À procura de impulsos mexi os pés com força. Movimentei-me em comprida escala. Um outro drunh se aproximava da vida liboririntática.
Eu respirava e enxergava com facilidade nas águas do Rio Ojand. Não pude evitar sorrisos de espanto ao me ver um gigante de espetaculares manobras aquáticas. Geewelo Bruz permitia que eu nadasse na dianteira.
- Gigante duoef, outro drunh se aproxima das vossas retinas. Tudo é encontro em Liboririm. Nada o duoef encontrará se as decisões não forem tomadas. Haverá sempre encontro após encontro. Eu e o duoef somos dois rewcers dando braçadas com a única intenção de chegarmos ao Porto 9. Nade duoef à frente do meu olho que é só um. Descubra o caminho. O caminho é o vosso próximo encontro. Confie nas vossas visões. Eu vos seguirei como se estivéssemos na Terra, em uma montanha ao levantar do sol.
Ao me chamar de rewcer o verdadeiro rewcer tentou me agradar. As palavras de Geewelo Bruz soltavam bolhas de ar em forma de setas. Essas setas trouxeram-me ímpetos e indicações intuitivas. Pacientemente esperei a chegada das minhas visões.
Como se eu fosse um gigante sedento, o rewcer oferecia-me as águas do Rio Ojand e as descobertas das cicatrizações. Roguei a Eudaips que nos ajudasse na empreitada de alcançar a superfície do rio.
Coloquei-me à frente de Geewelo Bruz. Nadei como nunca havia nadado. Deixei o Rio Ojand me consolar. Naqueles momentos de vida dentro do rio nada foi mais bonito do que as visões dos primeiros sinais do surgimento dos sóis.
Não posso usar palavras para descrever a beleza daqueles instantes porque elas sumiriam da fala e da escrita na mesma velocidade em que elas vieram aos meus pensamentos quando as águas do Rio Ojand, que pareciam compreender a divina criatividade de Eudaips, ficaram estáticas por longos foroacs. Foi o tempo bastante para o silêncio domar as palavras com os sentimentos. Quando os sinais dos raios solares deram lugar à presença definitiva dos sóis as águas do Rio Ojand voltaram a se mover.
Mais algumas braçadas e ouvi a voz fluente do Gerst Rewcer Iell Oswy.
- Natátil duoef, longe vós ficastes perto de mim. As águas também seguiram o vosso silêncio. Não foi sonho quando o duoef não teve dúvidas em também seguir o silêncio delas.
Enquanto falava aos meus pensamentos, Geewelo Bruz impôs ao seu corpo uma velocidade tamanha que ele me ultrapassou. Passei a ser o seguidor. No meu coração clareou a certeza que havíamos chegado aos domínios do Porto 9. O coração estava certo. Nossas cabeças e corpos encontraram a superfície.
Atingimos a margem onde o Porto 9 é mais avançado. Não tive como fugir do meu enorme tamanho corporal. Reconheci-me um temporário gigante.
Geewelo Bruz era sabedor dos detalhes do local onde estávamos.
- Rutilante duoef, estamos no centro da Esfera Brilhante sob os 9 sóis. Aqui não existe a noite. Mesmo quando o tempo se eleva acima do otyem-drunh nada acontece com a claridade. Perpétua é a luz. Só há um detalhe na perpetuidade: às vezes cai muita neve e os dois rios ficam congelados. Então os sóis ao ressurgirem descongelam os rios e tudo o mais.
Respirei fundo. Embora estivesse debaixo dos 9 sóis não sentia tanto calor assim. Procurei me posicionar ao lado do lado mais crível de Geewelo Bruz. O rewcer tomou a forma de uma bola e todos os seus lados ficaram iguais. Ele gargalhou.
- Acreditável duoef, o Porto 9 recebe embarcações que navegam por toda a extensão do Rio Ojand. Devido à posição liboegshyd e às grandes dimensões o Porto 9 opera também como base de apoio às navegações espaciais.
Chamou-me atenção a comprida ponte que ligava o Porto 9 do Rio Ojand ao Rio Graepia. Também me senti propenso a conhecer o muro que separava um rio do outro.
Agora era Geewelo Bruz o estabelecedor da caminhada como meio de transporte. Eu o seguia medindo e pensando os nossos passos. Mesmo com a triplicação da altura não me sentia pensado ao ponto de diminuir ou aumentar a duração e ao alcançamento dos meus passos. Eles continuavam como sempre foram.
Meus olhares encontraram suvenires espalhados pelo caminho. Pululavam por todo o Porto 9 à caça de viajantes, turistas e lembranças perdidas. Chegamos à frente de uma casa muito alta.
- Espichado duoef, esta casa é Toblealyc Reap. Pertence a Marlepixna Reap. Ela e eu fazemos questão que o duoef se hospede na Toblealyc Reap pelos menos até recuperar o vosso tamanho original. Julgamos verdadeiro que o duoef não nos fará desfeita. Vejo, duoef, cansaço nos vossos olhos, e o tempo por aqui já frequenta o otyem-drunh.
- E daí? Mais nítido do que está o drunh não ficará. Muito menos escuro. Pois eu vejo pretexto no teu único olho. -proferi em alta voz.
O rewcer parou de gargalhar. Largou a sua forma esférica de lado e retornou à forma como o conheci. Pela primeira vez desde que o encontrei ou fui encontrado por ele percebi que Geewelo Bruz não piscava. Seu olho se mantinha aberto por toda a eternidade. Sob os sóis da Esfera Brilhante o rewcer soube ler os meus pensamentos.
- Estendido duoef, o drunh está qual tal vós dissestes: nítido. E se o drunh ficar branco de um overebut para outro? E saiba que de tanto caminhar nestas lonjuras do Porto 9 sinto que o meu olho se encheu de pó. Devo ir descansar caso contrário posso perder o juízo.
Balancei a mão de maneira positiva. Num repente Geewelo Bruz desapareceu. Suas últimas palavras e toda aquela conversa de "o meu olho se encheu de pó" não passavam de pífia desculpa. Não havia nenhum pó no olho do rewcer. O que ele queria era voltar o mais rápido possível aos arksibs do Rio Ojand.
Não pestanejei. Entrei na Toblealyc Reap. Uma solitária sala de recepção me recebeu. Sentei-me na poltrona coligada à sineta com aparência de pirâmide. Invadiu-me uma vontade prazerosa de devanear.
Absorvido em desvarios fechei os olhos. Penetrei na sineta piramidal que estava sobre um muro que separava o Rio Ojand do Rio Graepia. Esse muro se localizava no centro de Nesemix. A cidade estava vazia, perfurada por uma solitária torre que não parava de emitir sons de sinos. No interior da pirâmide eu recebia solavancos causados pela inesperada queda do muro. Os dois rios se misturaram. Pensei que Liboririm poderia ter pelo menos um oceano. A pirâmide se espatifou nas turbulentas águas.
Aos poucos os olhos, sempre eles, foram se abrindo. Vi um quadro dependurado na parede da Toblealyc Reap. Era na verdade uma freghtile emoldurada e levemente queimada por partículas douradas enviadas pelos sóis.
Ao me dirigir para mais perto da freghtile constatei a existência de escadas na toblealyc. Ouvi ruídos característicos de alguém se aproximando acompanhados de uma indomável música cantada por uma voz soprano, feminina, aguda, de timbre maravilhoso. Fui retirado do delírio. Melhor impossível.
- Alongado duoef, a liboririntáquea que está na freghtile... Bem, eu era assim. O tempo não tem velocidades variáveis nem é um argumento falso. Reparo na vossa mocidade que o duoef alcançou o drunhoyd. Bem meu caro duoef por fim chegastes à Toblealyc Reap. Seja bem-vindo! Sou Marlepixna Reap, a tobleanyl.
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