41º DRUNH, ABATXEGU / O VENTO E O BUQUÊ

Com cuidado a dlannyrya Sda Nakabyn fixou em seu corpo os movimentos em toda a sua verdade. Ela sorriu sem dramaticidade. Sua voz com suavidade deslizou no vento aquietado. A dlannyrya cada vez mais se clareou aos meus olhos. Eu senti a sua sensualidade se espalhar em volta da Janela Paralela. O abstrato espalhamento me transportou aos terrenos dos desejos, das excitações. Procurei retirar da rua, que naquele momento eu achava ser a minha mente, as barricas que se entrincheiravam no caminho com o objetivo de fazer oposição à tesura que me fazia feito um sonho respirar. Quando a barricada se desmantelou a claridade dos sóis atravessou a Janela Paralela. O meu corpo se encostou no corpo de Sda Nakabyn e ao lado da dlannyrya fui às altas aberturas da janela sem receio mórbido de cair.
- Sda Nakabyn é nascida do silêncio? -não parava de me perguntar.
Desde que a dlannyrya no final do txetagu a mim se identificara não ouvi mais a sua voz. Seu corpo em constantes movimentos fazia a vez das palavras. Eu compreendia com nitidez os seus dizeres corporais. Ela não me narraria a sua história nem me faria prisioneiro das suas poesias dançantes.
A claridade se fazia íntima do silêncio. Corpos e almas recebiam as energias imaculadas provenientes do novo drunh anunciado pelos vãos livres da Janela Paralela. Os olhos da dlannyrya levaram os meus olhos aos arredores daquela janela que permitia entrar a luz, o ar e deixava descoberto a parte essencial, o substrato das almas. Nas paredes onde a janela se apoiava nossos olhos viram as barcas de metal conduzindo condenados pelas águas do Rio Ojand. Também enxergamos uma liboririntáquea e um liboririntáqueo se beijarem sem traição. Não demorou para vermos um ceybyfro nos braços de Eudaips.
Ainda nas alturas procurei no silêncio tatear a parede que pressenti a mais visível. A ação do apalpamento me presenteou com sucessões de ideias, sensações e teorias, mas principalmente me certificou que a realidade liboririntática aceitava de maneira fantástica a prática da poetização.
As mãos de Sda Nakabyn apertaram as minhas mãos. Aceitei que o meu encontro com ela se traduzisse em sinais de nascentes, fantasias, encantos, fertilidades, júbilos, sacralizações.
Talvez fosse o tempo próprio de aprender a ir ao outro lado da Janela Paralela ou quem sabe permanecer afinado com a paciência e esperar que os caminhos liboririntáticos libertassem a dlannyrya dos konasts silenciais e a concedesse ao meu destino. A espera, o tempo, esperança e o período da vida transgrediram o silêncio de Sda Nakabyn.
- Loquaz duoef, passamos tanto tempo juntos desde que me identifiquei ao duoef. Vós achastes a Janela Paralela sem temer os obstáculos. Vós viestes ao meu encontro ou nos meus movimentos sempre sou eu quem vos espera? O silêncio se ergue em minha fé. A dança é a minha felicidade. Vossas traduções não são erradas. Nosso encontro é dádiva. Estamos no solo da Seita Dew'Wed e a ela tenho gratidão. Foi a Dew'Wed que me brindou com o tempo místico de aprender. E aprendi a me ouvir, a caminhar. Antes de todo o aprendizado recebi de Eudaips o dom da dança.
A voz da dlannyrya se tornou diferente. Não se afastou da sensualidade, mas se fez próxima de uma explosão. Toda a sua verdade em exposição mexeu com o vento aquietado. A Janela Paralela se moveu. A claridade atravessada lentamente na janela foi me fazendo descer. Ao tocar os meus pés nos brilhos do chão olhei para cima e me extasiei com a imagem de Sda Nakabyn. Ela agitava o corpo executando uma dança voluptuosa, lasciva e deleitosa. Sua voz outra vez veio a mim:
- Facundo duoef, o vento agora abandonará a quietude, finura. Sinta como o ar está vigoroso. Meus olhares atingiram o outro lado da Janela Paralela. Significa que antes de os pensamentos do duoef tatearem a minha invisibilidade eu estarei dançando no teatro dos meus sonhos e tendo na mão o buquê que acabam de me atirar cumprimentarei o público que está ainda a me aplaudir.
O vento passou a ser tempestuoso, um verdadeiro tufão. Agarrei-me às paredes da Dew'Wed. Sda Nakabyn entrou pelas altas aberturas da Janela Paralela. Desapareceu. Meus pensamentos ciclônicos tatearam a invisibilidade da dlannyrya. O vento balançou o meu rosto e acreditei ter escutado aplausos.
A janela não havia se proposto ao fim. Mostrava-me os efeitos do vento sobre ela e a sua vida se prolongava para sempre.
Ao lado do vento fortíssimo eu assemelhava estar preso às paredes quando pelas altas aberturas da Janela Paralela surgiu vindo do outro lado um liboririntáqueo bonançoso que com a sua presença conseguiu aquietar novamente o vento.
- Bem-soante duoef, sou Lincib Onbsaor, o franyzdno.