Amanheci indolente. O corpo moleado tentou se esticar quando os olhares procuraram os sóis. As luzes solares se infiltraram nos pensamentos que estavam lerdos e pesados nos movimentos.
Busquei me levantar da cama. Conservei-me fora dela por alguns overebuts. Estático como se desse aos pensamentos o tempo necessário para que eles se organizassem.
O tempo cruzou os braços sobre o meu rosto. Os olhares se distanciaram dos sóis. Aproximaram da curvatura entre o cotovelo e o punho. Meu antebraço se aquietou nas sombras e reflexos dos olhos abertos, maçados e maçantes. Brusco abaixei os braços. Vagaroso lavei o rosto bebendo da água, afastando-me das imagens do espelho. Sentia-me no fastio, na senectude.
Desejei retornar à cama e me envolver com as cobertas finas e transparentes que me chamavam com idolatria.
- Não posso ser o objeto de adorno das roupas de cama! -esbravejei costurando ainda mais em minha alma a maldade do silêncio.
Nada se movia além do tempo. Nem as ações dos sóis sobre as paredes indetermináveis da casa se deixaram ver. Em paralisia corri ao xyddrar na esperança de que as flores nas multiplicidades das cores me retirassem das profundezas da alma do tédio. Com os dedos toquei nas pétalas mais exigentes. Cheguei a invocar hinos de louvores a Eudaips. Hinos que eu desconhecia as letras. Apenas trechos das melodias chegavam à minha mente. De qualquer forma pude ler nas flores que a minha repentina presença entre elas significava, mesmo me sentindo tedioso, que eu estava no xyddrar porque vivia uma circunstância solene. Quando finalizei o solfejo do último hino abandonei o xyddrar me prendendo ao rumo do portão que dava acesso à rua.
A rua Hesb não se soltara de Nesemix. Os sóis queriam os meus olhares. Fiquei surpreso e alegre porque os meus pensamentos antes demorados e cansativos nos seus movimentos começaram a agir diante do tempo.
Fora da casa e com os pés soltos na rua me senti retirante fugindo da seca ocasionada pela ociosidade. Assim que fui alimentado pelos raios solares revigorei-me. Ouvi o vento tocar a domvav mais uma vez. A música deu-me ares de estar vindo das profundezas do céu. Não precisei caminhar nas profusões dos mistérios nem voar às marcas da senilidade para sentir a esperança que habitava na casa defronte da minha liboririntática casa.
Cristalina se formou a vontade de atravessar a rua. Ir à origem daquela música divinal. Obedeci à razão e ao impulso. Os passos retos e vigilantes me transportaram ao término da largura da rua Hesb. Do outro lado da rua a minha casa somada ao xyddrar e às iluminuras dos sóis possuía o semblante de uma liboririntáquea que não era de maneira nenhuma jovem maravilhosa forjada por drunhs utópicos nem idosa distinta resultante de drunhs eruditos.
- Desenfastiado duoef, sou Tase Togatm, a qmeviqt. Vim a vós para que saibas que na casa diante da vossa casa acabou de nascer um liboririntáqueo. Sim meu duoef, e trato de vos contar que é um ussungui o terminado de nascer.
Meus olhos se deram aos sóis. A claridade tirou-me a nitidez e o foco em Tase Togatm. Um instante turvejante e veloz que me propiciou lágrimas de felicidade.
- Entretido duoef, vim a vós para que saibas que na casa diante da vossa casa acabou de nascer Ofal Notorj. Sim meu duoef, e trato de vos profetizar que o acabado de nascer será no decorrer da vida e do tempo liboririntático uma kvasthul pois Eudaips o presenteou com a visão que saberá prevenir Liboririm das aproximações de inimigos. E vem do Vale das Pressagias outro presente para o ussungui. Dos anjos recebeu a alma do recém-nascido a incumbência da bondade.
Os sóis mesmo quando vinham as tempestades seguiam caminhos eternos. Na travessia que fiz de uma calçada a outra o fim dera lugar ao início. O drunh, que ao amanhecer me encontrou humano metido num caracterizado tédio, retirou-me com a travessia à anunciação do nascimento de Ofal Notorj a falta de vontade, o sentimento desequilibrado que algo estava me faltando. Como humano o desgosto me levaria à morte espiritual.
Estar tão rente à enorme casa onde nascera quem haveria de ser uma kvasthul me fez compreender que a Hetrotadem apesar de acarretar o tormento da perda é tão real e pulsante quanto a existência liboririntática.
Liboririm me proporcionava experimentar sentimentos que os meus pensamentos nunca alcançaram.
Foi assim, sem conseguir chegar ao filho que em algum tempo do futuro humano eu imaginava gerar, que voltei a focalizar com clareza o xyddrar e a minha casa.
- Lapidado duoef, vim a vós anunciar o nascer de Ofal Notorj e descosturar a vossa alma da maldade do silêncio. Sim meu duoef, é certo que dos Anjos das Pressagias recebestes também o encargo da bondade.
Após ter realizado com perfeição os seus propósitos Tase Togatm desapareceu sem se desfocar e sem se locomover para fora da minha memória.
No restante do drunh o céu em Nesemix continuou sem nuvens. Deixei-me ficar paralisado diante da casa do ussungui ao ouvi-lo chorar e se aquietar no íntimo das suas primeiras lágrimas.
