35º DRUNH, INSEGOGU / O FIM DA REFORMA

Saí das dependências do tromert.
Afastei-me do tromert ao atingir o nível da rua. Os sóis ardiam no horizonte que sobrepujara as nuvens altas.  Reconheci alguns locais. Eu não estava distante da Rua Hesb. Necessário fazer uma média caminhada. Não me apressei nem diminuí os meus passos visto que o ritmo em que eu caminhava condizia com a minha vontade de observar detalhes de Nesemix.
Enquanto atravessava a larga Rua Timaner optei em virar à esquerda e seguir pela Rua Bhenghi. Conhecia os pormenores desta rua movida na sua primeira parte por uma solidão que cheirava a clacachataucos. Quando o doce aroma desapareceu a segunda parte da rua apresentou sonoros movimentos de liboririntáqueos. Eu não podia vê-los. Escutava os ruídos da algazarra. Divertia-me como se os barulhos liboririntáticos estivessem a fornecer sinais às saudades que eu sentia das feiras livres existentes no planeta Terra. Perdidos paraísos que na memória ainda sobreviviam na minha felicidade. Ao contrário da solidão e das sonoridades a terceira e última parte da Rua Bhenghi pertencia aos jogadores de zdruyd. Fanáticos, táticos, estrategistas e compenetrados no jogo de tabuleiro os zdruyden passavam o tempo dos drunhs em campeonatos criados e patrocinados por eles próprios.
No fim da Rua Bhenghi foi certo o meu encontro com os degraus da escada de iecitow metalizado. Esta escada permitia o acesso a um viaduto que eu achava bonito e curioso conhecido como Daktu Tanser. Curioso porque possui uma série de contíguos arcos de metal repletos de cabelos. Os liboririntáqueos acreditam que os cabelos crescidos nos metais do Daktu Tanser representam a salvação da perseverança. Bonito porque além dos cabelos o viaduto é adornado por múltiplas flores conservadas firmes.
Depois que atravessei o Daktu Tanser atingi o início da Rua Hesb. Meu coração disparou feito uma cachoeira que se torna ininterrupta quando depois de completar uma longa viagem se chega ao local onde sempre se viveu. A Rua Hesb parecia me sorrir.
Calmo fui aproximando os meus olhares da minha casa. Ao vê-la diante de mim não a reconheci com desembaraço. Cercou-me a dúvida. Até pensar que me perdera pensei. Sem contar o meu desvario em achar que a Rua Hesb onde eu estava não era a Rua Hesb onde eu estive.
- Chegador duoef, finalmente vos vejo diante da vossa reformada casa. Desde o drunh anterior que vos espero. Sou o genpinemt responsável pela reforma da casa. Olhai vós por ela e me fale o que vós achastes da nova fachada.
- Está ao meu ver uma verdadeira maravilha. Mas meu caro genpinemt, como é mesmo o seu nome ou devo chamá-lo simplesmente de genpinemt?
- Não mudei tanto o interior da casa. O que eu alterei foi com a intenção de dar à vossa residência melhor conforto e ao duoef um morar apaziguante. Chame-me de genpinemt se assim lhe agradar ou me chame de Tewite Iroxe se assim o desejar.
- Tewite Iroxe, procurei depois do tromert chegar à Rua Hesb o mais rápido possível. Percebo, no entanto, que o tempo liboririntático não me fez passar por desvios e que o seu caminho, meu caro genpinemt, o fez alcançar o êxito.
A presença de Tewite Iroxe me agradava. Ele me abasteceu de informações sobre as reformas externa e interna da casa. Ainda me garantiu que embora Nesemix fosse uma grande cidade não combinava com violências e agitações extremas.
Eu havia gostado da reforma da casa. Intuía que quando estivesse no seu interior encontraria a minha humanidade intata. Tal intuição somada à cidade de Nesemix não me produziu resposta fisiológica como a ansiedade.
- Entrado duoef, vida, criação, dificuldade, facilidade... O tempo elabora necessidades e não diverso do instante reforma e atualiza o que Eudaips sente como necessário.
Ofereci a minha mão ao genpinemt que a tocou de leve. Experimentei no seu toque toda a sensação e compreensão do seu cumprimento.
Tewite Iroxe com movimentos crescentes caminhou e voou em sentido contrário à casa. A porta da minha morada se abriu.
A minha chegada e entrada no interior da casa teceu na realidade o término da reforma.