82º DRUNH, SETERGU / AS MARGENS AZULADAS E ORIENTAIS DO RIO OJAND

Os fragmentos do drunh anterior foram levados pelo tempo liboririntático. Os resultados dos desaparecimentos dos pedaços do drunh foi notório.  O dosugno no seu consentimento finalizou-se completamente desprovido de fragmentações e multiplicou-se nas inteirezas de Liboririm. O drunh cedeu o lugar aos sóis não tardios do setergu.
Misten Rocne passou a noite dirigindo o fora do comum e prateado veículo de solo. Às vezes a velocidade e os caminhos faziam o veículo voar. Nesses momentos de voo o barezkiel sempre informava aos passageiros:
- Vejam viajantes que o ar também é a superfície que percorremos. Estamos viajando em um Pulkolk.
Ainda era noite baixa quando chegamos a um dos destinos. Pertencia tal destino ao passageiro Gnow Grikul, o primeiro a desembarcar das pratas do Pulkolk. O passageiro se distanciou do veículo e entrou numa casa repleta de liboririntáqueos aleijados, coxos e cegos.
- Bem sabem viajantes que Gnow Grikul nada declarou desde que iniciamos esta viagem. Mas eu, o barezkiel, sei exatamente o que ele veio fazer na casa onde acabamos de vê-lo entrar. Ele veio ajudar a servir o faustoso banquete oferecido pelos proprietários daquela morada aos serwguantys.
A viagem prosseguiu. Não demorou e Jlij Orel também desembarcou. Ao sair do interior do prateado veículo de Misten Rocne os sóis do setergu despontavam no horizonte. E foi no horizonte que Jlij Orel penetrou. A princípio acreditei ser esse segundo passageiro um aventureiro. Mas ao presenciar desde o início da viajada a sua lucidez e capacidade de planejamento, organização mudei de opinião e passei a vê-lo como um liboririntáqueo audacioso.
- Bem sabem viajantes que Jlij Orel é um especialista em elaboração de planejamentos. O estabelecedor de bases entrou no meu prateado veículo sabendo o momento exato de desafiar os perigos e as tentações do horizonte. Lá vai ele se adentrando cada vez mais no horizonte do Planalto dos Metais. Será que Jlij Orel está em busca da Esfera Perfeita?
No prosseguimento da viagem quase nada falamos um com o outro. Até mesmo o barezkiel bonachão se silenciou de tão concentrado que estava nos caminhos que se punham diante da sua vista. Estrada onde o ar às vezes se fazia de superfície.
A manhã se adiantou, mas foi no início da tarde que o passageiro número três foi embora do nosso convívio. Saiu do veículo sem esperar a parada total da viatura. Correu desembestado em direção à ventania que de longe podia se avistar.
- Restante duoef, este aí se chama Etijax Tlevlin. Entrou correndo. Saiu correndo. Corre tanto assim porque o destino que lhe aguarda é fundado e firme na pressa. Etijax Tlevlin chegará rápido ao depois da ventania. Descobrirá que além do destino não há tudo pleno. Aí a mesma ventania o trará de volta. Apanharei Etijax Tlevlin em lugar análogo ao lugar onde ele desceu quando eu, depois de deixar o duoef onde tenho que deixá-lo, estiver retornando a Nesemix.
Éramos quatro. Agora só restava um passageiro: eu! Procurava não olhar o tempo inteiro para Misten Rocne. Ele nos trechos finais da viagem dirigia com atenção redobrada e quase nada falava.
Houve um momento que uma súbita desaceleração do veículo levou a minha cabeça para fora da janela da prateada máquina do barezkiel. Estávamos a beirar o rio Ojand. A minha vontade foi a de aproveitar aquele instante e pular no rio.
- Debandado duoef, se vós quereis pular no rio espereis por um ou dois overebuts pois estamos chegando às margens azuladas e orientais do Ojand, local do vosso desembarque.
Engoli enorme seco. Misten Rocne pegou meus pensamentos com a boca na botija. Sem graça retornei a minha cabeça para dentro do veículo transportador.
Efetiva a ocasião do meu desembarque como me dissera o barezkiel não tardou a acontecer. Misten Rocne estacionou o prateado às margens do rio Ojand.
- Turístico duoef, chegamos ao vosso destino. Ainda estamos no Planalto dos Metais. Saia e não vos amedronteis com a noite nem com os labirintos. Logo os sóis ressurgirão. Nada mais ao duoef direi. Cumpri o prometido. Agora retornarei a Nesemix. Que Eudaips vos acompanhe! Que a voz do Divino ressoe nas vossas decisões!
As últimas palavras de Misten Rocne fizeram-se acompanhar pelo silêncio. O veículo de solo se moveu no sentido trigonométrico, anti-horário. Pós de metais foram ao muito alto. Na curva plana e fechada a velocidade conseguida pelo Pulkolk me separou do barezkiel.
Restou-me toda a escuridão. No entanto ela se diluiu nas pontas das estrelas. Senti que as margens azuladas e orientais do rio Ojand sabiam muito antes de os meus pés as encontrarem que eu estaria com elas. Minhas sintonias com o meio era tão correspondentes que só faltava as margens do rio me chamarem pelo meu nome.
Misten Rocne ia longe quando decidi seguir o caminho oferecido pelo destino. Embrenhei-me nos matagais metálicos das curvas do rio Ojand até que o rio expôs o mergulho. Não mergulhei de supetão nas águas do Ojand.
No princípio do amanhecer pássaros percorreram o espaço do céu. Respirei o ar que me protegia. Os sóis na estupenda beleza que Eudaips os criou surgiram generosos. Sem coxear, servindo das pernas firmes dei prosseguimento ao meu caminhar. O destino me atraía. Confiava nele. Esperei que os sóis se firmassem no teto celestial. Por mais que o tempo tentou me levar às dúvidas eu me revelei um crente do curso incontrastável dos acontecimentos.
O tempo da espera durou o mesmo tempo do momento em que avistei alguém caminhando do horizonte em minha direção até que tal encontro se realizasse.
LOEG NAGUEMIL, O ILCLAZEMU
- Sortudo duoef, sinto que vós quereis mergulhar no rio. Para onde vós desejareis ir? Mostre-se grato a Eudaips por eu estar em vosso caminho. Tivestes sorte de eu ter vos encontrado. Sou Loeg Naguemil, o ilclazemu. Sem perder tempo já vos digo que se optares em permanecer longe do mergulho os vossos passos se estancarão no anonimato das sombras. Se o duoef decidir pelo mergulho o vosso destino se cumprirá energizado pelos sóis e pelas estrelas do Planalto dos Metais.
- Eu quero mergulhar no Ojand sim!
- Aclarado duoef, os Anjos das Pressagias me avisaram da vossa chegada. Pediram-me que o localizasse nas margens azuladas e orientais do rio Ojand. Agora que eu vos localizei devo esperar a realização da vossa sentença.
Depreendia perfeitamente o que o ilclazemuz pretendia. Respirei. Ao me aproximar mais e mais de Loeg Naguemil senti forte estímulo de recarregamento. A impressão causada por este incitamento foi a de que eu estava sendo alimentado, refortalecido.
Assim que os sóis se ajustaram definitivos no firmamento me projetei sozinho para dentro do setergu e do rio Ojand.