Qual seria o nome daquele drunh? Aquele drunh em que pedi com insistências bebidas à Lahitat Len. Ela parecia uma liboririntáquea teutônica. Os seus cabelos alaranjados, a pele clara. Os movimentos dos olhos não estavam sincronizados com o seu corpo. Os olhares da Ieflisav 'Zli' Gamojunx Kronskor me indicaram uma das paredes do quarto que se alargava. Na parede desfilavam garrafas abertas de líquidos bebíveis. Servi-me das bebidas sem economias.
Observei o corpo da teutônica fêmea liboririntática. Um belo corpo paralisado. Lahitat Len não conseguia se mover na velocidade dos seus olhares. Projetei-me em direção ao corpo da despojada de liberdade. Nossos corpos se tocaram. Ao me reclinar nos seus ombros ouvi os sons internos do corpo da liboririntáquea. Eram sons que poderiam determinar um acontecimento ou um pensamento qualquer. Talvez fossem sons que se aproveitaram dos sonhos e entraram no corpo de Lahitat Len.
Pensamentos ou sonhos caminhei no espaço agora infinito do quarto. Iniciei a caminhada rumo à Terra. Experimentei sensações de vazios ao perceber que os passos me levavam à Terra e me deixavam longe de Liboririm. A angústia é sentimento aflito. Desejei retornar à liberdade da cela sem grades que conservava e prendia a liboririntáquea silenciosa e expressiva.
O silêncio ao retornar tirou-me o idioma. A boca engoliu a língua. A impressão da inexistência das palavras ofereceu-me na jornada de volta à Gamojunx Kronskor a visão de vulcões inativos tombados nas beiradas do caminho.
Não me lembrava dos nomes das coisas concretas nem das coisas abstratas. Não me recordava dos conteúdos e formas figurativas nem dos conteúdos e formas alheios a qualquer representação figurativa. Lahitat Len me recebeu de olhares abertos, erguidos, ativos. Ao vê-la tão clara e amarela-avermelhada explodiu-me grunhidos monossilábicos e palavras polissílabas. Fiz instâncias e puxei a Ieflisav 'Zli' Gamojunx Kronskor para perto do meu corpo. Beijei-a com tamanha exaltação que as frases e as orações em sentido completo regressaram juntos com o idioma à prisão e fizeram escorrer nas tentações as nódoas da poesia.
Pancada de chuva ou lufada de vento? As garrafas das estonteantes bebidas liboririntáticas não se encontravam mais na parede do quarto que voltara ao tamanho real. Ainda não me passavam nos pensamentos os mínimos conhecimentos da identidade dos drunhs.
O tempo se declarava aos sons internos e poéticos do corpo das canções. E elas diziam me conhecer. Eu respondia ao tempo com pensamentos desconhecidos que contavam a Lahitat Len histórias sobre as coisas concretas e abstratas que voavam na órbita do planeta Terra. A Ieflisav 'Zli' Gamojunx Kronskor me escutava com atenção. Seus olhares nítidos evocavam o surgimento a qualquer overebut dos maravilhosos momentos da Gamojunx Kronskor que a libertariam do silêncio.
O corpo da teutônica fêmea se mexeu. Caçou Afrodite no meu espírito. Assim que a encontrou restaurou as forças geradoras da lucidez. Meus olhares ficaram presos ao corpo e à alma de Lahitat Len.
Aos poucos como se a Gamojunx Kronskor almejasse partir de Nesemix a liberta liboririntáquea me disse:
- Oportuno duoef, venho dos ventos e vamos às águas. A Kronskor além de gamojunx é uma espaçonave que nos levará ao Porto 9 do Rio Ojand no centro da Esfera Brilhante.
Os sons saíram do interior do corpo da liboririntáquea. Espalharam-se por todos os cantos da gamojunx. Quando a espaçonave Kronskor voou seguindo a rota do Rio Ojand o silêncio passou-me a segurança necessária das oportunidades.
No espaço e no íntimo do tempo eu senti que começaria na brevidade do possível futuro o meu regresso à Terra. Os pensamentos de Lahitat Len me disseram que eu aguardasse o aviso do sim. Até lá não me faltariam opções nem descobertas que eu não imaginava serem impossíveis. Andei por todos os cânticos da nave Kronskor. A viagem ao Porto 9 do Rio Ojand foi curta e longa. Produziu a minha volta ao diminuto quarto onde descobri a Ieflisav 'Zli' Gamojunx Kronskor. E ela não estava mais lá. O vento se apossara do quarto. Das paredes brotavam águas em velocidades desconcertantes.
Mergulhei até o fundo do Rio Ojand. Transportei os meus olhares ao teto transparente do rio. Vi a Kronskor ocupar o espaço entre a superfície das águas e o céu.
O mergulho e o destino me conduziram aos arksibs do Rio Ojand. Ao vê-los me lembrei do nome das coisas concretas e abstratas, voadoras e insondáveis. Ao ir ao fundo do fundo do rio apontei o corpo em direção ao pronunciado ângulo de descida. Atirei-me aos arksibs. Transferi-me feito um ideal expresso que se lança à presença dos olhares de um olho solitário.
- Abismal duoef, falo-vos ao coração. Nas profundas águas mais profundas do Ojand há fogo no vosso espírito. Sou Geewelo Bruz, o Gerst Rewcer Iell Oswy.
A vida liboririntática se dava aos círculos. A vida que pulsa no meu coração é uma vida circular. Olhos e olhares são circunferentes. Não havia motivo que me fizesse recear os movimentos do rewcer.
- O nome do drunh em que pedi com instâncias bebidas à teutônica Lahitat Len era turaydo. -lembrei-me afinal.
O Gerst Rewcer Iell Oswy movimentou as águas do rio. Criou no seu semblante um espelho. Deparei-me comigo mesmo, um abduzido de enorme tamanho. Repentino havia me transformado num gigante.
- Crescente duoef, aprendestes rápido a respirar e a enxergar sob as águas. Irás comigo à superfície do rio. Não temeis o vosso inesperado gigantismo. A vossa estatura colossal durará apenas no tempo restante deste drunh e no tempo do dosugno, o próximo drunh. Chegaremos ao Porto 9 do Rio Ojand no instante em que os sóis iluminarem o dosugno.
