- Trilhador duoef, não tardará e os sóis ressurgirão trazendo a este novo drunh a claridade. Vossa presença na exposição muito me honrou. Dihon Hmanah, o meu agisquoti, falou-me do duoef. Ficamos receosos de vós recusardes o convite. -falou-me o pralat sitscat Otnap Xped conduzindo-me a um assento colocado sob um dos seus quadros.
- Como sabe que foi este o quadro que mais me chamou a atenção? Não que eu não tenha gostado dos outros quadros. Todos são excelentes e revolucionárias obras de arte, mas...
- Prestigiador duoef, percebi a maneira que os vossos olhos se viraram para este meu trabalho. Por consequência senti que o vosso corpo, pensamento e espírito se manifestaram positivamente em relação ao quadro que muito tempo antes de eu construí-lo o denominei de O QUE HÁ DE VIR.
- Um título sugestivo para um quadro profético e futurista.
- Reconhecedor duoef, respeito a vossa opinião. Estou honrado porque o duoef veio à minha exposição. Deixe-me sentar ao vosso lado. Agora desejo que vós relatei o que aconteceu depois que o meu agisquoti se retirou da vossa casa na Rua Hesb.
Antes de iniciar a minha narração olhei mais uma vez para O QUE HÁ DE VIR com a esperança de que o quadro me fornecesse capacidade de ser objetivo sem ser corriqueiro e de ser subjetivo sem empregar uma linguagem impostora.
- Otnap Xped, konhme foi um drunh transcorrido na harmonia da minha nova casa com o meu corpo, pensamento e espírito. Depois que Dihon Hmanah deixou-me sozinho ao lado das paredes e dos móveis procurei me acalmar mais ainda do que estava sereno. Sentia-me sossegado. A casa exalava um aroma que me transportava à baunilha, uma planta terrena cujo fruto é uma vagem alongada que é empregada em confeitaria e perfumaria. Pensei em me sentar. Antes de me aproximar da poltrona fui à janela e a escancarei. O drunh se prolongava em forte calor. Desejei os ventos. As árvores metalizadas e as poucas árvores clorofiladas se mantinham estáticas. Ainda próximo à janela percebi que a antessala fora construída com uma curvatura que recebia os raios de sóis. Sem fazer esforços visuais vislumbrei a bela imagem criada pelos raios solares na antessala. Ainda por alguns overebuts fiquei a me deleitar com aquela visão que me fornecia alegria. Adquiria conhecimento de que a minha adaptação à vida liboririntática se desenvolvia ligeiramente. Enxergava de longe que mesmo se a adaptação pontuasse nos níveis mais altos da superação e aceitação eu ainda assim estaria servindo a minha natureza de profundas realizações humanas.
Otnap Xped mexeu a sua tacicriz dando-me a entender que sorria. Eu também sorri para o artista plástico e continuei o relato.
- Volto a dizer que konhme foi um drunh transcorrido na harmonia da minha nova casa com o meu corpo, pensamento e espírito. Aproveitei da minha calma e abri todas as janelas da nova casa. As claridades me exibiram os receios e as afoitezas das ranhuras. Admirado com os entalhes que se efetuavam nas realidades das paredes me apressei no ato de me aproximar das ranhuras. Quanto mais perto delas minha visão se achegava maiores elas se tornavam. Eram grandes o suficiente para receber o meu corpo. Afastei-me das paredes por serem elas coisas maravilhosas. Minha atenção solicitava-me atenção. Via coisas sensacionais. Os sóis do Planalto dos Metais semeavam tonalidades diferentes nos cômodos da casa. Intuía que as tonalidades pediam atenção redobrada porque poderiam ser sinais capazes de serem memorizados. Os tempos não secavam, as flores não murchavam, as árvores agora se mexiam e os ventos vieram da permanência do sempre. Com os ventos chegou a tarde.
A sede me fez parar de falar. Otnap Xped se levantou e foi buscar água. Regressou trazendo uma garrafa revestida de gelo. Ao me servir o líquido ouvi a sua voz se concentrar na minha mente.
- Artístico duoef, eu não deixaria de ser artista mesmo se em algum drunh o Governo do meu planeta reprimisse, violentasse a minha arte. Certos quadros que fiz durante a minha vida não foram entendidos por muitos liboririntáqueos, mas a minha sede pela arte é muito bem compreendida pelos liboririntáqueos. A água está precisa em seu efeito refrescante. Vamos, continue a me contar...
- Desejei mais do que nunca ir à noite à exposição dos seus últimos trabalhos e preencher com alegria o convite de Dihon Hmanah. Este desejo flutuou-me no sentimento um instante beijado. O beijo me transmitiu uma missão. A incumbência de que eu deveria dar tudo ao meu futuro liboririntático. Só assim o meu futuro, feito os seus quadros, seria construído. Quando a noite, assim como me falara Dihon Hmanah, começou a abraçar os 4 sóis de Nesemix saí da minha casa. Diante da Rua Hesb tentei não me preocupar com os sentidos direito e esquerdo. Não consegui. A direita e a esquerda me fizeram cego. Lancei-me à direita procurando o que haveria de vir focalizando os meus ouvidos nos barulhos de Nesemix. Ao me jogar à esquerda achei melhor acender velas. Quem sabe assim encontraria o que haveria de vir anulando a escuridão. Ambos os sentidos começaram a me deixar fora de mim. De maneira nenhuma seria submetido a uma deformação. Recobrei-me. Expressei aos ventos o meu desejo de ir à exposição do pralat sitscat Otnap Xped. Sem pressa os ventos principiaram o arremate do abraço da noite nos 4 sóis de Nesemix. Busquei as minhas memórias e elas me conduziram de volta ao interior da minha nova casa. Cabível nas ranhuras das paredes da antessala caminhei tranquilamente pela Rua Hesb sem me preocupar com os sentidos direito e esquerdo. Não demorei a encontrar o exato local da exposição dos seus últimos trabalhos. Aliás, por qual motivo, meu caro pralat sitscat, os quadros da sua exposição são chamados de últimos trabalhos?
