70º DRUNH, TURAYDO / AS NÓDOAS DA POESIA

O pôr-se a caminho de Cybor Tred deixou-me preso à minha casa liboririntática. Segurei-a com força nos pensamentos. Apalpei as suas paredes como se acariciasse espíritos protetores e benévolos. E foi conhecendo mais e mais as paredes pelo tato que os meus dedos se encostaram no aepoclec. Os olhos se abriram. De relance reli os informes contidos no metal ilustrado com luzes artísticas. Por muitas vezes tornei a ler os dizeres do aepoclec. O li tanto que o tempo se mexeu mais do que o de costume.
A noite não me tirou da frente do azulado aepoclec. As luzes das palavras escritas na imagem da gamojunx pareciam cores sólidas. Começava a me sentir cheio de vontades de ir a Kronskor. No fundo dos pensamentos brotavam a ideia e o sentimento da jornada de ida.
Quando a madrugada me fez recostar no sofá, a sala se encheu de brilhos estrelares. Não me visitaram o cansaço e o sono. Veio me ver a certeza de que eu não me sentia de maneira nenhuma um estrangeiro em Liboririm. Tão acostumado já estava ao realismo fantástico do planeta e às manifestações dos desígnios de Eudaips que sem parar de fitar o aepoclec me desnudei da condição de hóspede. Desejei com asseveração ser liboririntáqueo, concidadão de Cybor Tred, o aepoclecoiw.
- Acho que a minha alma quer ir além do que ela pode ver. -combinei comigo mesmo.
Vieram me visitar também as visões de oportunidades. Foram essas visões que me deram a coragem de me projetar sem pânico nas palavras provenientes do aepoclec. Sentimentos invulneráveis não me transformaram em exemplo de imperturbabilidades. 
Arrebatado com a ida à Gamojunx Kronskor fui dormir na beirada dos sóis nascentes. Dormi como se a minha sonhável voz estivesse muito dentro do tempo liboririntático.
Acordar é sensação diária de começar outra página do livro do destino. Mais ou menos rápido impulsionei o meu corpo. O movimento me colocou diante das janelas transparentes. Elas desfrutavam dos sóis. Vi o aepoclec jurando fidelidade à parede. 
Sem duvidar que eu iria à gamojunx esperei que o momento da tentativa me construísse. O drunh parecia mesmo concebido para o triunfo da Kronskor. Passei repentino a chamar a gamojunx que eu conheceria no decorrer da noite de Prelúdio do Amor.
Quando os sóis jogaram as redes no Rio Ojand recolheram as estrelas e com elas bordaram o céu do Planalto dos Metais. Mal troquei de roupa o aepoclec reluziu. Era o sinal para a porta da casa se abrir. E a porta se abriu. Fortaleci-me na primeira tentativa de passar além do portão.
As ruas de Nesemix estavam calmas e agitadas. Sossegadas porque cumpriam e testemunhavam a trajetória dos meus passos decididos que encontrariam Kronskor. Movimentadas porque Nesemix nunca teve vocação para selva fantasma. Percorri várias ruas entrelaçadas, disparatadas, oblíquas. Após a andança na rua cuja descida distribuía sacrifícios idênticos a uma rua difícil de subir avistei na noite as esvoaçantes luzes azuis e vermelhas pertencentes à gamojunx.
Eudaips conservava-se na minha vontade! Entrei sem dificuldades no Prelúdio do Amor. Saboreei a cada passo dado bebidas mais sedutoras do que as jivecs. Ouvi ao longe uma música. Não perdi a convicção de que a música estrondosa se achava perto da poesia que iniciei a buscar nos interiores da gamojunx. Esbaldei-me de dançar com o silêncio. Bebia com ganância as doses que se ofereciam ao meu ato de beber. Nenhuma das bebidas que ingeri eram desagradáveis.
A Gamojunx Kronskor não era apenas o Prelúdio do Amor. Era a vastidão do sacro e do profano. Uma enorme casa de andares onde tudo funciona de modo dinâmico e diversivo. Mudei o último verso da poesia. Coloquei-o no primeiro degrau da volúpia que seduzia os sentidos. Nos nove cantos da gamojunx declamei poemas infestados de primeiros passos, prenúncios e improvisos. Ostentei nos nove cantos da Kronskor poemas encaroçados de dedicações, abstraimentos e carnalidades.
As deliciosas e doces bebidas da noite me deixaram ébrio, embriagado. Assim na zonzeira dos nove cantos poderia ter me encontrado com o epílogo do amor. Mas o Criador, o divino Eudaips de Liboririm, os anjos pressagiosos e os anciões consencientes colocaram uma porta à disposição do destino.
A porta se destrancou no mesmo tempo em que o aepoclec colado lá na parede da sala da minha casa se desmanchava em trilhões de pedaços. Ao passar por esta porta entrei em um aposento diminuto ao invés de me ver fora da Gamojunx Kronskor.
A música ambiente não se ouvia mais estrondosa porque o silêncio se exprimia. Atordoado eu perquiria na minha língua as nódoas da poesia.
- Bêbedo duoef, o vosso retorno ao planeta Terra está perto e continua longe. Estou presa e permaneço livre. Não procure mais o entendimento nas ânsias do vosso idioma porque o retorno e a liberdade é que são as nódoas da poesia. Não são os estigmas das inspirações que tanto busca nas tentações de Kronskor? Vosso espanto resultará nas águas da lucidez e o duoef reencontrará o Rio Ojand. Enquanto minhas predições não se consolidam desfrute aumentado duoef da nossa prisão apequenada. Sou Lahitat Len, a ieflisav 'zli' Gamojunx Kronskor. Nesta espaçonave onde estamos é impossível contar os drunhs.