Não me produzia espantos enxergar as totalidades ambientais e demográficas de Liboririm. Adaptei-me e me acostumei com as paisagens liboririntáticas as quais apelidei de olhos para que te quero. Os liboririntáqueos passavam apressados ao meu redor. Também surgiam liboririntáqueos sem pressa alguma. O semblante desses nesemixianos se expunham como um sítio de tranquilidade. Os movimentos de Nesemix e da sua população, e eu os versejava, sabiam da minha temporária existência liboririntática.
Por um overebut ou menos o vento da tarde mexeu com os meus cabelos. Por um foroac ou mais movi a cabeça. Ao fazer esse movimento sob o colorido do drunh repleto de nuanças vi de relance o stwolkc Ajna Ajyx sair da Escola de Teatro Esosiptes Adtaaci e vagarosamente entrar no Teatro Dliwlimble.
Ao ver Ajna Ajyx gritei a chamá-la. Mas o meu brado foi abafado pelos barulhos urbanos de um trânsito inesperado e intenso.
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Apalpei os andaimes externos e no pensamento contemplei com enlevo os andaimes internos do Teatro Dliwlimble. Murmúrios e gritos encheram o meu íntimo de silêncios e asas como se os murmúrios e os gritos representassem a impossibilidade humana de voltar fisicamente ao passado. Eu e o tempo modificados em dois pássaros. Eu desejando voar outra vez ao palco do Teatro Dliwlimble. O tempo a persistir no voo ao futuro. Com as minhas mãos em passeio pelos andaimes me despedi dos sentidos figurados das ilusões liboririntáticas.
Rodei pela cidade sob os brilhos solares. Sempre Nesemix seria para mim o outro pássaro. Oferecia à cidade a afeição real humana. Guardaria nos meus pensamentos e sentimentos a recordação das andanças fenomenais no texto de Ludom Cnefi.
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Emocionado fui me afastando do Teatro Dliwlimble com a vagareza do infinito. A tarde não perdia as atitudes instantâneas da manhã. Desci a rua que me achou e a cada passo que dava me senti caminhando rumo a uma distante estrela porque me lembrei que a manhã daquele drunh me parecia uma noite de fragmentados entusiasmos.
Liboririm se partiu. As duas partes seriam iguais? Uma das metades, a primeira, não queria ouvir as canções do passado. Preferia não se extinguir tão fácil assim. A metade seguinte mal começara e eu já a pressentia como um silencioso retorno ao passado atravessado na rota dos reflexos do futuro no tempo liboririntático do presente.
De uma coisa eu estava certo. O ofício, o fazer teatral não me abandonaria em nenhum dos dois planetas, em nenhuma das duas metades. Em algum outro momento eterno da vida, minha leitora, eu voltaria aos meus dons e aprendizados de togno. Atuaria mesmo se os palcos fossem as recônditas ruas por onde eu ia suavemente escrevendo a vida.
De repente sem parar de escrever cessei de caminhar. Os passos deixaram de produzir sons. Por mais que Nesemix ainda estivesse clara confessei ao dosugno que eu não sabia para onde estava indo. O rumo no qual me colocara não me mostrava os cenários, paisagens por mim tão conhecidas, do trajeto para a rua Hesb. Por conseguinte eu não me dirigia à minha liboririntática casa. Inexistia nos meus pensamentos um local determinado onde o meu sentimento pudesse pedir abrigo. Ou simples como uma xícara em uma prateleira se jogar do alto, despedaçar-se e ser socorrida pelo acaso. Em nada, absolutamente nada, pensava quando ouvi agudos ruídos. Passos que se revelavam na rua subitamente abarrotada de cacos de vidros.
Em busca das decifrações o pensamento se mexeu. O sentimento pulou para fora. Os cacos de vidros se multiplicavam por baixo dos meus sapatos. Escutados deslocamentos de pés se aproximaram tanto que pude ver um gordo liboririntáqueo parar de ir em frente, e sem dificuldade voltar-se e caminhar para onde eu me situava. Porém o tempo que ele gastaria para chegar a mim era incalculável.
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| MISTEN ROCNE, O BAREZKIEL |
Misten Rocne era um liboririntáqueo pacato embora sua voz me lançasse inflexões agitadas. Bonacheirão ou não o certo é que não tive muitas chances de lhe mostrar as entonações da minha voz. O barezkiel tirou-me dos passos os cacos de vidros. A cada puxada que ele me dava escorria dos seus olhos uma espuma avermelhada. Assustei-me com suas lágrimas espumosas.
- Cansativo duoef, ao começar a vos retirar dos domínios dos cacos vítreos senti a dor física e recebi dos fragmentos os efeitos colaterais. Satisfeito? Agora force o vosso corpo para que possa sair deste lamaçal feito de vidro de uma vez por todas. Segure em minha mão. Vou puxá-lo pela última vez.
Misten Rocne respirou fundo e deslocou-me para fora dos vidros. Não houve mais volta.
- Arrancado duoef, a primeira parte da minha missão está cumprida. Agora tenha pressa porque não temos todo o tempo de Liboririm em nosso poder.
Quanto mais corríamos mais os vidros desapareciam. As lágrimas espumantes e púrpuras do barezkiel também sumiram devagar, aos poucos. Quando os sóis avistaram a noite chegamos em uma esquina ao sul de Nesemix. Um prateado veículo de solo nos aguardava. Dentro dele a presença de três passageiros.
- Agrupado duoef, entre no veículo! Agora são quatro passageiros e eu. A lotação máxima se completou! Partiremos imediatamente. Devo transportá-los a quatro destinos diferentes. Duoef, como o vosso destino é o mais distante sereis o último passageiro a desembarcar.
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