do destino a porta se desata.
Movimentei os braços. As mãos foram ao meu rosto. Arranquei a infinita barba molhada e inexistente. O rio Ojand reapareceu diante dos meus olhares que se elevaram medindo os olhos do gigantesco vacupty. Olhávamos um nos olhos do outro como se o tudo fosse um lugar eterno.
Não era aquele traregu o meu último drunh em Liboririm. Pulei com força nos olhos que me foram enviados ou nos olhos que eu criei, inventei. Joguei-me para dentro de Dresk Uiller.
Senti que ao pular no íntimo da ausência atingiria a minha única possibilidade de retornar aos sóis liboririntáticos.

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