43º DRUNH, TURAYDO / QUEM VEM LÁ?

Análogas às espaçonaves sustentadas apenas pela ação das asas as flores ficaram planando dentro de um vaso gelatinoso. Colykya Ledert entrou em um cômodo da franyz deixando-me por overebuts em companhia dos livros presentes sobre as prateleiras que seguiam os rumos das paredes inclinadas da sala. Os livros de inúmeros tamanhos não eram de papel. As capas feitas de metal, umas flexíveis, outras rígidas, continham uma peça arredondada semelhante a um botão que ao ser tocada produzia um aroma relacionado ao assunto do qual o livro se dedicava. Entretive-me em tratos íntimos com esse mecanismo produtor de cheiros. As páginas dos livros tinham como matéria-prima fibras artificiais e não eram numeradas. Em cada página a presença de uma marca, timbre que designava pertencer o livro à Lincib Onbsaor. A essa insígnia se juntavam rabiscos retilíneos que vagavam pelas palavras impressas.
Quanto mais me envolvia com os livros multiplicava conscientemente o meu tempo de permanência na franyz Ybsraoy. Senti que Colykya Ledert me deixara sozinho naquela sala para que eu exercesse interação com os objetos decorativos e com as energias do silêncio. Fui preenchido por um vigor que me fez visitar em grande extensão os sentidos daqueles livros.
Os overebuts se transformaram em longo tempo. Motivado pelos ares da franyz fui a uma das janelas da casa. Percebi que a noite cavalgava para fora do drunh. Este sair de dentro provocou, resultou naturalmente a chegada do outro drunh. As transições da noite para o drunh e do drunh para a noite consistiam em belezas extraordinárias, fantásticas. E ao perceber a noite começando a se estampar no drunh adquiri por meio da visão a imagem, no horizonte ensolarado, de um zvaolac que atravessava os campos metalizados da Ybsraoy. A uma média distância da casa da franyz o zvaolac interrompeu a sua marcha. Ficou parado como medisse os meus pensamentos.
- Acho que chegou o instante de retornar. Já tenho saudades de Nesemix. Quem vem lá? -pensei indagando-me.
O zvaolac se moveu novamente. Não fugi do sorriso ao ver Colykya Ledert escarranchada sobre o dorso do animal. A otsclaplayd e o zvaolac se introduziram na sala. Fechei e devolvi às paredes inclinadas o livro que estava a segurar. Colykya Ledert emitiu um som agudo produzido pelo ar comprimido na sua tacicriz. Como resultado do assobio um outro zvaolac surgiu no centro da sala. Compreendi os olhares da esposa do franyzdno. Eles me convidavam a montar nos pelos do elegante zvaolac.
- Inconfundível duoef, chame-o de A-capzec. É o seu nome. -informou-me a otsclaplayd.
Assim que me firmei no lombo de A-capzec agarrei-me ao seu pescoço. Saímos em disparada. Colykya Ledert me passava algumas instruções de como me comportar em cima do zvaolac. Quando consegui retirar as minhas mãos do pescoço do animal ela me apresentou detalhes das paisagens da localidade onde Ybsraoy fora construída. Estimulado pelas belezas da franyz desejei ir às partes recônditas dos campos metalizados.
- Nobre duoef, nos pusemos a caminho.
Depois de muito tempo chegamos a uma pedra de grandes dimensões chamada Redag Cernka, a única elevação rochosa que há no Planalto dos Metais. O rochedo quando desmontei de A-capzec se encostava na noite e as bárbaras estrelas de brilhos que até então nunca tinha visto me mostraram que a montanha de pedra era entremesclada com cavernas.
- Saudoso duoef, o tempo liboririntático não perde jamais o gosto pelo escutar. Falo ao duoef que as cavernas sabem o caminho para Nesemix. Vossos passos são guiados pelas luzes da vossa mente, alma e protegidos pelos entusiasmos de Eudaips.
Colykya Ledert assobiou. Dessa vez o som do assobio foi grave. Propiciou a A-capzec partir levantando poeira.
- Unido duoef, siga em frente!
Ao chegar caminhando às entradas das cavernas procurei pela otsclaplayd. Ela em seu zvaolac campeava no infinito do horizonte sendo provável que a sua direção era Ybsraoy.
Penetrei no interior de Redag Cernka. As paredes das cavernas cintilavam. Desenvolviam-se as cavernas horizontalmente em forma de salão. Assim como as flores de Colykya Ledert retiradas por Lincib Onbsaor dos seus próprios olhos que ficaram planando dentro de um vaso gelatinoso me extasiei ao ver partículas de Redag Cernka flutuarem no espaço das cavernas. E foram as partículas provenientes das rochas desabadas que formaram a trilha, o caminho por onde eu deveria seguir.
Caminhei por muito tempo no ambiente cavernícola. Parecia que nada iria acontecer. Uma hipótese que se afigurou errada porque inesperadamente, a voz era femínea, ouvi alguém perguntando:
- Quem vem lá?