42º DRUNH, MINODGU / RETORNO AO AGORA DE YBSRAOY

O vento apaziguado continuou a me fazer companhia. O ar roçava o meu rosto com movimentos brandos. O liboririntático bonançoso que me informou ser um franyzdno estava por inteiro fora dos domínios da Janela Paralela. Repetiu-me de maneira rústica o seu nome:
- Lincib Onbsaor.
Afastei-me das paredes. Elas não me causavam mais a sensação de estar preso em suas entranhas. Aproximei-me do franyzdno. Ele deixou que eu o tocasse com as minhas mãos perplexas. Perplexas porque assim que o toquei uma outra parede nasceu e feito um muro nos separou da Janela Paralela. As mãos foram aos meus olhos atônitos. Espantado com os ruídos provenientes da parede forte vi Lincib Onbsaor se sentar no ápice da vedação feita de metal e cristal. Sentado e introspectivo, sem rodeios e mediações o franyzdno iniciou uma conversação, uma palestra indecifrável e estranha usando um idioma que fugia dos meus conhecimentos. O liboririntáqueo parecia ter entrado em transe. Mostrava sinais de semi-inconsciência. Às vezes, sem parar de falar, olhava-me com curiosidade; outras vezes se atentava às palavras que pronunciava e à parede erguida na repentinidade.
Subitamente como se aquele idioma fora do comum, enigmático, estivesse cumprindo a parte final de uma missão ou ritual na mente e na inteligência do seu executor o silêncio se apoderou da hawi. Sem os estouros do nascimento a parede forte se encolheu até o seu próprio fim. Lincib Onbsaor retornou ao chão. Outra vez o espanto me alcançou porque a Janela Paralela e o tapume metalizado e cristalizado não estavam mais presentes. Neste momento a fisionomia do franyzdno conseguiu se mostrar mais serena do que ela estava quando ele a mim se identificou.
Liboririm não se estancava. Drunh após drunh o planeta me direcionava às aventuras psíquicas, comportamentais e aos novos conhecimentos. Eu observava. Também acreditava que as minhas reações estavam sendo olhadas com atenção, estudadas. Mostrava-me ininterrupto e veloz o tempo. Cada vez que um novo drunh surgia eu recebia de forma particular o ser do agir liboririntático. Eu não duvidava mais que os sentimentos em Liboririm se chamavam tempo, que os pensamentos progrediam no tempo em velocidades diferenciadas, que o amor tinha como nascente a velocidade e o tempo de Eudaips.
A serenidade sucessiva dos olhos de Lincib Onbsaor me entregaram flores. Ao recebê-las eu estava dentro de uma pequena nave em pleno voo. Não pude deixar de me lembrar de Sda Nakabyn, a dlannyrya. Do alto do meu voo com o franyzdno vi a cidade de Nesemix, os campos metalizados e as várias franyz.
- Idiomático duoef, a Janela Paralela continua nos hokils da Dew'Wed. Nós, como podeis constatar, é que não estamos mais nas dependências físicas da seita. Não se preocupe porque a dlannyrya está bem. Não se esqueça de que a dança é a felicidade de Sda Nakabyn. Como vos falei konhme sou um franyzdno, mas também me interesso por Linguística, que confio ser o meu verdadeiro dom. Estudo a evolução do meu idioma. O liboririmkes passou por diversas etapas até chegar à forma atual. Quando eu estava sentado no ápice da parede forte me expressei no antiguíssimo e sagrado dialeto libotticorim do liboririmkes, variedade linguística liboririntática que não teve escrita até Eudaips configurar este dialeto e escrever o Liboririm. Sim leal duoef o Liboririm foi escrito em libotticorim. As palavras que eu pronunciei naquele momento são invocatórias, um mantra que implorava a proteção de Eudaips. O duoef deve ter pensado que o franyzdno no alto daquele muro era um transespacial...  Estamos prestes a chegar em Ybsraoy, uma das minhas franyz. As flores que vieram dos meus olhos peço ao duoef entregá-las à minha esposa. Ela é otsclaplayd e se chama Colykya Ledert. Não poderei estar com o duoef em Ybsraoy porque é premente eu continuar a viagem até Slaydan, uma outra franyz. Essa franyz está ameaçada pelos perigos da alimentação irradiada. Não está nada boa a saúde do raben. Gostei muitíssimo de conhecê-lo duoef.
Um balanço intenso e inesperado da pequena nave jogou-me deitado para dentro de uma varanda. Próximo do alpendre um curral cercado com cerca metalizada de tempos em tempos ficava visível e eu conseguia ver o raben de Ybsraoy. Do mesmo modo como os liboririntáqueos os animais superiores liboririntáticos possuem o conhecimento do mundo externo proporcionado por processo sensorial consciente atrelado com um processo psicológico. Engraçado. Os terráqueos também são assim. Acredito que o meu estonteamento  multiplicado pelo fluxo de velocidade que me retirou da pequena nave de Lincib Onbsaor desenvolveu na minha visão uma invisibilidade que eu a senti como se o escondimento da coisa em si e das paisagens abrangesse somente irreais intervalos do tempo e não abarcasse a totalidade do espaço. Na realidade liboririntática a invisibilidade da minha visão durou uma milionésima parte de uma fração de um foroac. 
- Do aqui vim para o aqui. Retornei ao agora. -quase gritei segurando as flores.
- Mental duoef, quanta otsclaplay inclusa em vossas visitantes e quase gritantes palavras. Levante-se e  seja bem-vindo a Ybsraoy.! Aposto que foi a serenidade dos olhos do meu marido Lincib Onbsaor que passou ás vossas mãos estas maravilhosas flores.
- Sim. Elas são suas a pedido do franyzdno.
Passei-lhe as flores. Colykya Ledert sugeriu que saíssemos da varanda e entrássemos na casa principal da franyz.
Ao percorrer a sala com os meus olhares inabaláveis encontrei livros liboririntáticos sobre agricultura, pecuária, misticismo, linguística, semântica e otsclaplay.