Quando no espaço entre a Rua Hesb e as nuvens altas de Nesemix o genpinemt desapareceu avancei alguns passos em direção da nova realidade da casa, o meu refúgio liboririntático. O meu caminhar não se comportava trôpego. A cada distância percorrida procurava guardar na memória as esquinas que me transmitiam possibilidades de descobertas.
Inevitável senti que a reforma da casa me anunciava a uma original idade que o tempo de Liboririm fazia viver dentro de mim. A chegada desta incomum idade ao meu corpo me causou uma sensação rejuvenescente e uma aceitação tranquila de que eu ainda teria muitos konasts de existência.
- Doravante arriscarei permanecer mais tempo no interior da casa. -traduzi em silêncio os meus sentimentos contraditórios.
Antes de entrar no interior da casa percebi tão perto a sombra de um vulto se projetar na soleira. A sensualidade se declarou aos meus olhares. Fui tomado por um afã incendiário ao notar a presença do feminino ser. Instintual me virei para a esquerda. A sombra casualmente encontrada movimentou-se sobre o meu corpo e se aproximou do corpo da liboririntáquea que a fazia existir. Compreendi que o meu conceito terreno de estética de beleza se ajustava aos padrões liboririntáticos.
Os sóis se moviam para o poente na vastidão do Planalto dos Metais. Fixei-me na forma do corpo que me lançava olhares, sons de curiosidades e agrados de boas vindas.
- Aviventado duoef sou Lyelky Moemby, a vossa vizinha. Ouvi a vossa voz se misturando com a voz do genpinemt. Não tive dúvidas de que o duoef estava de regresso da viagem a Butrew. Estou em vossa presença por vontade própria. Agora o duoef poderá usufruir da vossa nova casa, que se resultou muito bonita e confortável.
- Está inteiramente certa minha estimada vizinha Lyelky Moemby. Ainda nem entrei na casa e sem demora sinto o tanto que ela é adequada às minhas necessidades.
- Camaradesco duoef não percais nem mais um foroac do Dosugno. Entreis em vossa casa e descanseis! Tenho algo a vos oferecer...
Lyelky Moemby deixou as palavras de lado. Correu ao quintal da sua casa e apanhou em um bloco de pedra semelhante a um altar uma jarra de metal repleta de brilhos, êxtases e água. Apresentou-me a jarra sem me dizer nada. Apenas me olhou sem curiosidades, o que me conservou satisfeito.
Com a jarra colada ao corpo retornei os passos em direção à porta de entrada da casa.
Os sóis de Nesemix pertenciam ao Planalto dos Metais. Eu um ser peculiar do planeta Terra. A casa reformada era de propriedade do Governo Liboririntático. Eu sabia que ainda desfrutaria daquela casa por outros tantos drunhs. Lyelky Moemby e a jarra sagrada eram pertencentes à imaginação ou se aplicavam ao meu destino liboririntático?
A entrada da casa se mexeu. Queria que a resposta viesse à minha frente. Conduzisse-me de mãos dadas ao meu quarto porque de súbito o sono chegou e iniciou a tomar para si a minha sombra que já se encontrava na sala da moradia. Antes de ir ao meu quarto e me jogar intrépido na cama fui à cozinha. Entornei no copo a água, os brilhos e os êxtases da jarra de metal. O líquido se fez congelado e aos poucos o bebi sentindo o abrandamento da minha sede e a intensificação do derretimento da água.
Durante o tempo em que a água cintilante e o enlevamento se prolongaram na minha garganta e existência necessitei da inspiração e do entusiasmo criador. Pensei em uma canoa cujos remos de metal desejei que se movessem nas águas do artificial Rio Graepia porque só os meus pensamentos sabiam a direção dos meus sonhos. E os meus sonhos não fugiam da minha cabeça porque precisavam de proteção.
Farto de água entrei no meu quarto. De maneira desigual à figura que sai de uma caixa de surpresa chegou-me o prazer inesperado ao me deitar de costas completamente nu na cama levitada. Dormi abraçado à onírica imagem do interior da casa onde eu residia no planeta Terra. Durante as noites liboririntáticas várias vezes sonhava com a minha casa terrena.
E no decorrer de um desses sonhos, talvez no sonho da original inclusão da atividade perceptiva em uma jarra de metal repleta de brilhos, êxtases e água, a minha vizinha Lyelky Moemby por cima das sombras ressurgiu usando uma roupa que me pareceu feita de açúcar, gema de ovo, leite de coco. Presenteou-me com um ombyybmo recheado com sraali.
- Confeitado duoef agora segure as minhas mãos. Ela vos levará onde os pensamentos intencionarem ir nos sentimentos que vós sonhardes.
Cúmplice do sono e da cama eu permaneci em levitação. Os meus pensamentos e sentimentos somados ao tempo liboririntático e aos sonhos ocasionavam outras direções nos meus costumes ambíguos, fractais e avassaladores.
Sedento ou saciado, salgado ou doce, próximo ou distante, suposição ou certeza em qualquer momento eu acordaria. Seja lá o que me fizesse acordar nada mais de amor, ódio, pudor e medo me proibiria de me erguer acima do solo e ir sem ponto de apoio ao espaço.
