Pela última vez subi a escadaria principal do Clube Vhiszer. O alelab terminado. Os integrantes da Orquestra Sinfônica de Nesemix guardavam os instrumentos. A grande parte dos convidados não estava mais presente no recinto. Aqueles que ainda permaneciam nos ecos das músicas que foram tocadas e dançadas conversavam desembestados e bêbados.
Restou-me o último ato de ir ao ápice da escadaria em busca da bela Aenq Quickoby. Não a encontrei em nenhum dos reconditórios do Clube Vhiszer. Ela se evaporou ao raiar dos sóis. Quem sabe a sua loucura se aflorou de vez remetendo-a às entranhas do seu reino? Ou teria a minha loucura sido o serafim que raptou a liboririntáquea doce, meiga, virtuosa?
Desci a escadaria sentindo que a cada overebut eu voltava à condição básica de abduzido. Ou seja: não mais conseguia enxergar os liboririntáqueos restantes. Retornei às proximidades da orquestra. Ainda escutava os ruídos dos acondicionamentos e arrumações instrumentais. Os músicos se tornaram invisíveis, distantes do clímax da minha exaustão.
Sentia-me cansado, inoperante feito horário sem horas, encontro sem lugares. Pensei em sair correndo do clube. Iniciei o deslocamento numa sequência de impulsos. Minhas pernas se moveram ávidas do andamento veloz. Não obstante ao desejo permaneci fixado nas infrutíferas tentativas de achar a saída. O cenário não era mais o mesmo. A solidão me fazia propostas decentes. Os pontos de referências, esses sim, transformaram-se em fundistas, maratonistas.
O meu esgotamento súbito tirava de mim as últimas gotas do equilíbrio. O chão me pareceu girar mais louco do que o nunca. Meus joelhos se inclinaram para baixo planejando me oprimir.
De repente duas mãos femininas me puxaram para cima devolvendo-me ao percurso da compreensão do que seria o desequilíbrio.
- Extenuado duoef, não vos entregai ao fim. Eu vos levarei ao lado de fora do Clube Vhiszer.
- Em uma boa hora viestes a este lugar me encontrar.
- O meu encontro com o duoef está mesmo no horário!
A liboririntáquea salvadora não me era completamente estranha. Eu já a tinha visto. Ela era integrante da orquestra. Tocava um instrumento de sopro feito de metal, cujo tubo em momento algum lembrava um cone.
- Cansado duoef, sou Rhamaci Risouten, uma das Axixalins da orquestra. Toco Axixal, instrumento conhecido popularmente como Axi. Ele produz um som relaxante. Mas deixemos de lado a frequência, a intensidade e a duração porque como o duoef pode observar não estamos mais nas dependências do Clube Vhiszer.
De fato o Clube Vhiszer tinha ficado para trás. A claridade do novo drunh me mostrou o rosto de Rhamaci Risouten. Deduzi que o avantajado tamanho da sua tacicriz se devia à constante prática de soprar o Axi.
Nesemix era uma cidade fascinante e eu ainda não a conhecia profundamente. Nem sabia se o aprofundamento aconteceria. Mesmo assim me sentia apto às suas delícias extravagantes. Havia me inteirado de algumas sabedorias e lógicas liboririntáqueas. Eu não precisava ser um lama para entender que o meu encontro com a Axixalin, vou assim dizer, estava predeterminado a ser gravado no meu Registro Akáshico. A diferença era que eu não me achava no Tibete prestes a viajar instantaneamente a um planeta longínquo. Eu já me encontrava em Liboririm ao lado de uma liboririntáquea que sabia tocar um instrumento especial que poderia se chamar Luz ao invés de Axi.
- Fronteiriço duoef, agora que conhecestes os motivos que fizeram a minha tacicriz aumentar de tamanho o guiarei até as Cadeiras Esaris, onde vós sentareis, descansareis e esperareis o tzugt. O tromert o transportará à vossa casa reformada na Rua Hesb.
Durante o nosso trajeto deserdei-me das variabilidades de humor. Quanto mais me aproximava das lembranças das músicas mais enxergava a alma de Rhamaci Risouten. Observava nela essencialmente a emotividade.
O excesso de cansaço jurava aflorar em mim a instabilidade geral.
As músicas do silêncio se expandiam dos nossos concertos maiores e interiores.
- Deserdado duoef, as Cadeiras Esaris sem demoras serão avistáveis límpidas, limpas e claras.
