69º DRUNH, MINODGU / O MEDO E O CONVITE

Passaram-se os sóis. Ao lugar onde Sy Laraz e eu estávamos vieram as estrelas. Retornaram os sóis. Para dentro do drobeyb permaneceu  a plelligna. Pensei em me despedir. Tentei dizer alguma coisa que pudesse retardar a separação. Senti que a despedida acontecera nos últimos gemidos, suspiros e que não se fazia necessário um longo adeus.
Retirei-me do drobeyb. Caminhei para dentro de Nesemix cada vez mais rápido. Um sentimento de inquietação começou a me causar incômodo. O medo, recordação comportamental ou processo do aprendizado não permitiu que eu ficasse indiferente à sombra que parecia me seguir porque mesmo quando eu entrei na rua Hesb a sombra não se desgrudou dos meus passos. Rente a um muro a sombra se projetou na parede forte. A princípio imaginei ser a sombra a sombra de Sy Laraz, mas constatei logo que o meu seguidor não era a plelligna.
Alcancei o portão da minha casa liboririntática. O ferrolho estava quente. Os sóis faziam Nesemix arder. Antes de me refrescar com a proteção das flores do xyddrar a sombra, minha seguidora, procurou espaço com luz. O corpo que a produzia saiu da zona privada de luminosidades solares e veio à minha presença.
- Perturbado duoef, não me leve a mal por tê-lo seguido por todo o caminho. Os sóis estão demasiadamente ativos. Não pude evitar por várias vezes que a minha sombra o assustasse.
Pura verdade. Durante o trajeto da rua Racbrac Citlew à rua Hesb em diferentes trechos senti medo. Independente estar claro ou escuro eu sou medroso em potencial. Do nada repentino me vem medos, sobressaltos.
As colinas que ousava escalar no planeta Terra nem sempre foram vivas e ativas. Por vezes inteiras me senti feito águia sem asas. Mesmo quando compartilhei com Sy Laraz prazeres maravilhosos tive temores pelos fatos imprevistos. Inquieto-me diante da realidade. Idêntico sentimento me aflige diante do imaginário.
As colinas e a águia são translações. Até das metáforas mortas e inativas sempre sinto medo. O fim me causa pavor. Tenho receios de estar preso ao planeta Liboririm para sempre. Apavora-me o sempre causador de ideias que tentam traduzir a eternidade.
Ter me acostumado com a solidão engenhosa, real e falsa de Liboririm dava-me a sensação de eu estar me transformando em um ser desumano e horrível. Por outro lado a esperança liboririntática me fazia conviver com a solidão inerente à alma dos terráqueos.
A minha casa em Nesemix era a residência dos sonhos. E por não permanecer na casa todos os drunhs ela me oferecia ao invés do medo incessante a felicidade possível. Evitável ou inevitável o medo me prendia a Liboririm. Só assim eu poderia praticar a vida liboririntática e me transfazer num corajoso por natureza.
- Indispensável duoef, Nesemix se estende. Devo prosseguir na jornada de... Por Eudaips e por todas as gamojunks de Liboririm livrai vós das vozes do medo. Apresento-me ao duoef. Sou Cybor Tred, o aepoclecoiw. Devo colar um aepoclec em vossa casa. Quem sabe assim os temores se afastem da noite que está a caminho.
O deixado de ser sombra retirou do bornal azul-cobalto que usava a tiracolo um aepoclec de dimensões medianas. O seu rosto cruzou as profundidades do medo. Ao se movimentar levou o aepoclec aos meus olhares que não paravam de ir à cata de aventuras. Sorri. O aepoclecoiw ao libertar o meu sorriso me fez dar esperanças terrenas às solidões liboririntáticas.
Feito passe de mágica fomos guiados pelo sorriso ao interior da casa. Ao nos ver em plena convivência, o aepoclecoiw não perdeu a oportunidade de se desculpar mais uma vez nem se privou da despedida.
- Recluso duoef, atenueis a culpa por vos ter amedrontado com a minha sombra em plena luz do drunh. Vosso sorriso permitiu que fossemos dum lugar ao outro. Colarei agora o aepoclec na parede da vossa sala.
O aepoclec não era pintado, não era de papel. Era feito de metal e ilustrado com luzes artísticas. Continha palavras escritas com pensamentos. Não percebi no aepoclec nenhum outro interesse fora o de divulgar a Gamojunx Kronskor e o de me convidar a conhecê-la.
- Vígil duoef, como pode pensar, ver e ler trata-se o aepoclec de um anúncio. Convida o duoef a ir à Gamojunx Kronskor durante a noite que se enveredará para Nesemix no próximo drunh. Haverá na gamojunx muita diversão! Saiba o duoef que nem todos os que lá forem poderão entrar na casa noturna. Entrarão aqueles que forem compatíveis com a vontade de Eudaips.
- E se a noite do próximo drunh não me achar digno de ser compatível com a vontade de Eudaips? -perguntei hesitante ao aepoclecoiw.
- Corajudo duoef, a vossa hesitação não dará voos às estrelas. Não seguirás o medo porque o medo grita e não luta. O duoef seguirá a luta porque a luta desinstala das aspirações o medo.
Talvez não houvesse mais tempo entre os sóis e as estrelas. O aepoclec colado na parede da sala por enquanto não se despediria de mim. Já Cybor Tred...
- Libertador duoef, a vossa resolução de ir ou não ir à Gamojunx Kronskor não depende de nenhum medo. Só depende da vossa vontade. Que Eudaips esteja nela! Que Eudaips vos acompanhe! Duoef, preciso ir embora. Há outras colagens de aepoclecs a fazer.