- Despertado duoef, vos vejo na maior janela da vossa sala. Sei que também ouvistes o som da champnax. Vinde receber a carta. Sou Zilos Teauxd, o dsnalgni.
Enfiaram-se os risos nas entranhas do meu íntimo. Ao atender as palavras do dsnalgni transformei-as em alegrias. Os risos vieram à superfície do insegogu, drunh que se iniciara de maneira esperançosa.
A champnax não parava o canto estriduloso. Apressei-me a abrir a porta. Pensava que em Liboririm as cartas chegassem aos destinatários por mecanismos dotados de potências tecnológicas avançadas. Nos meus pensamentos muitas ideias se adentraram em questão de foroacs. De todas estas ideias uma surpreendeu-me, apanhou-me num repente sem reparo. Ultrapassando o som da champnax gritei de forma contínua mirando o berreiro na máxima janela da sala.
- Dsnalgni, seja paciente! Necessito ir ao banheiro urinar. Não me demorarei. E pare de fazer soar a champnax!
Enquanto o ato de urinar deixava a bexiga vazia, meus pensamentos peregrinaram por vários santuários até que se fixaram no tshilafosnymit. Sim. Eu considerava o tshilafosnymit um lugar santo. Reencontrei o semblante de Gbereel Luzas. Junto à imagem do vromtaldy as suas palavras vieram legendar a mente.
- ...receberás a minha carta. Ao terminar de lê-la terás encontrado o nome da minha mais recente canção.
O banheiro não parecia me julgar. Movimentei-me suavemente pela sala ao sair do sacrário. Por causa da esperança eu seria capaz de trasladar uma montanha.
Desejei então que uma montanha vinda do planeta Terra se apoderasse da sala. Nada aconteceu de diferente quando atravessei a sala e o vento em busca da porta. Nem as serpentes que imaginei saindo da minha urina e se metendo nas entranhas da champnax fizeram-na silenciar-se. Com um puxão movi a porta. Só assim a champnax interrompeu o seu canto de trabalho.
- Instantâneo duoef, faço o meu trabalho sem me conectar a computadores. Entrego cartas para me conectar aos liboririntáqueos. Percebo que estou entrando na sala pertencente a uma residência de um abduzido. E estar em casa de abduzido, seja de que planeta tenha vindo, é ao meu ver uma arte.
Procurei no corpo de Zilos Teauxd a carta. Seus dedos agitados me exibiram as suas mãos vazias. O dsnalgni sem se mostrar cerimonioso entrou na sala. Sentou-se em uma das cadeiras.
- Palaciano duoef, é comum em Liboririm o dsnalgni entrar na casa do destinatário. Um rápido tomar assento provoca em nós dsnalgnis eficaz descanso. Afinal percorremos ruas e mais ruas. Por mais que a pele liboririntática nos proteja contra os danos causados pelos sóis sentimos em demasia o abuso dos suores. Sorrimos ao executar nosso ofício. Há quem diga por maliciosidade que fazemos permuta com os destinatários das correspondências que entregamos. Um assento por uma carta. Que maldade!
A manhã ao me sorrir esperanças me alastrou à fraternidade de Zilos Teauxd. Ofereci-lhe água. Com simpatia o dsnalgni aceitou.
- Concordioso duoef, vossa água está mesmo deliciosa. Necessito à vista disso continuar a minha jornada de entrega de cartas. O duoef sabe ouvir com respeito. O duoef saberá ler a vossa carta com sabedoria.
Levantou-se da cadeira. Esperei que o dsnalgni nesse momento me entregasse a carta. Solicitou-me ir ao banheiro.
- Destinatário duoef, sejais paciente! Necessito agora ir ao vosso banheiro...
A porta do banheiro delicadamente se fechou. A porta da sala inesperada se abriu. Rajadas de vento se enfiaram na sala trazendo uma montanha cujas forças internas além de terem provocado enormes dobras nas paredes umedeceram o meu corpo. As mesmas lufadas de vento me levaram ao cume da montanha, local onde encontrei discos voadores e o envelope esperado.
TA - TERRÁQUEO ABDUZIDO
RÚBIO TALMA PERTINAX
RUA HESB, TNAIKCSTS XYDDRARS
LIBORIRIM
PLANALTO DOS METAIS - NESEMIX
PLANALTO DOS METAIS - NESEMIX
Veloz apanhei o envelope. O dsnalgni ainda se encontrava em minha casa liboririntática. Deixava-me as suas lembranças nos meus olhares. Vi a montanha e os discos voadores se dissolverem num turbilhão de vento, suores, champnaxs e serpentes.
Zilos Teauxd se despediu com sorrisos retirados das entranhas do seu íntimo. Seguiu o dsnalgni o rumo do vento.
Depois que eu li por várias vezes a carta recebida guardei-a na memória que me enchia de ânimos e povoava com ideias os meus pensamentos.
Sem vazios ou improvisos lembrei-me de SASZAIP TWISLSY G'TNYW, música emocionante e de rara beleza composta por Gbereel Luzas. Cantei-a por inteira depois que a noite se anunciou a Nesemix.
A carta, como me prometera o vromtaldy do tshilafosnymit, revelou-me o título da canção.
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