57º DRUNH, INQUAGU / O ABRIGO DA ÍNGREME RUA

Do melynt e do sempre eu me encontrava a uma grande distância. Tão afastado o konhme. Tão longínquo o meu coração se achava que comecei a ter dificuldades para coordenar as ideias. Elas se embaralhavam. Confundiam-se com a neve que surpreendente principiou a cair. Os sóis desapareceram. Não demorou, e a cidade de Marbcifm se cobriu com um manto branco. Corri em busca de um abrigo. Meus suores se fizeram frios, sólidos e pontudos. Uma íngreme rua surgiu entre os cristais de gelo convidando-me a escalá-la. Aceitei a proposta. Pelos cantos da rua percorri o que pensei, idealizei e imaginei serem as calçadas. Meus pensamentos rodopiavam. Mal havia dado cordas aos passos, e na procura pelo abrigo choquei-me com um enorme e alto prédio. Não recuei perante o arranha-céu. A intensidade da neve aumentava cada vez que as minhas ideias vacilavam, tremiam ou duvidavam que eu estivesse vivenciando o prazer do amor, a agrura do amor, a prisão do amor e a liberdade de um planeta diferente por completo do planeta Terra.
Liboririm me empurrou em direção ao prédio. Sem impedimentos abri a sua portada decorada com ornatos de metais. Não havia portaria nem escadas ou elevadores. Existiam apenas uma pequena sala e o nada. Irrefletida a portada se encostou na frialdade do ar como se a sala e o nada esperassem a chegada de mais alguém. Neste ínterim uma mesa e duas cadeiras pousaram no piso da sala. Ao ver os móveis voando experimentei a pulsação forte do meu coração. Senti-o retornando às minhas ideias que se organizavam e se juntavam aos elementos necessários do equilíbrio definitivo. Sentei-me em uma das cadeiras. Pressenti que a portada do prédio iria outra vez se abrir por completa naquele overebut.
Foi precisamente isto o que aconteceu. Adentrou-se à pequena sala e ao nada uma liboririntáquea que se chamava Gifana Guairm. Veloz como seria em breve o descongelamento dos meus suores ela ocupou a segunda cadeira. Disse-me:
- Alvo duoef, poderia eu ser a vossa haibavat. Repare que a minha altura é semelhante à vossa altura. Vossos olhos, atente, são bem parecidos com os meus olhos. Abrigue-se do mau tempo porque Eudaips não desejou que fosse assim! Não, nevado duoef, não sou a vossa haibavat. Sou sem dúvida nenhuma apenas uma colega de escola da sua verdadeira haibavat. Vim fazer um trabalho escolar com a vossa haibavat. Ela está?
A resposta à pergunta de Gifana Guairm se perdeu nos espantos. Localizei-a agarrada com unhas e dentes ao silêncio. É certo que eu possuía uma haibavat. Mas ela morava no planeta Terra.
Liboririm então libertou do silêncio a resposta.
- Não Gifana Guairm, ela não está. A minha haibavat se mudou. Foi morar nas cercanias do melynt. Sabe, o jogo?
Estupendas eram as janelas daquele prédio tão alto. Assim que terminei de responder à liboririntáquea todas as janelas se abriram. Não havia mais a neve. Marbcifm agora estava coberta por um manto dourado entrelaçado pelos raios solares.
Os sóis tomaram conta das ideias. Céleres os meus suores se descongelaram. Olhei para Gifana Guairm. Ela me olhava com ternura e malícia. Aos poucos o nada abandonou a sala. Foram nesses momentos que me apaixonei pela real colega de escola da minha irreal haibavat.
- Podemos fazer o seu trabalho escolar juntos. -ofereci-me.
Ajudei a Gifana Guairm completar o trabalho. Agradecida e prazenteira ela me contou que o seu sonho era ganhar o Concurso de Enelyss realizado todo konast em Marbcifm. Referiu-se ainda a uma tristeza que no íntimo dela se perdia de vista.
- Confiante duoef, minha maior tristeza a vós contarei. Em uma noite não muito remota fui abandonada em uma das praças da cidade por um namorado. Depois daquela noite não tive mais vontade de vê-lo. Não sei por onde ele anda. Talvez nem more mais em Marbcifm. Fora a tristeza que me ficou, todos os restos são neves passadas.
Gifana Guairm era bela, triste e engraçada. No mesmo drunh em que a conheci sonhei com ela. Meu amor pela enelyss me carregou de juvenilidades.
Profundamente inspirei. Sintomático me veio um frio na barriga quando vi a mesa e as duas cadeiras levitarem. Saíram do chão e regressaram ao alto da sala. Gifana Guairm fechou os olhos, tocou-me de leve. Sua tacicriz roçou branda a minha boca. O abrigo da íngreme rua explodiu no meu íntimo.
Quando abri os meus olhos o abrigo nem Gifana Guairm estavam presentes. Os sóis de Marbcifm pareciam conversar com o retrospecto da noite.
- Faiscante duoef, estou sempre a caminhar na passarela do espaço. Não fui embora. Não vos abandonei. Eudaips desejou que fosse assim!
Andando pelas calçadas fui recuperando o princípio do abrigo no que senti, idealizei e imaginei serem os cantos da íngreme rua. Marbcifm, a Cidade dos Amores, não era de brinquedo. Era de puro fascínio.
E tão perto da minha haibavat o meu coração permaneceu erguido acima do solo.