63º DRUNH, DOSUGNO / O PROCESSO DA COLETA

O que a carta de Gbereel Luzas dizia?
Quando abri o envelope e li a carta estava tomado por ansiedade difícil de imaginar. Além de me dizer o título da canção que o vromtaldy compusera pouco antes da nossa despedida no tshilafosnymit a carta continha duas mensagens. A primeira se propunha a sossegar meus anseios.
- Ansiado duoef, o céu que me auxilia a processar meus sentimentos e ideias pede ao duoef que endireiteis o vosso coração. Sejais incessante sem serdes apressado nas ocasiões das adversidades...
A segunda mensagem me trouxe frescores na poesia da fé que me avançou a cada drunh que eu vivi em Liboririm.
- Avançador duoef, assim como vós as inspirações poéticas são, e sei que não vos restais dúvidas, o nosso idioma. Um idioma mudo nos presenteado por Eudaips em expressões de amor divino...
Devido às leituras - e foram muitas - que eu fiz daquela carta, nos drunhs futuros vieram-me à mente imagens solitárias de Gbereel Luzas.
Encontrava-me há tantos overebuts entre as fixas paredes da minha liboririntática casa que de tanto esperar movimentos das paredes comecei a achá-las implausíveis e inviáveis. 
Recoloquei a carta do vromtaldy no interior do envelope. Guardei-o na gaveta mais distante que obtive ao percorrer os comprimentos e as larguras da moradia. Ao visitar a casa em vários sentidos deparei-me com inutilidades, coisas sem préstimos, restos de comidas, cacos de vidro. O passeio caseiro se transformou em recolhimento de entulhos. Até na dimensão do xyddrar busquei as imundícies orgânicas e inorgânicas. Durante o processo da coleta do zmid me senti manifestante da realidade e manifestador do sonho. Ao chegar à frente da casa consignei a verdade dos fatos. A residência tão grande, bonita, acolhedora estava repleta de futilidades e detritos. O outro fato confirmado foi a presença dos sóis em toda Nesemix. O drunh clareava seus desafios próprios.
Juntei o zmid recolhido. Coloquei-o num canto da casa. Juntá-lo me causou suores. Bebi a água sem me preocupar com o cúmulo da sede. Então molhei-me com espantos ao misturar as almas das poesias nas almas das fomes. Gritei por sobressaltos e não imaginei Eudaips sozinho.
O zmid ajuntado se levantou do chão de uma só vez. Flutuando no ar o zmid começou a se locomover em direção do fundo da casa. Ao seguir o zmid derrubei com admiração as ansiedades. O zmid chegou à cozinha em feitio esférico, uma bola, e atravessou as paredes que se movimentaram plausíveis e viáveis.
O zmid flutuou além do horizonte. Acompanhei-o agarrado ao vento produzido por sua locomoção. Flutuamos até um local chamado zmidxap. Assim que o zmid foi de encontro ao solo metalizado os meus pés sentiram a quentura da zmidxap, que de desabitada não tinha nada.
- Incorporado duoef, antes de tudo sede vós bem-vindo à zmidxap de Nesemix. Sou Oysum Edogp, o zmidpax. A quentura que sentis em vossos pés é causada pelos incineradores que convertem o zmid em energia. Experimento a sensação que agora a vossa mente o conduz a lembranças da Terra, planeta da vossa origem. Como é próprio dos terráqueos acharem que "estar quente" é estar próximo de objeto, de alguém escondido ou se aproximar de uma verdade informo-vos térmico duoef que a zmidxap não é uma brincadeira infantil.
O zmidpax mal terminou de mexer a sua tacicriz os sóis iluminaram o zmid proveniente da minha liboririntática casa. Oysum Edogp com gestos fora do comum e segurando com afinco um tridente em brasa de onde saíam pás e ventarolas fez o zmid autodividir-se. Em cada porção do zmid o zmidpax enfiava desabrido o tridente. Algum tempo depois eu ficaria sabendo que o nome correto deste tridente é zmidsamul.
- Generante duoef, não façais expressão de repugnância. Estou avaliando quantitativamente e qualitativamente o zmid que à zmidxap trouxestes.
Os sóis não são constantes na zmidxap. O escuro é predominante. Quando a claridade aparece é como se ela fizesse o papel de farol indicando ao zmidpax a localização e posição do zmid recém-vindo.
- Navegante duoef, as atividades liboririntáticas também produzem zmids que descartamos ou eliminamos. Além de funcionarem como depósitos, as zmidxaps são usinas de transformações. Não existem zmids na formação dos espíritos. Nós os liboririntáqueos...
No tempo que fiquei ao lado de Oysum Edogp percebi que o seu discurso propunha mudanças de mentalidade. Por poucas vezes vi com nitidez o seu rosto. Ele cumpria as suas tarefas de zmidpax com simplicidade e respeito. Acreditava que a zmidxap era uma grande metáfora criada por Eudaips e pelos liboririntáqueos.
- Mentor duoef, passo os drunhs com os instrumentos de oração e trabalho. Eudaips abençoou-me ao me permitir movimentar com os meus gestos o zmidsamul. Gestos que vós duoef assim que colocastes os vossos pés na zmidxap quantificou-os e qualificou-os como gestos fora do comum.
Escutamos um estrondo. Os sóis lançavam seus clarões que iluminavam a chegada de gigantescas bolas de zmid no solo queimante e efervescente daquele lugar distante habitado somente por Oysum Edogp. O liboririntáqueo sorriu porque as suas orações e o seu trabalho jamais conheceriam o fim.
- Saltado duoef, flutuando viestes à minha presença. Agora correreis sem serdes apressado. Quando ouvirdes o som da domdav dedilhada pelos ventos divinos estareis a caminho da vossa casa tão próxima às canções nascidas na rua Hesb.