Calaram-se os meus risos e os risos de Gbereel Luzas. No íntimo do silêncio que no ambiente do bys-har se formou continuamos por um ou dois overebuts a beber e a rir. Nem eu nem o vromtaldy escutávamos mais as nossas risadas. Os risos não eram mais risos. Agora eram o fim da despedida, o início das lembranças. Gbereel Luzas desapareceu.
Retirei-me do bys-har que se dissipou em uma cortina de névoa. A minha visão se embaçou. Enquanto a falta de visibilidade brincava de me trazer a lucidez comecei a flutuar dentro da cerração. A temperatura climática que estava baixa principiou a subir. O nevoeiro prenunciava o calor.
Vagarosamente o ghersapse reapareceu à minha frente. Ainda flutuando procurei alargar os meus olhares com o intuito de encontrar alguém. Os olhares me ofertaram o fascínio irresistível da chegada dos sóis.
Não me sentia nem um pouco cansado. Cada vez mais a flutuação me aproximava do nachayran. A minha boca ao longo do tempo da flutuação ia se livrando do amargor e da secura distanciando-me do mal-estar da iwacse.
Quando impossível se tornou ver o ghersapse o traregu amanheceu de uma vez por todas. Eu não flutuava mais. Meus pés pousaram no corredor introdutório do nachayran. Prossegui a jornada entrando no agigantado brinquedo transportador. Assim que localizei o assento me coloquei na condição de assentado. Nada tardou para ser feito. Aconteceram os movimentos iniciais do nachayran. Fechei os olhos acometido que fiquei por uma sensação de ânsia que durou até o nachayran atingir uma velocidade admirável. Abri os olhos. Nada vi. Em nada peguei. Não me senti desacomodado. Estava no interior de um brinquedo paquidérmico, um objeto cruzando as extensões do tshilafosnymit. Eu não sabia o tempo da duração da viagem. Desejava ardentemente chegar a Marbcifm, a cidade dos amores.
Aos meus olhos o nachayran se mostrava vazio. Não ouvia um ruído sequer. Embora nada visse e ouvisse não acreditava que o nachayran estivesse desabitado. Inclinei a cabeça buscando no pensamento uma entrega ao meu espírito. Se o nachayran estivesse mesmo vazio eu teria durante a viagem a orientação da fé. Se não houvesse pelo menos outro corpo no nachayran ao chegar em Marbcifm eu saberia como buscá-lo. Ou como nas maiorias das vezes eu, o abduzido terráqueo, seria encontrado.
Ao chegar em Marbcifm almejei a claridade dos sóis. A cidade enfiada no tshilafosnymit me pareceu ser um filme feito em estúdio sem cenas externas. Um filme realizado em função do cenário.
- O tshilafosnymit é o cenário! -falei a ninguém empolgado como um bravateador.
Depois que abandonei as dependências do nachayran tive a impressão de estar sendo observado. Não demorou. A impressão deixou de ser uma opinião sem maior fundamento. Constatei que da janela de uma das casas uma liboririntáquea me espreitava. Acenei-lhe com vasto sorriso. A janela se fechou. Seja lá quem estivesse dentro daquela casa parecia não possuir total poder sobre a janela.
Quantos enganos podem existir em um só coração? E o meu coração de um momento para o outro agitou-se querendo o bem àquela liboririntática que eu nem sabia quem era. Respirei aliviado porque a janela voltou a se abrir. Surgiu do espaço da casa uma jovem que parecia ser uma velha.
- Designado duoef, vossa presença em Marbcifm me alegra. Venha comigo jogar melynt. Podemos caminhar de mãos dadas. O duoef assim quer?
Minha mão se deu à mão da melyntxew. Sua mão tinha uma pele velha que parecia ser jovem. Recebi de Iarda Tavana carinho e dedicação exclusiva. Ela me conduziu pelas ruas sossegadas de Marbcifm.
- O que existe além dos limites de Marbcifm? -perguntei-lhe ao olhar para trás e ver o nachayran se desfazendo no espaço.
- Inclinado duoef, respondo à vossa pergunta sem retirar da vossa mão a minha mão. Além dos limites existem as continuações e os novos encontros de Marbcifm. Venha duoef para mais próximo de mim.
Encostei-me ainda mais em Iarda Tavana. Eu simplesmente, assim sem mais nem menos, amava-a sem saber nada sobre o amor. Seu corpo junto ao meu me transmitia um amor próximo do futuro. Era como se eu ainda fosse encontrá-la.
- Vindouro duoef vede vós onde chegamos.
Estávamos sobre teclas vermelhas em equilíbrio no espaço. Teclas semelhantes às teclas das terráqueas e remotas máquinas de escrever. Não existiam no entanto nessas teclas letras ou quaisquer símbolos que as identificassem.
- Brando duoef, eu vos ensinarei a manejar com destreza o melynt, um jogo para sempre. Prestai vós atenção! Cada um destes pontos vermelhos quando tocados pelos pés emitem sons diferenciados. Será necessário ao melynt que eu desapareça. O duoef ao me procurar caminhará sobre os pontos vermelhos. Ouvirá os sons musicais provenientes da vossa busca. Não retenha na vossa memória os pontos de onde saem os sons. Memorize cada um dos sons musicais que ouvir durante os três primeiros overebuts da vossa procura por mim. Depois desse tempo que vai se realizando pelo menos um dos pontos vermelhos do melynt mudará de cor por interferência dos raios solares. Quando isso acontecer o duoef deverá repetir aos vossos sentimentos todos os sons musicais que ouvistes do melynt. Há um detalhe importante amorativo duoef: ao conversar com os vossos sentimentos a repetição dos sons musicais deverá ser feita em sequência contrária à sequência reproduzida pelo melynt.
Comecei a sentir frio sentindo calor. Não encontrei os silêncios nem as palavras. Iarda Tavana afastou-se do meu corpo, da minha mão. O seu desaparecimento me entristeceu. Suspirei e chorei. Lágrimas se derramaram nos pontos no tempo do traregu e nos pontos vermelhos do melynt. Uma tempestade inesperada caiu sobre a cidade de Marbcifm. Os sóis se esconderam nas nuvens. As rajadas de vento me arremessaram para bem distante do melynt.
