33º DRUNH, MINODGU / OS SENTIDOS DO DESCANSO

De todas as formas, maneiras, modos e jeitos o sonho combateu o excesso de cansaço. Mantive em silêncio os auges da minha instabilidade geral mesmo os meus dentes rangendo dentro do meu corpo outra vez amanhecido.
As paisagens se trocavam no cenário liboririntático do tempo. Percebia o desvelo e a caridade ardentes de Rhamaci Risouten em me conduzir fraternalmente até as Cadeiras Esaris.
Por alguns foroacs fui tomado, embora em movimento, por uma estática sensação de estar dormindo em uma curva urbana onde Nesemix se mostrava por completa em sua área central. Região essencialmente popular.
- Sonhável duoef, as Cadeiras Esaris serão avistáveis sem demoras. -disse-me pela segunda vez a axixalin.
Completamos a curva urbanita. Atingimos uma grande extensão transversal onde coabitavam liboririntáqueos e smopwos. Eu conseguia enxergar as aves ruidosas. Em relação aos liboririntáqueos que transitavam na área central somente sentia as presenças das suas sombras. A axixalin me apontou uma rua. Descemos a Rua Deelout. Visitou-me o prenúncio de que Rhamaci Risouten se afastaria de mim antes de acontecer o próximo terceiro momento.
Talvez no final da Rua Deelout ocorreria o instante inicial da despedida. A musicista concentrada mantinha nas feições o objetivo do seu saber. Quase nada me dizia. Acatava a claridade dos sóis demonstrando firmeza nos olhares. Sem querer toquei a minha mão em seu corpo. Percorreu-me uma emoção diversificada em amizade e saudade.
- Abnegado duoef, as Cadeiras Esaris agora se fazem avistáveis. Segui vós os meus olhares.
A direção dos olhares me surpreendeu. Mais que clareada surgiu à direita da rua uma portentosa entrada metálica. Rhamaci Risouten desejou tocar o meu corpo. Na verdade realizou mais do que um simples toque. Abraçou-me no segundo momento. Sem palavras indicou-me com o seu abraço a entrada metálica e permanecendo em mim a axixalin desapareceu. Movimentei-me rumo à entrada. Mal atravessei o portal revestido de ladrilhos de zinco, níquel e prata avistei as Cadeiras Esaris. A vontade que tive foi a de correr. Quanto mais rápido eu iniciasse o desfrute das cadeiras mais descansaria. Em contrapartida o meu anseio foi o de me tornar lento e quanto mais lento terminasse o meu trajeto às cadeiras mais absorveria os sentidos físico e espiritual do descanso.
Espirrei.
Das narinas esguichou uma coriza viscosa. A presença em minha face desta coriza me proporcionou o despertar. Acordei quando me aproximei das Cadeiras Esaris. Elas me atraíam e me magnetizavam. Tentando aproveitar cada partícula do tempo sentei-me em uma das cadeiras. Visitou-me o sossego trazendo-me a paz. Sofri a ação do corpo se libertando. Era como se eu tivesse alcançado a quietude perpétua, o nirvana. Revigorei-me na forma aberta do ser. Desabotoei a minha casa carnal. Meu peito foi tocado por mãos que me socorreram dentro de um abraço.
- Observante duoef, vossos sentimentos caminham nos trilhos dos vossos pensamentos. Não levantai vós ainda. Permaneça sentado na cadeira que escolhestes. Sou Valish Gnelay, o criador e guardião das Cadeiras Esaris. Tomo conta das Esaris, limpeza e manutenção, e nelas sigo viagem. Quando uma delas necessita ser trocada redijo a solicitação e a envio aos Anjos das Pressagias. As cadeiras são as pontes da vida eterna. Estão agora neste drunh e neste local. Poderiam estar em outros drunhs e outros locais. São capazes de libertar das fomes da carne o corpo de quem as praticam. Cumprem o conhecimento espiritual. 
Olhei com veemência para o corpo de Valish Gnelay. Reconheci no seu rosto a presença de pólen nas partes laterais da sua tacicriz. Em sua testa volumosa brotavam pelos verticais acima dos seus olhos. Procurei os seus pés e os encontrei salpicados de pó. Tomou-me a certeza, a crença de que o meu inesperado espirro acontecera porque todos os liboririntáqueos que até então eu encontrara me consideravam estimado e estavam naquele instante se lembrando de mim: o abduzido terráqueo Rúbio Talma Pertinax.
- Contemplado duoef, continueis a desfrutar a vida! Continueis a aprender as matérias espirituais! Continueis a progredir em outros planos de existência, em outro planeta. Fazei vós do tempo liboririntático o vosso encontro com as virtudes da pureza física, mental e o contentamento. Senciente duoef, descansais e não tenhais pressa em se levantar das cadeiras porque o tromert tardará a ser avistado. E quando as Cadeiras Esaris começarem a desfazer-se à procura de outro drunh e outro local estarão a vós oferecendo os sinais duplos: o descanso se completou e o tromert realmente se aproxima.