- Amigável duoef, levará alguns overebuts para que os vossos olhos se acostumem com o meu resplendor.
- Quem me trouxe à sua morada?
- Transformante duoef, quem vos conduziu até aqui foi o klyweb Nal Draxepen e Ptaqedo, o hooohogdoh. Assim que vossos olhares encontraram os meus olhares Nal Draxepen, acometido de ânsias, foi embora. E a volta do klyweb e de Ptaqedo à Belymzwa acabou de acontecer.
Movimentei a cabeça girando os meus olhares pelas dependências do que eu imaginava ser a casa daquele ente do sexo feminino, a quem a minha intuição atribuía poderes sobrenaturais.
Queria transmutar em realidade o sonho. E se fosse o sonho todas aquelas lembranças que andavam à volta dos pensamentos eu precisaria acordar o mais rápido possível. Mas de qual maneira e com que intensidade? Meus olhos pareciam abertos e já tomados de costume pelos brilhos procedentes da liboririntática de extraordinária beleza e encanto.
As lembranças me levaram à belíssima estrada Belymzwa. Eu havia ficado diante de uma klymba, de Nal Draxepen, o klyweb, e de um hooohogdoh. O animal ao me ver lançou fora de si grunhidos. O klyweb deleitando-se com a tanta pujança solar se manifestou:
- Compadre duoef, eu e Ptaqedo, o meu hooohogdoh, no oriente de Belymzwa vos vimos. Sou um klyweb viajando em direção à excelência de Redag Cernka. Sei que não sei muitas coisas porque não finjo que sei. Aliás nem sei com certeza o que significa excelência. Vivo momentos que por várias vezes tenho a impressão de que o meu hooohogdoh sabe mais coisas do que eu. Só sei na vida liboririntática amar a minha klywba. Ela me tirou do fundo do poço. E agradeço todo drunh a Eudaips por ter imaginado e feito o meu caminho se cruzar com o caminho de Ptaqedo.
Dava atenção com presteza e cuidado às palavras do klyweb e nos movimentos do agora silencioso hooohogdoh. Nal Draxepen se expressava com carisma. Ptaqedo parecia compreender as intenções das palavras do seu dono. O hooohogdoh de um instante para o outro iniciou uma correria em círculos ocasionando ventania. Impetuoso e contínuo vento preencheu os meus sentidos com imagens do Rio Ojand. O sonho continuava no mesmo lugar e o rio em diversos lugares. A realidade é que era outra. Não havia mais a estrada Belymzwa. Agora eram as águas do rio que tomavam conta da paisagem.
A pouco e pouco Ptaqedo parou o seu corre-corre circulatório. Na margem esquerda do Rio Ojand o denodado hooohogdoh desenterrou várias dughus. Nal Draxepen sorriu. Apanhou algumas dughus. Atirou-as uma a uma no ar. Uma das dughus atravessou o rio e se cravou no chão da outra margem do Ojand. Ao ver a sua façanha soltou uma longa risada.
- Compadre duoef, eu e Ptaqedo sabemos que o vosso desejo de agora é arremessar dughus no ar tentando colocá-las na outra margem do rio. Não tenhais timidez, receios e vinde satisfazer a vossa vontade. Lançando com força as dughus para longe sabereis e compreendereis outras coisas. Vinde!
Fui. O Rio Ojand é largo. Embora distante a margem direita fartou-se de dughus. Jogá-las no ar me abasteceu de alegria tamanha que eu não queria mais acordar caso estivesse mesmo dormindo.
- Compadre duoef, haveis de me dar razão. Sentis e aprendeis que arremessar dughus funciona como um combustível de alegria e vigor. Precisamos prosseguir nos nossos caminhos. São eles que ajudam Eudaips a cuidar da nossa integridade. Em troca vibramos para a glória do Criador de Liboririm.
Não parava de prestar atenção aos dizeres do klyweb. Outra vez o hooohogdoh principiou a girar. Quanto mais os meus olhares se focavam em Ptaqedo mais a minha mente abandonava o Rio Ojand e as palavras de Nal Draxepen.
- Compadre duoef, não podemos mais ficar em vossa amigável companhia. Urge que eu e Ptaqedo retornemos à estrada Belymzwa e continuemos nosso percurso até Redag Cernka. Não deixaremos o duoef sem ninguém ao vosso lado. Levaremos o compadre à presença de Haragna Clijhna, a agnyl.
Logo que finalizou a última frase Nal Draxepen desinteressado ao que eu gostaria que fosse desapareceu. Com ele dissipou-se também a klywba e o hooohogdoh. A invisibilidade e a partida do klyweb agiu em minha mente como um aplicativo o que facilitou o compassado processo do despertar.
- Amigável duoef, levará alguns overebuts para que os vossos olhos se acostumem com o meu resplendor. -disse-me a agnyl.
Sob a pujança solar do Planalto dos Metais fui acordando em grau menor do que o habitual sem acreditar que estivesse dormido um overebut qualquer. Quando os meus olhos me fizeram constatar a realidade o olfato reagiu ao aprazível aroma do hálito de Haragna Clijhna.
Não havia mais casa ao redor da agnyl. Por conseguinte entendi que o estar de Haragna Clijhna não tinha ligações com locais determinados. Ela podia possuir forma e medida humana. Seu aspecto era sedutor. Enquanto estivemos juntos em algum lugar situado nos silêncios da estrada Belymzwa o seu rosto foi se mantendo afastado das características anatômicas liboririntáticas.
O tempo que passei ao lado de Haragna Clijhna fortaleceu a minha conectividade com o planeta Liboririm. Sentia-o eficaz e duradouro. Esforçava-me em ser merecedor da convivência com a agnyl.
A noite em Belymzwa vibrava nas claridades das estrelas. Eu não cessava de caminhar. Antes de o novo drunh amanhecer Haragna Clijhna ressurgiu dos silêncios como se me prezasse intensamente. Sua voz era viva e bem-humorada.
A noite em Belymzwa vibrava nas claridades das estrelas. Eu não cessava de caminhar. Antes de o novo drunh amanhecer Haragna Clijhna ressurgiu dos silêncios como se me prezasse intensamente. Sua voz era viva e bem-humorada.
- Arremessador duoef, próximos estão os sóis. Em breve eles iluminarão o Planalto dos Metais. Continueis a caminhar pela estrada Belymzwa. Não se preocupeis porque não me converterei numa liboririntáquea velha e feia com seios que alcançam os joelhos e que vos atacareis enrolando os longos cabelos em vossas pernas arrastando-a para as profundas do Rio Ojand. Volto a vos dizer que continueis caminhando. Quando o novo drunh amanhecer o duoef sentirá mais calor do que o que tem normalmente sentido. Um pusagueb voará sobre o duoef. Significa que o caminhante não tardará a encontrar um liboririntáqueo cujos enormes pés são voltados para trás.
