Sem ser comovente ou trágico pulei. O muro que separava o Rio Ojand do Rio Graepia no Porto 9 era mesmo um trampolim contido no espetáculo da verdade. O pulo aconteceu aos sons dos sinos das velhas torres.
Ao contrário dos dois rios que se mantinham vívidos em único desenho o meu corpo rodopiou no ar. Criou desenhos na minha mente, desígnios na minha mãe e reencontrei-me com as águas do Ojand. Ao me aprofundar nas suas formusuras vi Xabrax Bruz movimentar as mãos. Mostrava-me a direção que teríamos de seguir. Nem sempre foi necessário aprofundar nos caminhos do Ojand para que aquele esplêndido lugar nos levasse a Nesemix.
A viagem que vive n'água não foi tão longa quanto eu imaginara. Passávamos velozes nos recônditos limiares do desejo de rever Nesemix quando Xabrax Bruz puxou-me à superfície.
Ao sair do rio escutei zumbidos. Vi insetos alados que queriam me saborear. Afastei-os do meu rosto. Enfiei os dedos nos meus ouvidos. Um peixe saiu de uma das minhas narinas o que me deixou admirado, assombrado, atônito. Xabrax Bruz ajudou o peixe a retornar ao rio. O semblante do coillyne demonstrava satisfação.
- Eremítico duoef, os peixes liboririntáticos invisíveis entram no corpo dos abduzidos porque anseiam em levá-los aos ermos. Neste lugar afastado onde nos encontramos o silêncio será o vosso acompanhante até que o duoef pise no chão de Nesemix.
Denominei o momento dessas palavras do coillyne de Despedida Com Luzes. Xabrax Bruz mergulhou nas águas. Acompanhou-o múltiplas claridades que se fizeram ligeiras iguais às suas braçadas. Essas claridades senti que poderiam ser as multidões de eremitas ou os apanhados de sementes.
Calado comigo mesmo não dei tréguas aos passos. Prossegui pela margem do rio até me deparar com o início duma estrada bonita como a Estrada Belymzwa. Avancei por essa estrada sabedor que a mente divina de Eudaips cuidava de mim. Pedi ao Criador de Liboririm que me orientasse nos traçados sinuosos que a estrada me apresentasse.
Silenciosamente percorri os domínios da luz eterna. Não havia dor, cansaço, medo, sede e fome. A eternidade dançava à minha frente. Possuía a sensação dum movimento presente na forma do drunh. Por serem os drunhs os hospedeiros dos movimentos constantes e inconstantes da vida liboririntática partindo de um lugar para outro trouxe-me os ventos que com vagar me tirou de dentro da vida eterna. Levou-me a estrada ao Planalto dos Metais, que me acariciou com a noite estrelada.
Por mais distante que eu ainda estivesse de Nesemix a fé seria o pássaro que Eudaips convocaria e daria poderes de nave espacial às asas cobertas de escamas que brotaram em meu corpo.
A madrugada ainda era escura quando cheguei a Nesemix. As asas escameadas desapareceram. Respirei a dor, o cansaço, o medo, a fome e a sede. Corri nas ruas de Nesemix saudando quem na cidade morava. Durante o voo da volta ouvi do silêncio a promessa de que em poucos drunhs eu poderia enxergar os liboririntáqueos todos juntos.
Quando amanheceu era o drunh Traregu. Não consegui acordar. Dormi até depois do otyem-drunh. Só então me levantei da cama sentindo medo de sentir medo. Encontrei comida nos armários da cozinha. Estiquei as pernas numa fisioterapia que pudesse retirar a dor que pulsava entre o joelho e o tornozelo. Estava cansado e sentia sede. Bebi a água de uma jarra de metal repleta de brilhos e êxtases. A minha casa liboririntática me adulava. Passei a tarde deixando a casa da Rua Hesb e seus xiddrars cuidarem de mim.
À noite me vesti em cima do voltar às ruas de Nesemix. Desejava jivecs bem geladas. Eu e a cidade rodamos sob os brilhos estrelares. Nesemix sempre foi o meu ninho, o meu afeto real liboririntático, a minha mãe generosa e espiritual, o meu armazém carnal.
Achei uma rua comprometida com a descida. Fingindo-me manco segui por essa rua até a praça que em outra rua se alongava. Na praça um bys-har me atraiu. Bys-har Azanytwa. Entrei sem fingimentos finalizando o cênico manquitar. Escolhi a mesa. Logo uma garrafa bem gelada de jivec foi posta à minha disposição. Quem a trouxe não perdeu nem ganhou tempo com a falta de silêncio.
- Manquejado duoef, faltava-vos perna ou pé quando fingias ser coxo? Mancastes tão bem que não deixei de observar-vos. Reparei que respiravas feito peixe respira sob as águas do Rio Ojand. Bebei vós com prazer a jivec porque nada deixará de ser ao duoef revelado. Nada ficará de vós escondido. Andei sumido de Nesemix porque precisava me recuperar dos malefícios das estrambólicas bebedeiras do passado e também porque queria fazer a operação terminal. Fiz as duas coisas. Agora me sinto uma real liboririntáquea. Hoje sou Ajna Ajyx, o stwolkc.
Sorvi a jivec. Ajna Ajyx era stwolkc inteligente, sensível, próximo das artes. Principalmente do teatro. Uma verdadeira fêmea liboririntática. Bebi outras garrafas de jivec. Danei a falar sobre amores verdadeiros e imaginários. Contei ao stwolkc sobre a diva do Porto 9 do Rio Ojand e o seu amor por um freghtyl chamado Resolc Gheaf.
Quanto mais bebia mais falava sobre amores fantásticos. Ajna Ajyx sabia do amor de Lety Rasmes, a terveler, por Zenge Uessen, o driolssnevhax.
- Teatral duoef, moro em Nesemix mas nasci, vivi e me descobri stwolkc em Tolam. Suas jivecs e confissões celebram e louvam as consciências clareadas com virtudes e amores. Tantos drunhs passarão após este encontro que nossas memórias não estarão como estão agora.
Improvisei encenações dos meus amores liboririntáticos. Vi cenas dos amores impossíveis que Ajna Ajyx fez questão de também improvisar. Suas improvisações me divertiam com efeitos cênicos. Eles me ajudavam a aprimorar o conseguimento de resultados dramáticos no imaginário amor que vivi por alguns overebuts com o stwolkc. Esta experiência liboririntática não se fixaria à forma final do espetáculo.
Quando os sóis iniciaram a despejar clarões em Nesemix o stwolkc me desejou boa sorte.
- Teatrista duoef, Liboririm consegue o que parece ser irrealizável. Logo ali na frente há uma rua comprometida com a subida. Nela o duoef encontrará um teatro que vos dará bem mais do que o descanso. Espero que ele vos dê a boa sorte.
